Argentina

Dezenas de milhares de argentinos se manifestam contra o Governo de Alberto Fernández

Alvo dos protestos é a reforma judicial apresentada pelo Executivo em plena quarentena pela pandemia da covid-19

Manifestação contra o Governo de Alberto Fernández junto ao obelisco de Buenos Aires, nesta segunda-feira. Em vídeo, milhares de argentinos saem às ruas contra a reforma judicial do Governo.
Manifestação contra o Governo de Alberto Fernández junto ao obelisco de Buenos Aires, nesta segunda-feira. Em vídeo, milhares de argentinos saem às ruas contra a reforma judicial do Governo.Natacha Pisarenko / AP

Dezenas de milhares de pessoas se manifestaram nesta segunda-feira em numerosas cidades argentinas contra o Governo de Alberto Fernández. O protesto, convocado nas redes sociais com o ator Luis Brandoni como liderança visível, rechaçou muito concretamente a reforma judicial proposta pelo Executivo e vista como uma manobra para assegurar a impunidade da vice-presidenta Cristina Fernández de Kirchner em seus julgamentos por corrupção. Também revelava um cansaço com uma quarentena que entra já no sexto mês.

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A maior marcha ocorreu em Buenos Aires, à tarde. Milhares de veículos bloquearam a avenida 9 de Julho, a principal da capital, tocando buzinas e agitando bandeiras nacionais, enquanto nutridos grupos de pedestres gritavam em coro lemas a favor da liberdade e contra a corrupção. Os participantes eram, de forma quase unânime, eleitores de Mauricio Macri na eleição do ano passado e essencialmente antiperonistas, mas pouquíssimos dirigentes da oposição política aderiram ao protesto. A presença mais notável, com Macri de férias na França, foi a de Patricia Bullrich, presidenta do partido Proposta Republicana. Horacio Rodríguez Larreta, o opositor com mais poder por seu cargo como chefe de Governo da cidade de Buenos Aires, não participou, limitando-se a pedir aos manifestantes que mantivessem as medidas de precaução contra a pandemia.

Em 9 de julho, data nacional argentina, Buenos Aires já havia acolhido uma manifestação com mais imprudência (poucas máscaras, nenhuma distância de segurança), um ambiente mais tenso e menos participantes. No protesto desta segunda, com raras exceções os participantes usavam máscaras, embora a aglomeração impedisse a distância interpessoal, e não deixou margem ao Governo para culpar quatro exaltados: foram muitos, em um ambiente pacato.

Havia alguns partidários de teorias conspiratórias (um que se negava de antemão a se vacinar contra a covid-19, outra que exigia o uso maciço de dióxido de cloro como terapia etc.), mas os gritos e cartazes mais comuns eram de críticas à vice-presidenta Cristina Fernández de Kirchner, contra a reforma judicial (interpretada como uma manobra para livrá-la dos juízes mais flexíveis), contra a corrupção em geral, contra a criminalidade e contra a quarentena, popularmente chamada quarenterna, que mantém milhares de negócios fechados.

O protesto anterior, em 9 de julho, causou um repique notável nos contágios. O Governo utilizou esse antecedente para tentar esfriar a convocação desta semana. O ministro da Saúde, Ginés González García, considerou “absolutamente desnecessário em um momento de risco expor as pessoas por uma ideia política”. “Que cada um arque com a responsabilidade que lhe caiba por convocar este tipo de coisas”, disse o presidente Alberto Fernández. Também o vice-prefeito de Buenos Aires, Diego Santilli, de oposição, fez ressalvas às concentrações: “Não acredito que a marcha seja conveniente”, comentou.

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