Pandemia de coronavírus

Metade da Espanha flexibiliza a quarentena

Parte dos espanhóis passará para a chamada ‘fase 1’ nesta segunda-feira, em que os cidadãos poderão se reunir a qualquer hora para se encontrar em casas, terraços ou ao ar livre, sempre com um limite máximo de 10 pessoas. O Ministério da Saúde rejeitou o desconfinamento de Madri

Casal na praia de barceloneta, em Barcelona no dia 8 de maio.
Casal na praia de barceloneta, em Barcelona no dia 8 de maio.JOSEP LAGO / AFP

Metade da população espanhola passará nesta segunda-feira para a fase 1 de retirada das restrições da quarentena imposta para o combate à pandemia da covid-19, no caminho rumo à nova normalidade. O restante deverá esperar para cumprir uma série de critérios que vão da evolução da epidemia até a capacidade de assistência e monitoramento dos casos.

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O Ministério da Saúde espanhol aceitou, nesta sexta-feira, a grande maioria dos pedidos de avanço de fase realizados pelas comunidades autônomas. Negou apenas os da Andaluzia, que solicitava que algumas zonas de Málaga e Granada avançassem (essas duas províncias estarão integralmente na fase zero por mais alguns dias); de Castela-La Mancha, onde ficaram de fora Toledo, Ciudad Real e Albacete; e da Comunidade de Madri. O Ministério tampouco atendeu plenamente o pedido da Comunidade Valenciana, onde algumas áreas ficaram de fora. O Governo ignorou também as pretensões de Astúrias, que pretendia que dois territórios passassem diretamente à fase 2.

Além desses territórios, a maior parte da Catalunha não passará à nova etapa, já que não havia pedido, exceto as zonas sanitárias de Terres de l’Ebre, Camp de Tarragona e Alt Pirineu-Aran, assim como quase toda Castela e Leão, onde 26 áreas sanitárias flexibilizarão a quarentena.

Salvo exceções extraordinárias, as áreas que avançaram terão que estar 14 dias na nova fase. É o tempo necessário para saber se o relaxamento das medidas terá provocado um aumento dos casos ou novos surtos. “Se as coisas avançarem de forma positiva, poderemos considerar [a permanência na nova fase], mas prevalecerá a prudência”, afirmou o ministro da Saúde, Salvador Illa.

As áreas que continuam na fase zero poderão voltar a pedir a flexibilização quando cumprirem os requisitos. A ordem ministerial estabelece um prazo de uma semana para responder aos pedidos.

Na nova fase, seguirão vigentes os horários separados para as atividades físicas, embora as comunidades possam adaptá-los às suas características. Algumas solicitaram alterações para que as crianças não tivessem que sair nas horas mais quentes do dia. Mas os cidadãos poderão se reunir a qualquer hora para se encontrar em casas, terraços ou ao ar livre, sempre com um limite máximo de 10 pessoas, respeitando uma distância de dois metros e cuidando da higiene. Isto poderá ser feito em qualquer parte da unidade territorial de referência (sobretudo nas províncias e nas zonas sanitárias de Castela e Leão, Comunidade Valenciana e Catalunha). A possibilidade de controle é agora praticamente impossível, como reconheceu Illa: “Há uma casuística infinita, e precisamos apelar para a responsabilidade individual. Toda prudência é pouca quando se trata de decisões complexas, sem precedentes, que exigem mais do que nunca a disciplina social.”

Critérios para avançar

O Ministério da Saúde espanhol publicou nesta sexta-feira os critérios utilizados para decidir a mudança de fase. O documento informa o que é medido, mas não os valores que são pedidos.

Transmissão. O Ministério levará em conta aspectos como a taxa de transmissão no tempo, os novos casos confirmados pelo exame PCR nos últimos sete dias, o número de casos suspeitos ou possíveis, quantos destes são testados e quantos dão positivo.

Gravidade. As autoridades sanitárias vão considerar o número de hospitalizados e mortos durante os últimos sete dias, as internações na UTI nesse período e a porcentagem de ocupação de leitos gerais e de cuidados intensivos por pacientes com Covid-19.

Capacidade de detecção e resposta. O Ministério avaliará os leitos para pacientes agudos e de UTI disponíveis em função da população. Também observará a capacidade de realizar testes PCR para todos os casos de atenção primária. O documento inclui quatro opções: que os exames já possam ser feitos; que haja um plano que permita iniciá-los nesta segunda-feira; que exista um projeto para iniciá-los mais tarde; ou que não haja plano nem data. Também exige a existência de um plano e de recursos para a identificação e o acompanhamento dos contatos.

Monitoramento. O Ministério também avaliará o plano de monitoramento dos casos, com quatro opões: que ele exista e possa começar de forma imediata; que esteja pronto em 11 de maio; que esteja disponível depois; ou que não haja nada previsto.

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