Final da Copa do Brasil

Campeão da Copa do Brasil, o Athletico Paranaense consolida sua ascensão entre os grandes clubes do país

Clube de Curitiba uniu uma gestão de futebol moderna à aposta em jovens jogadores para levantar sua segunda conquista expressiva em um ano

Jogadores do Athletico levantam a taça de campeão no Beira-Rio.
Jogadores do Athletico levantam a taça de campeão no Beira-Rio.SILVIO ÁVILA (EFE)

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Quando o senso comum fala em 12 grandes clubes do futebol brasileiro, os critérios de seleção são baseados em tamanho de torcidas, títulos, craques do passado e tradição regional. Por isso, a lista traz os representantes dos campeonatos estaduais mais populares do país: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Em tempos onde a disputa nacional se tornou mais importante que a estadual, novos concorrentes aparecem. Ontem, quando o atacante Rony concluiu a jogada espetacular de Marcelo Cirino e definiu a conquista do título da Copa do Brasil para o Athletico Paranaense contra o Internacional, em Porto Alegre, aos 51 minutos do segundo tempo, o momento não ficou marcado como um azarão do Paraná vencendo um dos grandes favoritos na final, mas como a consolidação de um novo clube entre as maiores forças do Brasil.

O gol de Rony foi o último da vitória do Athletico por 2 a 1 no estádio Beira-Rio, pelo segundo jogo da decisão do torneio. No primeiro, jogado em Curitiba, os paranaenses aproveitaram o ambiente favorável para encurralar o Inter e sair com a vitória por 1 a 0, gol marcado pelo jovem talento Bruno Guimarães. Com a vantagem, a equipe seria campeã empatando em Porto Alegre, mas o treinador Tiago Nunes já dava dicas de como seria sua estratégia antes do apito inicial: "Nós viemos para fazer gols fora de casa", disse já na beira do gramado.

A inflamada torcida colorada animou o Inter, que tentou o sufoco desde o primeiro minuto. Prevaleceu, no entanto, a organização athleticana, representada pela ótima partida de Robson Bambu, zagueiro de 21 anos que anulou o renomado centroavante Guerrero. No primeiro contra-ataque dos visitantes, Rony puxou pelo meio, Marco Ruben recebeu pela esquerda e serviu Léo Cittadini dentro da área: Athletico 1 a 0. Precisando virar para levar aos pênaltis, o Internacional empatou logo na sequência, com Nico López marcando após escanteio e bate-rebate dentro da área. Sempre que os gaúchos ameaçaram, foi através de cruzamentos ou bolas paradas; nunca trocando passes ou pelo chão, onde o campeão foi superior. Quando o treinador colorado Odair Hellmann substituiu o meia Patrick no intervalo e deslocou o volante Edenílson para a lateral-direita, os donos da casa sucumbiram de vez. Coube ao Athletico controlar o jogo até os acréscimos da etapa final, quando Rony decretou a vitória após Marcelo Cirino entortar Edenílson e Rodrigo Lindoso pela ponta-esquerda.

O troféu premia o projeto de futebol do Athletico Paranaense. Institucionalmente, o clube usa a equipe de aspirantes durante o campeonato estadual, nos primeiros meses de temporada, com o objetivo de ter seu elenco principal bem fisicamente nos momentos mais decisivos do ano, em estratégia que não é vista em nenhum dos outros times da elite nacional. A equipe sub-23 foi onde Santos, Khellven, Léo Pereira e Bruno Guimarães —todos titulares na final de ontem—, ganharam casca para servirem ao time principal. De lá também veio o treinador Tiago Nunes, gaúcho que chegou para treinar os aspirantes em 2017 e, hoje, já é um dos maiores técnicos da história do clube. Em pouco mais de um ano de trabalho com o grupo principal, que assumiu em junho de 2018, Nunes garimpou jovens desacreditados como Wellington, Robson Bambu e Cittadini, mesclou com a experiência argentina de Lucho Gonzalez e Marco Ruben, fez Guimarães e Rony explodirem e faturou três títulos: Copa Sul-Americana, campeonato paranaense e Copa do Brasil.

Rony e Bruno Guimarães, como estrelas do time, merecem um capítulo a parte. O segundo é um meia moderno, de 21 anos, que o Athletico trouxe do Audax de Osasco em 2017 e, após maturar no time de aspirantes, despontou ano passado como um dos principais jogadores do elenco. Teve sondagens nesta última janela e não deve demorar para seguir os passos do ex-companheiro Renan Lodi, vendido em junho para o Atlético de Madrid. Já o outro superou a fome no interior do Pará quando criança e, aos 24 anos, soma rodagens por Remo, Cruzeiro, Náutico e Albirex Niigata do Japão. O atacante jogou todos os jogos na Copa do Brasil e terminou como um dos artilheiros da equipe, com dois gols.

Em 2015, o ex-presidente do Athletico, Mario Celso Petraglia —hoje presidente do conselho deliberativo— prometeu um título mundial para o clube até o ano do seu centenário, em 2024. "Nós queremos continuar crescendo. Podem me cobrar", disse o cartola. Os curitibanos chegaram perto de disputar o torneio intercontinental em 2005, quando perderam a final da Libertadores para o São Paulo. Mas nem nesta época, marcada por uma conquista (2001) e um vice-campeonato (2004) do brasileiro, o clube parecia tão consolidado entre os maiores do futebol nacional. Desde 2013, o time ficou entre os oito melhores no Brasileirão por quatro vezes, em um período onde Vasco, Botafogo e Inter acumularam rebaixamentos. Ano passado, venceu a Sul-Americana tirando Peñarol e Fluminense no meio do caminho. Neste ano, o título da Copa do Brasil veio em uma campanha com vitórias sobre Flamengo, Grêmio e Inter. Se o Mundial ainda parece sonho, o passado recente mostra que a grandeza do Athletico Paranaense já é realidade.