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Tesla entra para o exclusivo ‘clube’ do 1 trilhão de dólares e já vale o mesmo que seus 12 maiores concorrentes juntos

Empresa dispara na Bolsa de Valores depois de divulgado que a Hertz planeja adquirir 100.000 veículos da marca para eletrificar sua frota

Elon Musk durante uma entrevista em março.
Elon Musk durante uma entrevista em março.AFP

Fazer parte de um clube cujos únicos membros são a petrolífera saudita Aramco e as empresas de tecnologia Microsoft, Apple, Amazon e Google significa muito no competitivo mundo dos negócios. E fazer isso dedicando-se à venda de carros só uma única empresa conseguiu até agora: a Tesla. A companhia ultrapassou o valor de um trilhão de dólares (cerca de 5,6 trilhões de reais) na Bolsa de Valores nesta segunda-feira, uma barreira simbólica que para alguns significa um novo passo no caminho do sucesso dessa montadora de veículos elétricos e, para outros, que os mercados definitivamente perderam a cabeça.

Mais do que a cifra, para se ter uma ideia da magnitude do valor a que a Tesla chegou, basta ver onde estão seus perseguidores mais próximos. A japonesa Toyota vale 242 bilhões de dólares, ou seja, quatro vezes menos. A alemã Volkswagen está em torno de 150 bilhões de dólares. Somente se essas duas forem somadas aos próximos 10 participantes do setor, incluindo nomes chamativos como Daimler, General Motors, BMW, Ford e Ferrari, elas alcançam a Tesla.

O salto não se fundamenta nos dados atuais. Nos primeiros seis meses do ano, a Tesla vendeu quase 400.000 carros em todo o mundo, enquanto a Toyota ultrapassou os cinco milhões nesse período. Sua melhora responde acima de tudo a uma questão de expectativas: os investidores acreditam que, em um mundo ansioso por deixar para trás a era poluidora dos combustíveis fósseis, a frota elétrica da Tesla e sua rede de carregadores é de longe a mais bem posicionada para assumir o controle do lucrativo bolo do transporte privado. No terceiro trimestre a melhora é patente. A previsão era de entregar 220.000 carros, mas a Tesla distribuiu 241.300, como se a crise dos semicondutores que asfixia algumas marcas não fosse com ela.

O fator que inflou seu preço acima de limites impensáveis foi a notícia de que a locadora de veículos Hertz planeja adquirir 100.000 carros Tesla para eletrificar sua frota. A reação, como às vezes acontece na volátil história da empresa no mercado de ações, excedeu em muito qualquer conexão com a economia real: seu valor cresceu em mais de 100 bilhões de dólares por um possível contrato de 4,2 bilhões. Seu fundador, o excêntrico Elon Musk, amplia assim sua vantagem sobre Jeff Bezos (Amazon) como o homem mais rico do planeta. Musk comemorou o marco no Twitter, seu lugar favorito para se comunicar com seus mais de 61 milhões de seguidores: “Wild $T1mes!” (Tempos selvagens), exclamou, fazendo um jogo de palavras com o número 1 e o T de trilhão.

A ascensão da Tesla é acompanhada por outras notícias de peso. No mesmo dia em que ultrapassou o trilhão de dólares, rebaixou o Facebook --dono do WhatsApp e do Instagram-- no ranking das empresas mais valorizadas. Foi a segunda que precisou de menos tempo para chegar a esse valor, 18 anos, ante 21 anos do Google, 24 da Amazon, 42 da Apple e 44 da Microsoft. Mais rápido só o Facebook, que demorou 17 anos, embora agora esteja abaixo. E em setembro, pela primeira vez, um de seus automóveis, o Tesla Model 3, se tornou o modelo mais vendido na Europa, com 24.591 unidades, à frente do Renault Clio (18.264), do Dacia Sandero (17.988) e do Volkswagen Golf (17.507). O feito é ainda mais relevante se comparados os preços: na Espanha está disponível a partir de 47.970 euros (310.000 reais), valor muito superior ao de seus concorrentes.

Nesta terça-feira, as ações da Tesla alcançaram a máxima de 1.094 dólares (6.126 reais), em comparação com os 40 dólares (224 reais) que valiam há cinco anos. Isso significa que quem investiu na época 40.000 dólares na empresa tem mais de um milhão de dólares hoje. Esses múltiplos, no caso de Elon Musk, dono de 22,4% da Tesla, assumem outras dimensões: sua fortuna ultrapassa 250 bilhões de dólares (1,4 trilhão de reais). A pandemia deu um bom susto à empresa, como a outras, mas desde que alcançou valores mínimos, em março de 2020, a recuperação tem sido meteórica: as ações se valorizaram mais de 1.100%.

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