Pandemia de coronavírus

Espanha faz planos de retomada após fim do confinamento

"O vírus pode voltar, ainda somos vulneráveis", avisa o presidente Pedro Sánchez, que busca avaliação das medidas de bem-estar social

Dezenas de pessoas aproveitam as praias de Barcelona na reabertura da Catalunha.
Dezenas de pessoas aproveitam as praias de Barcelona na reabertura da Catalunha.Enric Fontcuberta / EFE

O pior da pandemia já passou, e o presidente do Governo da Espanha (primeiro-ministro), Pedro Sánchez, deu por encerrada esta primeira etapa com uma declaração final sem responder a perguntas --algo que não fazia há meses. Sánchez se concentrou em pedir unidade e ajuda, em especial ao PP, principal partido de oposição, para enfrentar uma reconstrução econômica que será, segundo explicou, completamente diferente da de 2008, e não implicará os ajustes, desemprego e sofrimento que teve a da época, porque as coisas mudaram muito, especialmente na Europa.

“Desta vez contamos com o apoio europeu. Na crise anterior, o egoísmo aprofundou a divisão entre os países. Alguns viram o desemprego como uma penitência que os países do Sul tinham que pagar por seus supostos pecados. Mas não foi essa suposta penitência que resolveu a crise, e sim a intervenção determinada do Banco Central Europeu. Desta vez, a Europa deve salvar a Europa”, explicou um dia depois da cúpula da UE, na qual não foi possível se chegar um acordo sobre o enorme fundo de 750 bilhões de euros (4.5 trilhões de reais) que salvará as economias mais afetadas pelo coronavírus, sobretudo a italiana e a espanhola.

Sánchez insiste em que a chave para a saída da crise está aí, e anunciou que convocará os partidos para explicar a eles a estratégia de negociação espanhola e pedir seu aval. “A Espanha tem que se entender com a Espanha. Compartilharemos a posição com os demais partidos e pediremos o seu apoio. A Europa tem que nos ver unidos. Nós gastamos tempo demais em diferenças. O útil é unir esforços. Não podemos aceitar como algo natural que a política se transforme em um lugar de enfrentamento e de ódio. Ninguém deve renunciar a suas ideias, mas, sim, ao insulto, ao assédio, à provocação. A vontade de conviver nos une.”

O primeiro-ministro insistiu repetidamente que a legislatura durará quatro anos, uma mensagem para aqueles que duvidam que a coalizão resistirá ao embate, e pediu que se rebaixe o tom da política para que os debates sobre a reconstrução transcorram com calma. Sánchez promove, por exemplo, uma comissão mista Câmara dos Deputados-Senado sobre "avaliação da saúde, da ciência e da proteção social", ou seja, do estado de bem-estar social que melhor pode lidar com uma crise de saúde como esta.

Sánchez mudou completamente o tom e agora já fala sobre a saída do estado de alarme, anunciada neste sábado após 100 dias de um período de exceção, e de uma nova fase, mas também insiste em que os alertas não podem ser relaxados. “Foi preciso parar a vida para enfrentar o vírus. O estado de alarme e o confinamento salvaram 450.000 vidas na Espanha e três milhões na Europa. Nossa economia começa a pulsar de novo. Mas ainda continuamos vulneráveis. O vírus não se foi. Por isso, estamos preparando uma reserva estratégica de material para enfrentar futuros surtos. Estamos vigilantes, mas também temos orgulho do que alcançamos juntos”, insistiu depois de agradecer um a um o esforço de todos os grupos que aguentaram a crise com mais força.

O Governo se prepara agora para uma etapa política muito diferente, em que tudo estará centrado no debate econômico e na injeção colossal de dinheiro público na economia para sustentar o tecido produtivo. Nisso, ele acredita que a oposição também terá que modular seu discurso e, de fato, isso já começou a ser visto em decisões como o apoio do PP à renda vital mínima --nem mesmo o Vox ousou votar contra-- e o provável apoio do PP ao decreto de nova normalidade e investimentos importantes, como o plano do setor automotivo e o do turístico.

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