Morte de suspeito de ser D.B. Cooper enterra pista sobre único sequestro de avião sem solução nos EUA

Sheridan Peterson afirmou em 2007 que “o FBI tinha boas razões” para acreditar que ele era o criminoso que escapou de paraquedas com 200.000 dólares em 1971

Foto de D.B. Cooper no arquivo do FBI. / Reprodução
Foto de D.B. Cooper no arquivo do FBI. / ReproduçãoFBI

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Morreu em 8 de janeiro Sheridan Peterson, considerado um dos principais suspeitos de ser Dan B. Cooper, identificado como o autor do único sequestro aéreo sem solução na história dos Estados Unidos. O FBI nunca deteve esse veterano de guerra, ex-funcionário da empresa aeronáutica Boeing, com sede em Seattle. A agência de investigações arquivou o caso em 2016, após 45 anos de investigações envolvendo cerca de 1.000 suspeitos. As teorias sobre a identidade do sequestrador continuam dando voltas, mas agora com a versão de Peterson sob a terra. Ele morreu aos 94 anos, por causas ainda desconhecidas, na sua Califórnia natal, segundo o site Legacy.com.

Há quase meio século, em 24 de novembro de 1971, um homem vestindo terno e gravata comprou com dinheiro vivo uma passagem para viajar de Portland a Seattle pela Northwest Orient Airlines. Usava o nome de D.B. Cooper. Instalado em seu assento, o 18C, o homem pediu um bourbon e uma 7-Up a uma das comissárias. Depois, entregou-lhe um bilhete dizendo ter uma bomba em sua mala de mão. Para não deixar dúvidas, abriu ligeiramente a tampa da maleta, revelando fios que pareciam ser de explosivos. Segundo o FBI, imediatamente em seguida a comissária levou ao comandante um escrito com as seguintes exigências: quatro paraquedas e 200.000 dólares em notas de 20.

D.B. Cooper permitiu que o voo 305 da Northwest Orient aterrissasse em Seattle e liberou os 36 passageiros a bordo em troca do dinheiro em espécie. Depois, ordenou ao comandante da aeronave que tomasse o rumo da Cidade do México, mas que não voasse a mais de 10.000 pés de altitude (3.000 metros, cerca de um quarto do habitual). A última coisa que se soube dele é que saltou de paraquedas com o dinheiro em uma zona florestal entre Seattle e Reno, no Estado vizinho de Nevada. Os investigadores nunca o encontraram vivo ou morto, nem conseguiram determinar sua verdadeira identidade. O caso inspirou livros, documentários, filmes e canções.

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Em 2004, o FBI colheu um depoimento de Sheridan Peterson, então com 77 anos. Tratava-se de um ex-marinheiro aficionado em paraquedismo, que tinha servido na Segunda Guerra Mundial e trabalhado como técnico da Boeing. Testemunhas disseram que o suspeito do sequestro tinha entre 35 e 45 anos. Peterson tinha 44 anos no momento do crime. Dois agentes interrogaram-no e colheram uma amostra de DNA, que o FBI nunca publicou, apesar de ter descartado publicamente outros suspeitos do caso pelos resultados desse tipo de exame. Oficialmente a agência acredita que D.B. Cooper, fosse quem fosse, provavelmente morreu a noite do assalto.

Eric Ulis, empresário de Phoenix, que investigou o caso por sua conta durante anos e escreveu o livro DB Cooper: The Definitive Investigation of Sheridan Peterson, disse estar “98% seguro” de que Peterson era o famoso “sequestrador dos céus”. “Na verdade, o FBI tinha boas razões para suspeitar de mim”, escreveu Peterson em uma revista publicada pela Associação Nacional de Paraquedismo, em 2007. “Amigos e outras pessoas vinculadas a mim estavam de acordo em que sem dúvida eu era D.B. Cooper. Havia muitas circunstâncias envolvidas para que fosse só uma coincidência”, admitiu. Além disso, o veterano de guerra se parecia muito com os retratos-falados do sequestrador feitos com base na descrição das testemunhas.

As suspeitas sobre Peterson não o impediram de viver uma vida pública lutando por causas que considerava justas. Nos anos sessenta, foi um ativista dos direitos civis, depois se mudou para o Sudeste Asiático para ajudar refugiados durante a Guerra do Vietnã, e em 1989 protestou contra o massacre da praça Tiananmen, em Pequim.

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