Incêndios isolam cerca 4.000 pessoas em uma praia do sudeste da Austrália

Chamas deixaram na terça-feira pelo menos duas pessoas mortas e cinco desaparecidas

Os bombeiros tentam extinguir um incêndio em Nowra (Austrália) nesta terça-feira.
Os bombeiros tentam extinguir um incêndio em Nowra (Austrália) nesta terça-feira.SAEED KHAN / AFP
Manu Granda|Agencias
Melbourne, Sidney - 31 dic 2019 - 15:32 UTC

O último dia do ano deixou dois novos mortos (pai e filho) e cinco desaparecidos na Austrália pela onda de incêndios que o país enfrenta. Esta temporada de fogo, que começou antes do que se esperava com incêndios especialmente violentos desde novembro, já arrasou cinco milhões de hectares, de acordo com cálculos do The Guardian. O fogo que assola o país também prendeu nesta terça-feira 4.000 pessoas nas praias de Mallacoota, um pequeno município turístico no sudeste da ilha, segundo a France Presse e a EFE. A situação do fogo, que queima sem controle e causou uma das piores crises na Austrália por essa causa em décadas, se agravou nesta terça.

O chefe do serviço de bombeiros rurais de Nova Gales do Sul (Estado do sudeste do país, cuja capital é Sidney), Shane Fitzsimmons, afirmou na terça-feira que é a pior temporada de incêndios registrada pelo Estado, em que existem 120 incêndios, 68 fora de controle. Há 3.000 bombeiros lutando contra as chamas na região. “Hoje é um dia horrível para Nova Gales do Sul em relação aos incêndios. Após a trágica morte ontem à noite de um bombeiro voluntário, foi confirmado que há dois mortos em Cobargo e uma terceira pessoa está desaparecida”, disse em uma entrevista coletiva a chefa do Governo do Estado, Gladys Berejiklian.

Antes, o chefe do Governo de Vitória, Daniel Andrews, já havia confirmado que se temia pela situação de quatro pessoas que não foram localizadas nas regiões em que vários focos queimam no Estado do sudeste do país, que também provocaram “perdas bem significativas de propriedades, gado, cercas e galpões”. Além disso, dezenas de propriedades foram destruídas desde segunda-feira.

As autoridades temem especialmente pela vida de um dos desaparecidos, que sumiu quando tentava proteger sua casa das chamas. “As condições não estão melhorando no momento. Ainda viveremos horas de condições perigosas, especialmente na costa sul e em algumas partes do sudoeste de Nova Gales do Sul”, afirmou Gladys Berejiklian.

Em algumas regiões, os incêndios são tão intensos, a fumaça tão densa e os fogos provocados por raios tão violentos que foi preciso interromper o reconhecimento aéreo e a intervenção de bombardeios de água, de acordo com os bombeiros encarregados das áreas rurais de Nova Gales do Sul. Os danos ocorreram principalmente pelos fogos no município de East Gippsland, localizado no extremo sudeste de Vitória e fronteira com o Estado de Nova Gales do Sul, e ao qual pertence o balneário de Mallacoota. Justamente, o chefe do Governo de Vitória informou que estuda a possibilidade de evacuar por mar algumas comunidades afetadas pelos incêndios, como a de Mallacoota. “Fizemos alguns pedidos [ao Exército australiano] para que nos apoiem nas avaliações dos danos às propriedades e para chegar a algumas comunidades isoladas por via marítima”, disse Daniel Andrews em entrevista coletiva.

Os especialistas dizem que as temporadas de incêndios na Austrália serão cada vez mais longas e violentas pela mudança climática. Em dezembro, nos dias 17 e 18, o país registrou as temperaturas mais altas da história com médias máximas de 40,9 e 41,9 graus centígrados, respectivamente.

A delicada situação fez com que a capital do país, Canberra, suspendesse os shows pirotécnicos previstos para o final de ano. “Foram cancelados pelas condições climáticas extremas e altamente imprevisíveis, sem precedentes. Hoje, a deterioração da situação, com fortes rajadas de vento, calor, poeira, fumaça e uma provável tempestade elétrica, nos obrigou a tomar essa decisão”, disse em sua conta do Twitter na terça-feira Andrew Barr, primeiro-ministro do território da capital australiana.

A ministra de Defesa do país, Linda Reynolds, anunciou na terça-feira que mais militares serão mobilizados para ajudar a apagar os fogos no Estado de Vitória, em que desde segunda um incêndio arrasou mais de 200.000 hectares. Entre as unidades mobilizadas estão dois barcos, três helicópteros e um avião. “Temos sérias preocupações sobre o bem-estar de várias pessoas em Vitória e apoiaremos as comunidades locais de qualquer maneira que pudermos”, disse Scott Morrison, primeiro-ministro australiano, que pediu às pessoas que se mantenham a salvo das chamas.

Com a morte das duas pessoas em Cobargo já são 11 o número de mortos em Nova Gales do Sul, e 12 em todo o país desde julho. Os incêndios começaram antes do início do verão austral, que começa em dezembro e em que se espera uma escassez de chuva até 21 de março. Os serviços meteorológicos esperam que o tempo melhore nos próximos dias, mas a previsão é que as condições climáticas voltem a piorar a partir de sábado, de acordo com o The Sidney Morning Herald.

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