Pandemia de coronavírus

Pfizer afirma que sua vacina contra o coronavírus tem eficácia de 90%

Das 214 vacinas experimentais, 10 estão em fase final e a OMS acredita que as populações de risco de alguns países que aderiram o consórcio para a produção desta vacina serão imunizadas no ano que vem

Um voluntário recebe doses experimentais de uma vacina contra o coronavírus em Oxaca, no México, na sexta-feira passada.
Um voluntário recebe doses experimentais de uma vacina contra o coronavírus em Oxaca, no México, na sexta-feira passada.Daniel Ricardez / EFE

O laboratório farmacêutico Pfizer afirmou nesta segunda-feira que sua vacina contra a covid-19 é “90% eficaz”, segundo a primeira análise intermediária de seu ensaio de fase 3, a última etapa antes de solicitar formalmente a homologação do produto. Esta eficácia de proteção contra o vírus SARS-CoV-2 foi alcançada sete dias após a administração da segunda dose da vacina e 28 dias após a primeira, informou o laboratório norte-americano em um comunicado conjunto com a firma BioNTech.

A corrida para encontrar a vacina contra a covid-19 se mantém num ritmo acelerado justamente quando o mundo supera 50 milhões de casos detectados do coronavírus, em plena segunda onda da pandemia na Europa e com cifras de contágio recordes nos Estados Unidos. Com 1.251.981 mortes registradas, os países querem dispor de uma vacina no menor tempo possível. Uma das mais avançadas é a desenvolvida conjuntamente pelo laboratório AstraZeneca e a Universidade de Oxford que já demonstrou eficácia em várias faixas de população e cuja produção começou na Austrália, conforme anunciou o ministro da Saúde desse país, Greg Hunt. No Brasil, a produção da vacina de Oxford será feita em parceria com a Fiocruz.

Outras 214 propostas estão em diferentes fases de teste, segundo o Instituto Milken. Dessas, segundo o registro da Organização Mundial da Saúde (OMS), uma dezena se encontra na última fase de ensaios clínicos. Das 214 vacinas experimentais, 10 se encontram na última das três fases que compõem os ensaios clínicos necessários para assegurar que são eficazes (geram resposta imunológica) e seguras (não geram efeitos adversos).

A vacina que começou a ser produzida na Austrália é a mesma da qual a Espanha encomendou 31,5 milhões de ampolas ao consórcio britânico. Os primeiros três milhões deverão ser oferecidos à população de maior risco (profissionais sanitários e idosos) a partir do ano que vem. Por se tratar de um processo de imunização que exige duas doses, se prevê que com a primeira leva completa seja possível imunizar cerca de 15 milhões de pessoas. O custo de cada dose é de 2,90 euros (18,14 reais), dos quais 1,12 euro (7 reais) serão abonados pela UE através do fundo de apoio de emergências da Comissão Europeia. A Agência Europeia de Medicamentos (EMA, na sigla em inglês) anunciou o início de um processo para autorizar a vacina desenvolvida pelo laboratório britânico com Oxford. A proposta da Pfizer também está tramitando no órgão europeu.

No caso da Austrália, o Governo espera começar a vacinação em março, dando também prioridade a idosos e trabalhadores do setor sanitário, conforme apontou o ministro em uma entrevista por rádio. Assim como a Europa, que assinou um contrato de compra centralizada com o laboratório, se espera que a vacina esteja disponível no ano que vem.

Além da Austrália, outros países mantêm acordos com diferentes laboratórios para assegurar a disponibilidade de doses de imunização alternativas ou complementares com outros desenvolvimentos em fase avançada. No Brasil, além da vacina da Universidade de Oxford/AstraZeneca, também será produzido o imunizante desenvolvido pela chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, voltado para a população do Estado de São Paulo, que aderiu este consórcio internacional. A vacina da Sinovac também está na fase 3.

Já o México já assinou acordos com a Pfizer, AstraZeneca e CanSino para dispor de 117 milhões de dose, suficiente para imunizar 90% de sua população até o final de 2021, caso essas vacinas sejam aprovadas. As primeiras doses experimentais do laboratório sino-canadense CanSino Biologics chegaram no fim de semana ao sul do México.

Os ensaios pré-clínicos começam com pesquisas em células e animais, como ratos e macacos. A fase 1 representa o salto para a experimentação em um grupo reduzido de pessoas. Na fase 2, o número de voluntários aumenta e se trata de ajustar as doses necessárias (uma ou duas, segundo a vacina) e confirmar a segurança. Na fase 3, se demonstra que a vacina é segura e eficaz em um ensaio com dezenas de milhares de pessoas, de todas as faixas etárias.

O registro da OMS situa na fase 3 as vacinas da AstraZeneca, Sinovac, Wuhan Institute of Biological Products, Beijing Institute of Biological Products (ambas da Sinopharm), CanSino Biological, Gamaleya Research Institute, Janssen Pharmaceutical Companies, Novavax, Moderna e BioNTech e Fosun Pharma (Pfizer).

Em todas essas vacinas, o objetivo é induzir o organismo a desenvolver uma resposta ao ataque do vírus. Algumas se valem do coronavírus modificado para atenuar sua ação infecciosa ou anulá-la, e outras partem de agentes patogênicos de outras infecções (sarampo ou resfriado) aos quais é incorporado o RNA do coronavírus para que o sistema imunológico identifique as proteínas da espícula ou impeça sua reprodução. Também se ensaia com a incorporação direta na célula do material genético do coronavírus, para que o sistema imunológico reaja, ou as proteínas do agente patogênico causador da covid-19, para que o organismo as identifique.

Recentemente, o presidente do Governo (primeiro-ministro) espanhol, Pedro Sánchez, afirmou que a campanha de vacinação contra a covid-19 no seu país “poderia estar pronta” dentro de seis meses. A Organização Mundial da Saúde (OMS) é um pouco mais precavida e calcula que só em meados de 2021 haverá uma vacina disponível para os grupos de risco, mas que a vacinação maciça da população ficará para 2022.

Nesse cenário, segundo a última pesquisa do Centro de Pesquisas Sociológicas (CIS), 43,8% dos espanhóis relutam em se vacinar imediatamente, e outros 40,2% estariam dispostos a se imunizar assim que as agências reguladoras autorizarem uma vacina.

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