Pandemia de coronavírus

FMI melhora em até 4,6% sua perspectiva de crescimento para a América Latina e o Caribe neste ano

Após duas revisões consecutivas para cima, recuperação do PIB regional é estimada em 3,3% em 2022. As duas maiores economias da região, México e Brasil, crescerão 5% e 3,7% neste ano, respectivamente

Homem caminha pela Favela da Maré, no Rio de Janeiro, em 13 de outubro de 2020.
Homem caminha pela Favela da Maré, no Rio de Janeiro, em 13 de outubro de 2020.FABIO MOTTA / EFE

Mais informações

As perspectivas para o mundo estão melhorando, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), e a América Latina não é exceção. A economia da região crescerá 4,6% neste ano, prevê o organismo, meio ponto percentual a mais que sua última estimativa, publicada em janeiro. Esta é a segunda atualização consecutiva para cima nas previsões do FMI para a região. Os avanços na vacinação, a adaptabilidade de uma parte da atividade ao teletrabalho e os enormes estímulos fiscais e monetários nas principais economias mundiais estão impulsionando uma recuperação mais rápida do que se previa antes. Em 2022, diz o organismo com sede em Washington, o repique na região será mais lento, de 3,3% ―dois décimos a mais que a previsão anterior. Em ambos os casos, a revisão para cima acompanha a previsão para o conjunto da economia mundial.

“Atualmente projetamos uma recuperação mais forte em 2021 e 2022 para a economia mundial em comparação com nosso prognóstico anterior, com um crescimento projetado de 6% em 2021 e 4,4% em 2022”, afirma o FMI em seu relatório. “No entanto”, ressalva, “as perspectivas apresentam enormes desafios relacionados com as divergências na velocidade de recuperação tanto entre os países como dentro deles, e o potencial de danos econômicos persistentes por causa da crise”.

As duas maiores economias da região, México e Brasil, crescerão 5% e 3,7% neste ano, respectivamente. Para 2022, o prognóstico é menos otimista, com uma projeção de 3% para o México e 2,6% para o Brasil. “Depois de uma forte queda em 2020, só se espera uma recuperação leve e a várias velocidades na América Latina e o Caribe em 2021”, afirmam os especialistas do Fundo. Graças à recuperação mundial da indústria no segundo semestre de 2020, o crescimento superou as expectativas em alguns grandes países exportadores da região, como Argentina, Brasil e Peru, elevando para 4,6% o prognóstico no conjunto do ano em curso.

“Entretanto, as perspectivas de mais longo prazo continuam dependendo da trajetória da pandemia”, adverte o organismo multilateral. “Com algumas exceções, como Chile, Costa Rica e México, a maioria dos países não conseguiu vacinas suficientes para cobrir suas populações. Além disso, as projeções de 2021 para as economias caribenhas dependentes do turismo foram revistas para baixo em 1,5 ponto percentual, indo a 2,4%.” O FMI calcula que o produto interno bruto da região caiu 7% em 2020.

“Apesar da incerteza sobre os caminhos que a pandemia tomará, uma saída para as crises sanitária e econômica está cada vez mais à vista”, afirma o novo relatório do FMI, divulgado nesta terça. O texto observa que as vacinas estão chegando aos diversos países, que pouco a pouco os contágios estão diminuindo, grandes setores da economia se adaptaram ao trabalho à distância e a produtividade e a atividade econômica estão melhorando. “O apoio fiscal adicional em algumas economias (especialmente nos Estados Unidos) ―além de uma resposta fiscal já sem precedentes no ano passado e uma política monetária continuamente acomodatícia― melhoram ainda mais as perspectivas econômicas”, acrescentam os economistas do Fundo.

A contração da atividade em 2020 “não teve precedentes na memória viva por sua velocidade e natureza sincronizada”, mas o FMI afirma que poderia ter sido muito pior. “Embora seja difícil dizer com precisão, as estimativas do pessoal técnico do FMI sugerem que a contração poderia ter sido três vezes maior se não tivesse sido pelo extraordinário apoio das políticas. Resta muito por fazer para enfrentar a pandemia e evitar a divergência na renda per capita entre as economias e o aumento persistente da desigualdade dentro dos países”, conclui o organismo.

Arquivado Em:

Mais informações

Pode te interessar

O mais visto em ...

Top 50