Futebol

Governo argentino, sobre a suspensão da partida com o Brasil: “Mais encenação do que medida sanitária”

Suspensão abrupta do Brasil e Argentina por fiscais sanitários brasileiros desencadeia cascata de reações

Jogadores da Argentina falam com autoridades de saúde brasileiras.
Jogadores da Argentina falam com autoridades de saúde brasileiras.Sebastiao Moreira / EFE

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A inesperada e grotesca suspensão da partida entre Brasil e Argentina, o grande clássico sul-americano, provocou neste domingo reações imediatas e certo cruzamento de acusações. Inspetores da da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) do Brasil irromperam em campo logo após o início da partida disputada pelas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2022, do Catar, acusando quatro dos argentinos de violar as normas sanitárias e mentir ao entrar no Brasil.

A FIFA se limitou a confirmar a suspensão da partida por decisão do árbitro, sem dar mais detalhes. Garantiu que os oferecerá mais tarde.

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) divulgou nota oficial sobre a paralisação do clássico, destacando sua surpresa com o comportamento dos agentes sanitários. “A CBF defende a implementação dos mais rigorosos protocolos sanitários e os cumpre na sua integralidade. Porém ressalta que ficou absolutamente surpresa com o momento em que a ação da Agência Nacional da Vigilância Sanitária ocorreu, com a partida já tendo sido iniciada, visto que a Anvisa poderia ter exercido sua atividade de forma muito mais adequada nos vários momentos e dias anteriores ao jogo.”

Álex Campos, diretor da Anvisa, ressaltou que este não era o resultado esperado. “O jogo não deveria ser cancelado. Mas eles cometeram uma ofensa após a outra. Pedimos a eles que não saíssem do hotel, que ficassem em quarentena e, finalmente, foram levados para o campo. Ou temos regras no Brasil [para todos] ou não temos“, disse ao jornal Folha de S.Paulo.

O Governo da Argentina respondeu rapidamente por meio do diretor de migrações: “Se o Brasil considerasse o país de origem dos jogadores argentinos como uma zona de risco, além do protocolo estabelecido pela FIFA, poderia ter agido no momento da entrada em seu território. Esperar três dias e entrar em campo suspendendo uma partida parece mais uma encenação do que uma medida sanitária “, tuitou Florencia Carignano, diretora nacional de Migrações da Argentina.

Claudio Tapia, presidente da Associação Argentina de Futebol (AFA), expressou seu desconforto e negou que os jogadores de seu país tenham mentido. Ele afirma que os integrantes de sua seleção cumpriram o protocolo aprovado pelas autoridades sanitárias de cada um dos países participantes das eliminatórias. E acrescentou: “O que aconteceu hoje é lamentável para o futebol, é uma imagem muito má. Quatro pessoas entraram para interromper a partida para fazer uma notificação e a Conmebol pediu aos jogadores que fossem ao vestiário“, tuitou.

A Conmebol anunciou sucintamente que o jogo está suspenso por decisão do árbitro e que este apresentará um relatório à comissão disciplinar da FIFA. Além disso, destacou a responsabilidade da Federação Internacional de Futebol: “As Eliminatórias da Copa do Mundo são uma competição da FIFA. Todas as decisões que dizem respeito à sua organização e desenvolvimento são da competência exclusiva daquela instituição“.

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