Pandemia de coronavírus

Hospital Albert Einstein afirma ter criado novo exame genético que detecta coronavírus em larga escala

Hospital privado referência na América Latina diz ter criado teste mais barato e mais rápido para detectar o vírus, o que poderia abrir caminho para a testagem em massa no Brasil

João Renato Pinho, coordenador do laboratório do Hospital Albert Einstein, com o equipamento de sequenciamento genético. DIVULGAÇÃO
João Renato Pinho, coordenador do laboratório do Hospital Albert Einstein, com o equipamento de sequenciamento genético. DIVULGAÇÃO

O Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, afirma ter criado o primeiro exame genético do mundo para detecção em larga escala do novo coronavírus. O método, baseado no chamado Sequenciamento de Nova Geração (NGS, na sigla em inglês), é capaz de ler grandes fragmentos do DNA ou RNA em pouco tempo, técnica já utilizada para detectar diversas outras doenças. No caso do coronavírus, os pesquisadores afirmam que, dessa forma, seria possível agilizar o resultado dos exames, processando até 1.536 testes a cada 72 horas. E que a expectativa é de chegar a 24.000 testes por semana, somente no âmbito do hospital. Mas a ideia é ampliar a capacidade de exames, vendendo a tecnologia para Estados e o Governo Federal, o que poderia abrir caminho para a testagem em massa no Brasil.

A precisão do teste, garantem os pesquisadores, é de 100%, equivalente à apresentada pelo método já utilizado no Brasil e em diversos lugares do mundo, chamado RT-PCR, que analisa amostras coletadas do nariz e garganta e detecta o RNA do vírus. A vantagem, no entanto, seria a velocidade e o valor final. A previsão é que custe metade do preço cobrado hoje, que, no Einstein é de 250 reais por exame. Em comparação com os chamados testes rápidos, a vantagem é a precisão, já que os exames rápidos usados em testagem em massa hoje só conseguem observar o vírus presente no organismo cerca de 14 dias após a contaminação, o que aumenta as chances de um resultado falsamente negativo.

Assim, o exame desenvolvido pelo Hospital Albert Einstein funciona, em muitas etapas, da mesma forma que o PCR: o material é coletado também do nariz e da garganta do paciente que já apresenta sintomas da doença. A vantagem está no processamento dos resultados que, por causa da nova tecnologia, é mais rápido. Além disso, ela é capaz de detectar o vírus no corpo mesmo de pacientes assintomáticos. Esse novo teste estará disponível para a rotina de diagnóstico do Einstein a partir do início de junho.

Para explicar como a nova técnica não apresenta resultados falsamente negativos, o patologista João Renato Rebello Pinho, coordenador do Laboratório de Técnicas Especiais do Einstein, conta que, por meio da inteligência artificial, foi criada uma espécie de banco das diversas mutações do vírus. “Por meio de um banco de dados, reunimos dados de cepas que estão circulando em todo o país e até algumas de fora”, afirma. As cepas são uma espécie de mutação do vírus, e, segundo uma pesquisa realizada na China e publicada no final de abril, o vírus que causa a covid-19 já produziu mais de 30 cepas diferentes. De acordo com Pinho, esse banco de dados garante a confiabilidade do exame.

A realização e o processamento de exames é um dos grandes gargalos no controle da pandemia no Brasil. Em São Paulo, epicentro da doença, e que já chegou a ter uma demanda reprimida de 30.000 testes à espera de análise, foi criada a Plataforma de Laboratórios para Diagnóstico do Coronavírus, com 50 laboratórios para dar conta da demanda. Segundo o Instituto Butantan, todos os laboratórios juntos têm capacidade para processar até 5.000 amostras diárias pelo método chamado PCR.

Sidney Klajner, presidente do Hospital Albert Einstein, afirma que a testagem em massa é crucial para o desenvolvimento de políticas de enfrentamento ao vírus. “Quanto mais diagnósticos, melhor para prever a capacidade do sistema de saúde e até do relaxamento do isolamento social”, diz. “Somente assim conseguimos traçar o perfil epidemiológico e detectar a chamada imunidade de rebanho”. O termo usado na ciência consiste no efeito de proteção que surge quando grande parte da população está imunizada contra uma doença, seja por meio de uma vacina ou por ter contraído o vírus e já ter desenvolvido anticorpos.

O matemático Setefano de Leo, professor e pesquisador da Unicamp, alerta que o Brasil é um dos países que menos fizeram testes para detectar a covid-19 até agora. E que a testagem em massa é a forma mais eficaz de controlar a pandemia. Em uma comparação com outros 22 países da Europa e América, estamos em último lugar na quantidade de exames realizados: “O importante é fazer testes”, afirma.

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