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Trump se despede da América Latina com novas sanções a Cuba e Nicarágua

A quatro semanas de deixar o poder, o presidente dos Estados Unidos atinge a indústria turística da ilha e congela os ativos de três membros do círculo de Daniel Ortega

Uma mulher à porta de um bar em Havana, Cuba.
Uma mulher à porta de um bar em Havana, Cuba.EFE/Yander Zamora (EFE)

Os Estados Unidos impuseram nesta segunda-feira sanções a várias empresas de Cuba dedicadas ao turismo e a três altos funcionários do Governo de Daniel Ortega na Nicarágua: o vice-presidente da Corte Suprema, um deputado governista e o chefe de polícia da cidade de León, acusado de coordenar a repressão a jornalistas.

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O Departamento do Tesouro acusou três empresas cubanas de usarem uma filial panamenha para fugir das sanções de Washington. Entre elas está o GAESA, um grupo empresarial controlado pelos militares que abrange de hotéis e supermercados a serviços portuários e alfandegários. Desde os anos 1990, controla amplos setores econômicos vinculados ao turismo, o motor econômico da ilha. O diretor do GAESA é o general Luis Alberto Rodríguez López-Calleja, ex-genro do ex-presidente Raúl Castro, também alvo de sanções dos Estados Unidos. As outras duas empresas penalizadas são a Financiera Cimex e a Kave Coffee, dedicada ao café.

O chanceler cubano, Bruno Rodríguez, criticou as medidas e afirmou que Cuba seguirá em frente “sem importar quantas entidades eles incluírem em suas listas espúrias”. “Cada ação da política externa dos Estados Unidos reforça o isolamento e o descrédito internacional ao qual Trump e sua equipe a conduziram”, disse o chanceler. A equipe de Donald Trump, que deixará o poder em 20 de janeiro, argumentou que as sanções são parte de seu compromisso de “atacar o regime cubano por seu comportamento maligno e suas tentativas de fugir das sanções norte-americanas”, segundo o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin.

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As sanções se somam ao pacote de medidas contra a indústria turística da ilha aprovadas há três meses. Essas restrições afetam viajantes norte-americanos e 433 hotéis e complexos turísticos que fazem parte de uma lista de alojamentos proibidos em Cuba, além de mais limitações às importações de bebidas alcoólicas e charutos produzidos e comercializados na ilha.

“As medidas estão orientadas para privar o regime cubano dos recursos que utiliza para oprimir a população cubana e financiar sua ingerência na Venezuela”, disse então o secretário de Estado, Mike Pompeo.

No caso da Nicarágua, os três funcionários punidos nesta segunda-feira são o vice-presidente da Corte Suprema do país centro-americano, Ramiro Aguilar, o deputado Antonio Gutiérrez e o comandante da polícia de León, Fidel de Jesús Domínguez. Segundo os EUA, Ramiro Aguilar é vice-presidente da Corte Suprema de Justiça e o secretário político sandinista encarregado de garantir que apenas os funcionários afins ao regime cheguem a postos-chaves. Para o Departamento de Estado, como secretário político nacional Aguilar trata diretamente com o presidente Daniel Ortega e com sua vice, Rosario Murillo, para coordenar a perseguição de membros da oposição.

Walmaro Antonio Gutiérrez é deputado da Assembleia Nacional e presidente da Comissão de Produção, Economia e Orçamento, acusado de impulsionar a polêmica Lei de Agentes Estrangeiros, que exige que pessoas e entidades da Nicarágua que recebam recursos do exterior se cadastrem e enviem mensalmente detalhados relatórios mensais ao Ministério do Interior. Fidel de Jesús Domínguez Álvarez, chefe da Polícia Nacional da Nicarágua em León (noroeste do país), é acusado de ter coordenado pessoalmente várias agressões contra jornalistas e opositores.

O Departamento do Tesouro indicou que os três são responsáveis por “apoiar a sistemática identificação, intimidação e castigo dos opositores realizado pelo regime de Ortega”, denunciou o secretário Mnuchin. A sanção implica o bloqueio de qualquer ativo deles no sistema financeiro norte-americano.

Assim como no caso de Cuba, as medidas anunciadas nesta segunda-feira se somam às sanções de outubro quando o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros impôs sanções à procuradora-geral da Nicarágua, Ana Julia Guido, ao secretário da presidência, Paul Oquist Kelley, e à Caixa Rural Nacional, uma cooperativa de economia e crédito próxima do sandinista. Com estas sanções, todas as propriedades e capitais dessas instituições e pessoas nos EUA passaram ao controle das autoridades. Também em outubro a União Europeia decidiu prorrogar por um ano suas sanções contra o círculo de Ortega, dada a “deteriorada situação político e social” no país centro-americano.

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