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Trump deixa entrever pela primeira vez que haverá um novo Governo nos EUA

Presidente americano faz um pronunciamento para se parabenizar pelo manejo da pandemia e insinua que não sabe qual será o Executivo no futuro

Donald Trump, durante seu pronunciamento à imprensa, na sexta-feira na Casa Branca.
Donald Trump, durante seu pronunciamento à imprensa, na sexta-feira na Casa Branca.Evan Vucci (AP)
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Arlington (United States), 11/11/2020.- US President Donald J. Trump and First lady Melania Trump (not pictured) participate in a National Veterans Day Observance at Arlington National Cemetery in Arlington, Virginia, USA, 11 November 2020. This is the first public appearance of Trump since 07 November when major news networks projected that he lost the 2020 Presidential elections. (Elecciones, Estados Unidos) EFE/EPA/Chris Kleponis / POOL
Nenhum rastro de fraude nas eleições presidenciais dos Estados Unidos
Madison Cawthorn, Republican nominee for North Carolina's 11th Congressional District, speaks during the largely virtual 2020 Republican National Convention broadcast from Washington, U.S. August 26, 2020.   2020 Republican National Convention/Handout via REUTERS   THIS IMAGE HAS BEEN SUPPLIED BY A THIRD PARTY
Madison Cawthorn, a rápida ascensão da nova estrela republicana
FILE PHOTO - U.S. Vice President Joe Biden (R) is joined by Ebola Response Coordinator Ron Klain (L) in the Eisenhower Executive Office Building on the White House complex in Washington, U.S. November 13, 2014.        REUTERS/Larry Downing/File Picture
Biden aposta em um veterano como chefe de Gabinete

Nunca ficou mais claro do que nessa tarde na Casa Branca que o presidente Donald Trump vive de costas à realidade. Pouco antes de seu pronunciamento, os Estados Unidos receberam a notícia de que Joe Biden tinha 306 votos no colégio eleitoral contra 232 do republicano. Trump continua encastelado e se nega a aceitar ter se transformado no primeiro presidente a perder a reeleição nesse século (e o décimo na história dos EUA).

Quando foi divulgado que o mandatário falaria às quatro da tarde (18h de Brasília), primeira vez que o fazia desde que Joe Biden foi confirmado presidente eleito no sábado, se sabia que o faria para falar sobre a vacina e a pandemia do coronavírus, mas só se podia especular com a ideia de que ele sairia do roteiro e faria alguma referência ao processo eleitoral, que o mandatário considera uma fraude, e o vencedor das eleições. Só houve uma e muito disfarçada.

“Essa Administração não fará um confinamento. Esperamos que... aconteça o que acontecer... quem sabe qual Governo será... o tempo o dirá, mas posso dizer que esse Governo não fará um confinamento”. Isso é o mais próximo que até agora o mandatário esteve de reconhecer sua derrota. “Eu disse muitas vezes, a solução não pode ser pior do que o problema. Se podemos ver o que acontece com os confinamentos, depressão, drogas, álcool, desemprego...”. E afirmou: “Essa Administração não fará confinamentos sob nenhuma circunstância”.

O que Donald Trump fez foi quase um decálogo de como sua Administração agiu bem na gestão da pandemia e como lidaria com a vacina quando estiver disponível. Trump destacou que a operação lançada por seu Governo à fabricação e distribuição de vacinas e tratamento à covid-19, a chamada Operation Warp Speed (Operação Velocidade da Luz), é “inigualável em qualquer outra parte do mundo”.

“Os líderes de outros países me ligaram para nos parabenizar pelo que fomos capazes de fazer, e ajudamos muitos países com os respiradores, e todos os problemas que estão tendo”, afirmou. Para apoiar sua tese fez passar pelo púlpito da Casa Branca Moncef Slaoui e o General Gustave Perna, ambos pertencentes à Operation Warp Speed. Até Mike Pence, vice-presidente dos EUA e chefe do grupo de políticas sobre o coronavírus da Casa Branca, fez sua aparição e declarou entusiasmado que “a cavalaria” estava chegando. “Estamos vendo casos crescendo em todo o país, quero mandar uma mensagem à população, vamos continuar movendo céus e terras para garantir que as famílias têm o mesmo atendimento que queremos para nós”.

Triste ato de campanha

Mais do que um presidente em retirada que fez referência à equipe que deve continuar essa batalha contra um vírus que já tirou a vida de mais de 240.000 norte-americanos, Trump parecia um político em um triste ato de campanha, como se o nova-iorquino não soubesse que seus dias à frente da Casa Branca estão contados e a corrida pela presidência acabou, até mesmo a voz e os gestos grandiosos do magnata diminuíram vários graus. Evidentemente sempre há espaço para sua própria verdade, a verdade de Trump, como quando o presidente quis deixar claro que era mentira que a Pfizer, a empresa farmacêutica que anunciou no começo dessa semana que fabricou uma vacina com 90% de efetividade, não havia recebido os fundos fornecidos pela Administração republicana dentro do programa Warp Speed. “A Pfizer disse que não faz parte da Warp Speed, mas não é assim, caso contrário, não teria o 1,9 bilhão de dólares (10 bilhões de reais) dados pela Administração. Foi infeliz [esse comentário]”, declarou Trump, contradizendo os dados da multinacional.

Trump pronunciou uma enxurrada de benfeitorias que seu Governo fez para proteger a população norte-americana e declarou que nos últimos noves meses sua Administração mobilizou recursos como nunca “para procurar medicamentos”. Como não podiam faltar as críticas, Trump atacou o governador de Nova York, que se mostrou reticente a qualquer vacina não aprovada pelas autoridades sanitárias do Estado. “Não podemos enviar a vacina a não ser que o governador nos diga que está preparado [para recebê-la]”, disse Trump com certo tom de irritação.

Se alguém esperava uma aceitação da realidade, um passo na direção que tire o país de um cenário único e grotesco, um discurso de concessão. Nada disso ocorreu no pronunciamento de Trump. Ele sequer abriu uma rodada de perguntas à imprensa.

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