Pandemia de coronavírus

Brasil se afasta de ‘platô' e volta a registrar um “aumento significativo” de novos casos de covid-19

Ministério da Saúde, que na última semana comemorava estabilização de casos, alerta para a interiorização da doença. Com exceção do Norte, todas as regiões apresentaram crescimento

Fila para entrar em um shopping na cidade de São Paulo, após o relaxamaento da quarentena na capital no último dia 11.
Fila para entrar em um shopping na cidade de São Paulo, após o relaxamaento da quarentena na capital no último dia 11.Toni Pires

A curva de novos casos e óbitos em decorrência do novo coronavírus no Brasil voltou a subir, depois de se aproximar de uma estabilização. Com exceção da região Norte, o país todo registrou aumento no número de infectados na última semana, marcada pelo relaxamento da quarentena em diversos Estados e municípios. De acordo com o Ministério da Saúde, que falou em “aumento significativo de novos casos”, houve um acréscimo de 22% nos contágios entre o dia 14 e 20 de junho. Na semana anterior, o aumento havia sido de 2%. O número de óbitos notificados também desenhou no gráfico uma curva mais ascendente, crescendo 7% agora, diante de uma queda de 4% no período anterior. Nesta quarta-feira, o país chegou a marca dos 1.188.631 infectados e 53.830 óbitos.

São Paulo, o epicentro da pandemia e um dos Estados que flexibilizou a quarentena nas últimas semanas, amargou um novo recorde nesta quarta: registrou mais de 9.000 casos nas últimas 24 horas, o maior número até agora. Antes disso, um pico havia sido observado no dia 19, mas por um problema de acúmulo de casos depois que o sistema de notificação permaneceu fora do ar. Apesar da alta nos números, o Governo segue o plano de relaxamento do isolamento social, da mesma forma que o Rio de Janeiro e o Ceará, e já planeja reabrir as escolas em setembro.

Na semana passada, quando o Ministério da Saúde comemorava a aproximação de um “platô” estatístico —quando o aumento de casos começa a se mover horizontalmente e não mais para cima— especialistas já alertavam que a reabertura precoce do comércio em várias cidades trazia um risco para uma nova subida de casos. O exemplo mais recente de um relaxamento precipitado foi Curitiba, que apresentava em maio estatísticas mais confortáveis da covid-19, mas acabou voltando atrás na reabertura do comércio depois que os casos cresceram novamente. Outras cidades, inclusive no interior de São Paulo, também viveram esse movimento de abre e fecha das portas dos estabelecimentos depois que os números colocaram em xeque o retorno comercial. O mesmo ocorreu em países como Portugal e Alemanha, que deram um passo atrás recentemente, voltando a impor restrições.

No entanto, o Ministério da Saúde não atribuiu a ascendência da curva da covid-19 à reabertura econômica em coletiva de imprensa nesta quarta, acompanhando a linha de Jair Bolsonaro (sem partido), que sempre foi contrário às medidas de isolamento social. O “aumento significativo de novos casos”, como classificou Arnaldo Correia, secretário de Vigilância em Saúde, pode ter tido como uma das causas a mudança de estação, como complementou Eduardo Macário, diretor do Departamento de Análise em Saúde e Vigilância de Doenças Não Transmissíveis. “O inverno coincidiu com o aumento de casos”, afirmou.

Os técnicos chamaram atenção, no entanto, para a interiorização da pandemia. Se antes a doença acertou em cheio as capitais, como São Paulo, Manaus, Belém, Fortaleza, Rio de Janeiro e Recife, agora ela penetra pelo interior, e em ritmo acelerado. Tanto os casos confirmados quanto os óbitos diminuíram nas capitais e aumentaram no interior na última semana.

Diante dos casos crescentes e da interiorização da doença, o Ministério da Saúde afirmou que pretende testar 22% da população e ampliou os critérios de diagnóstico. Além da testagem, que a partir de agora será feita, segundo a pasta, em casos leves além dos graves e óbitos, o médico poderá diagnosticar um doente sem que o teste seja feito, levando em conta histórico do paciente e exames de imagem, por exemplo. De acordo com a pasta, os novos critérios devem ampliar o diagnóstico.

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