Explosão em Beirute

Manifestantes tomam Ministério das Relações Exteriores em Beirute em protesto contra políticos

Os três membros do partido Kataeb e a única deputada independente da Câmara renunciam

Manifestantes entre gases lacrimogêneos lançados pelas forças de segurança protestam nas proximidades do Parlamento, em Beirute, no sábado.
Manifestantes entre gases lacrimogêneos lançados pelas forças de segurança protestam nas proximidades do Parlamento, em Beirute, no sábado.THAIER AL-SUDANI / Reuters

A irritação transborda as ruas de Beirute. Os manifestantes tomaram o Ministério das Relações Exteriores e o erigiram como o centro da revolução durante a manifestação convocada neste sábado para exigir que as autoridades do Líbano abandonem seus cargos no Governo após a catástrofe provocada pela explosão de terça-feira que já matou 158 pessoas e deixou mais de 6.000 feridos. Os participantes, que batizaram os protestos como “dia do julgamento”, também se dirigem às casas dos ministros e tentam tomar o Parlamento na manifestação mais agressiva contra os políticos nos últimos nove meses de protestos. Manifestantes e a polícia entraram em confronto entre gás lacrimogêneo lançado pelas forças de segurança e pedras atiradas pelos participantes nos arredores do Parlamento da capital libanesa, onde o protesto começou. Diante do panorama, centenas de agentes foram mobilizados pela cidade.

“Estou aqui por Alessandra, minha amiga morta”, diz Lara Dabu, uma universitária de 21 anos, na Praça dos Mártires, onde os manifestantes penduraram dezenas de forcas com uma mensagem clara. “São para os políticos que roubaram e agora têm sangue de inocentes nas mãos”, diz Jad Zabour, também na casa dos vinte anos, como a maioria dos que na manhã de sábado se levantaram, varreram as ruas e recolheram os escombros que se acumulam a cada passo. Pesam sobre os políticos os falecidos, os feridos, as mais de 60 pessoas desaparecidas e mais de 100.000 crianças afetadas pela explosão até agora, além de custosos danos materiais. A principal suspeita sobre a causa do acidente, ainda em investigação, gira sobre a negligência do porto armazenar sem medidas de segurança 1.750 toneladas de nitrato de amônio.

Como resposta, vários deputados começaram a renunciar, entre eles Paula Yacoubian, a única independente das 128 cadeiras que compõem a Câmara. Também os três membros do pequeno partido Kataeb, que, além disso, anunciou sua decisão de participar dos protestos. “Iremos à luta com todos os libaneses honestos pelo bem do Líbano, soberano, livre e independente,” declarou o presidente do partido, Samil Gemeyel. Seu secretário-geral, Nazar Najarian, morreu na terça-feira pelas feridas da explosão. No sábado veio a público que a esposa do embaixador da Holanda faleceu pelas mesmas causas.

Ajuda internacional

No sábado, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, e o presidente libanês, Michel Aoun, conversaram sobre as necessidades humanitárias, sanitárias e de reconstrução no Líbano e acertaram, após receber uma ajuda de 5,5 milhões de euros (35 milhões de reais), trabalhar com parceiros internacionais para garantir a recuperação. A Turquia, por sua vez, ofereceu o porto de Mersin, no Mediterrâneo, até que o de Beirute seja reconstruído, além de oferecer ajuda alimentar e médica. E os Estados Unidos disseram que destinarão 14,4 milhões de euros (91 milhões de reais) como ajuda inicial ao país.

Por sua parte, o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, participará no domingo da conferência internacional de apoio ao Líbano convocada pelo presidente francês, Emmanuel Macron, e o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.

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