Governo Bolsonaro

Médicos retiram sonda de Bolsonaro, que dá entrevista da cama de hospital em São Paulo

Boletim divulgado na noite desta quinta afirma que mandatário mantém “evolução satisfatória” do quadro de obstrução intestinal e não tem previsão de alta. Na TV, médico descarta cirurgia

O presidente Jair Bolsonaro e o médico Antônio Macedo participam do programa 'Alerta Geral', da TV A Crítica e da RedeTV!.
O presidente Jair Bolsonaro e o médico Antônio Macedo participam do programa 'Alerta Geral', da TV A Crítica e da RedeTV!.Reprodução

Um novo boletim médico, divulgado na noite desta quinta-feira, afirma que o presidente Jair Bolsonaro está sem a sonda gástrica e mantém uma “evolução clínica satisfatória” do quadro de obstrução intestinal que levou à sua internação no hospital Vila Nova Star, em São Paulo, na véspera. Ainda não há, no entanto, previsão de alta hospitalar. O presidente deve começar a receber alimentação nesta sexta.

Conforme o médico Antônio Macedo declarou mais cedo em uma entrevista na TV, não há necessidade de uma cirurgia, possibilidade que vinha sendo estudada antes da transferência do presidente para a capital paulista. Na manhã de quarta-feira, Bolsonaro deu entrada no Hospital das Forças Armadas, em Brasília, para investigar a origem de um soluço que o acompanha há mais de 10 dias. Após a detecção da obstrução, os médicos decidiram encaminhá-lo para São Paulo para novos exames. À noite, divulgaram que optaram por um “tratamento clínico conservador”, descartando a necessidade de uma cirurgia de emergência.

“A cirurgia, em princípio, está afastada, uma vez que o intestino começou a funcionar e está mais mais flácido e mais funcionante”, declarou Macedo nesta tarde tarde, em entrevista ao programa Alerta Nacional, exibido na RedeTV!. Ele falou ao lado de Bolsonaro, que apareceu ao vivo, da cama do hospital, para conversar com o apresentador Sikêra Jr., apoiador declarado do presidente.

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Tanto Bolsonaro quanto Macedo fizeram referência à facada que o presidente levou em 2018 durante a campanha eleitoral para explicar o problema de saúde que levou à internação atual. “O presidente hoje melhorou. Aquela área obstruída do lado esquerdo, fruto de aderências decorrentes de toda essa complicação que ele teve [desde 2018], já está mais permeável”, explicou o cirurgião. O mandatário vem tentando politizar sua questão de saúde, lembrando nas redes sociais que o autor do atentado, Adélio Bispo, foi filiado ao PSOL —embora ele não fosse mais do partido na época do ataque e a investigação tenha descartado qualquer ação orquestrada no crime; o agressor foi diagnosticado com transtorno delirante persistente.

Mais cedo, antes da declaração de Macedo, o deputado Eduardo Bolsonaro afirmou em vídeo nas redes sociais que ainda haveria possibilidade do presidente passar por uma cirurgia no intestino. “O que entendi, como leigo, é que existe uma dobra no intestino, que faz com que os alimentos não consigam mais passar por ali. Isso acabou entupindo”, disse. Ele afirmou ainda que o entupimento causou acúmulo de líquido no estômago, o que gerou dores abdominais ao presidente. “Foi retirado um litro de líquido do estômago”, comentou. “Há uma possibilidade de cirurgia, mas também há uma esperança de que esta dobra se desfaça naturalmente. Então os médicos estão a todo momento fazendo esta avaliação.”

Presidente Jair Bolsonaro no Hospital das Forças Armadas em Brasília.
Presidente Jair Bolsonaro no Hospital das Forças Armadas em Brasília. INSTAGRAM @jairmessiasbolsonaro / Reuters

De acordo com Eduardo, Bolsonaro está acompanhado do filho Carlos, vereador no Rio de Janeiro pelo Republicanos, e da mulher, Michelle Bolsonaro, no hospital.

A internação do presidente em Brasília, na quarta, cancelou a reunião que estava marcada para esta quarta com o presidente do Supremo Tribunal Federal, Luiz Fux, e os presidentes da Câmara e do Senado, Arthur Lira (PP-AL) e Rodrigo Pacheco (DEM-MG), respectivamente. O presidente brasileiro estimulou uma crise política entre os três poderes com declarações antidemocráticas contra as eleições. Bolsonaro tem repetido, sem provas, que o sistema eleitoral adotado no Brasil é vulnerável a fraudes.

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