Apoiadores de Evo Morales bloqueiam estradas para exigir eleições

Protesto de camponeses contra adiamento do pleito complica a ação contra a crise sanitária da covid-19

Centenas de manifestantes protestam contra o novo adiamento das eleições bolivianas, na terça-feira, em Sacaba.
Centenas de manifestantes protestam contra o novo adiamento das eleições bolivianas, na terça-feira, em Sacaba.Jorge Ábrego (EFE)

As rodovias da Bolívia estão bloqueadas em pelo menos 70 pontos por grupos de camponeses que protestam contra o adiamento das eleições. As manifestações foram convocadas por sindicatos simpáticos ou diretamente ligados ao Movimento ao Socialismo (MAS), o partido do ex-presidente Evo Morales, o único a defender a realização das novas eleições presidenciais em 6 de setembro, data escolhida pelo Parlamento. Alegando razões sanitárias, o Tribunal Eleitoral adiou a votação para 18 de outubro.

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AME6254. SACABA (BOLIVIA), 04/08/2020.- Cientos de manifestantes protestan contra el nuevo aplazamiento de las elecciones bolivianas, este martes en Sacaba (Bolivia). Las protestas contra el nuevo retraso en los comicios generales, aplazados esta vez del 6 de septiembre al 18 de octubre, continuaron este martes en distintas partes de Bolivia. EFE/Jorge Ábrego
Apoiadores de Evo se mobilizam para exigir eleições e renúncia do Governo interino
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Tribunal Eleitoral da Bolívia adia eleições presidenciais para 18 de outubro

O Governo culpou os bloqueios pela falta de oxigênio e medicamentos para pacientes com covid-19 em várias cidades. “Pedimos aos dirigentes da COB (Central Operária Boliviana) que pensem no dano que suas medidas estão ocasionando. Peço-lhes mais uma vez que deixem de bloquear e cuidem do nosso povo”, tuitou a presidenta interina, Jeanine Áñez. O principal dirigente dos protestos, o secretário-geral da COB, Juan Carlos Huarachi, processado penalmente por ter convocado bloqueios, pediu aos mobilizados que permitam a passagem de ambulâncias, medicamentos e oxigênio. “Nossa luta é pela saúde, e não podemos prejudicar os hospitais”, afirmou.

Segundo o representante de uma fábrica de oxigênio medicinal situada na zona rural de La Paz, o chamado não está sendo atendido: os bloqueios estão impedindo que a empresa funcione normalmente. Huarachi pediu desculpas à população pela “irritação e transtorno” que a decisão do Tribunal Eleitoral de adiar as eleições causou para os trabalhadores e camponeses. Evo Morales, acusado pelo governismo de estar por trás da atuação dos sindicatos, convocou um diálogo entre estes e a instituição eleitoral, que “não pode apoiar tentativas de um Governo de fato de se prorrogar e impedir um processo eleitoral”. O Tribunal Eleitoral e a COB se reunirão nas próximas horas para discutir os critérios contrapostos.

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) manifestou pelo Twitter “seu repúdio a qualquer tipo de bloqueio de equipes médicas, confrontações e incidentes de violência contra a integridade física das pessoas ou contra a propriedade pública e privada, assim como o uso desnecessário e excessivo da força pública na Bolívia”. Algo semelhante fez o escritório das Nações Unidas na Bolívia.

Os bloqueios também foram amplamente condenados nos meios de comunicação e nas redes sociais, frequentemente com insultos racistas. “Selvagens”, “andinos que preferem a morte à vida”, “pagos pela narcocorrupção de seu chefe Morales” e outros epítetos como estes foram publicados. O clima nas redes é parecido ao que se observava no começo de ano, quando as classes médias urbanas ainda não haviam se dividido em torno da candidatura e da gestão governamental de Áñez, e havia na época um consenso contra o MAS e seus dirigentes.

Segundo o analista Pablo Stefanoni, “os bloqueios de organizações sociais, muitas delas simpáticas ou ligadas ao MAS, mostram força nas ruas, mas enfraquecem a capacidade de irradiação deste partido para as cidades e os eleitores em dúvida, que poderiam decidir dar uma nova chance ao MAS, dada a enorme ineficiência do Governo de Áñez. Um mês e pouco de adiamento eleitoral não parece razão suficiente para bloqueios radicais e, justo quando o MAS precisa recompor o apoio urbano, essas ações o mostram como insensível à emergência da covid-19”.

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