Na reta final em Porto Alegre, Sebastião Melo tem 48% contra 43,1% de Manuela D’Ávila

O candidato do MDB lidera entre os homens, eleitores com maior idade e com ensino fundamental ou médio. A política do PCdoB tem a preferência das mulheres e dos mais jovens

O candidato do MDB, Sebastião Melo, durante a campanha em Porto Alegre
O candidato do MDB, Sebastião Melo, durante a campanha em Porto AlegreDivulgação (Divulgação)

Faltando apenas dois dias para o segundo turno das eleições municipais pelo país, pesquisa feita pela consultoria Atlas Político mostra que Sebastião Melo (MDB) tem 48% das intenções de voto na capital gaúcha contra 43,1% de Manuela D’Ávila (PCdo B). Os votos brancos e nulos são 7,3%, enquanto outros 1,5% não souberam responder.

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Se forem levados em conta apenas os votos válidos, sem os brancos e nulos, o levantamento mostra Melo com 52,7% das intenções de voto, contra 47,3% de Manuela - uma vantagem de 5,4 pontos percentuais. A pesquisa ouviu 750 pessoas entre os dias 20 e 25 de novembro. A margem de erro é de 4 pontos percentuais para mais ou para menos e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o código RS 02190/2020. O levantamento foi feito feitas por questionários aleatórios via Internet e calibrado por meio de um algoritmo, de acordo com as características do eleitorado de Porto Alegre.

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Analisando os extratos da pesquisa, Melo tem vantagem entre os homens (57% a 32%) e também lidera entre os eleitores acima da faixa dos 44 anos de idade. Também tem a preferência de católicos e evangélicos, além dos eleitores com ensino fundamental ou médio.

Já a candidata do PCdoB surge como uma espécie de espelho invertido do perfil do eleitor do adversário. Ela aparece na liderança entre as mulheres, onde atinge 52% contra 39%. Também lidera entre os eleitores mais novos ―nas faixas até o patamar de 44 anos―, e entre os agnósticos, os ateus e os eleitores com ensino superior.

Manuela D'Àvila, do PCdoB, acena para eleitores durante comício
Manuela D'Àvila, do PCdoB, acena para eleitores durante comícioINSTAGRAM

Armas da batalha

No primeiro turno, chamou a atenção na eleição de Porto Alegre a abstenção, a maior entre as capitais brasileiras. Melo obteve 200 mil votos, Manuela 187 mil e o não comparecimento alcançou 358.000 eleitores. É um fator que pode favorecer Sebastião Melo, nome respeitado do MDB gaúcho. Atualmente deputado estadual, foi vereador por 12 anos e vice-prefeito. Popular na cidade graças à sua trajetória vinculada a movimentos comunitários, foi empurrado pela conjuntura de 2020 para uma aliança com a direita e a um flerte com o bolsonarismo.

O próprio Melo se considera um político centrista. “Sou um democrata. Aos 18, 19 anos me alistei nas fileiras do combate à ditadura como um jovem aguerrido, lutei pela Constituinte e acredito na democracia. Acho esse debate sobre espectro ideológico uma discussão reduzida das bolhas, mas eu posso dizer que estou mais no centro”, assegura. No entanto, não apenas seu vice é ligado ao movimento MBL como a aliança feita na atual eleição inclui também o PRTB do vice-presidente, o general Hamilton Mourão, a quem o candidato se referiu como “um grande brasileiro”.

Apesar disso, ele não escancara o apoio do presidente. Pelo contrário. “Não sei se o Bolsonaro me apoia, mas acho que torce por mim”, acredita. Além disso, se recusou a encontrar com Eduardo Bolsonaro, que veio a Porto Alegre participar de um evento armamentista.

Frente a esse cenário, a candidata do PCdoB enfrenta o desafio de reverter não apenas a diferença nos votos mas também a força do antipetismo na capital gaúcha, na tentativa de se tornar a primeira mulher a ocupar o Executivo da cidade. Para isso, ela conseguiu o apoio não só de artistas como Caetano Veloso e Chico Buarque, mas também de políticos de peso como os presidenciáveis Ciro Gomes (PDT), Marina Silva (Rede) e Fernando Haddad (PT). Em Porto Alegre, pela primeira vez em 10 eleições à prefeitura desde a redemocratização, o PT abriu mão da cabeça de chapa.

Já no segundo turno, trouxe para si as vozes das duas mulheres da esquerda que disputaram o primeiro turno: Fernanda Melchionna (PSOL) e Juliana Brizola (PDT). A síntese dessa aliança ficou expressa nas palavras do ex-prefeito e ex-governador Alceu Collares (PDT), que aos 93 anos gravou um vídeo em apoio à comunista: “Me perguntam se a Manuela é radical, e eu respondo: ela é radical sim, como eu sou radical... na luta contra as injustiças sociais e no compromisso com o nosso povo”. Domingo dirá qual das propostas atraiu mais a população de Porto Alegre.


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