Brexit

Irmão de Boris Johnson se demite por discordar dele sobre o Brexit

"Nas últimas semanas estive dividido entre a lealdade familiar e o interesse nacional", afirma Jo Johnson

Jo Johnson, nesta quinta-feira, a sua chegada à sede do Governo britânico em Downing Street, Londres.
Jo Johnson, nesta quinta-feira, a sua chegada à sede do Governo britânico em Downing Street, Londres.Alberto Pezzali

O irmão de Boris Johnson, Jo Johnson, anunciou nesta quinta-feira sua renuncia ao cargo de ministro das Universidades, que ocupa desde julho, e também informou que deixará de ser deputado na Câmara dos Comuns. "Nas últimas semanas estive dividido entre a lealdade familiar e o interesse nacional: é uma tensão insolúvel e é hora de outros assumirem meus papéis de ministro e deputado", escreveu em sua conta no Twitter. A notícia de sua demissão chega um dia depois que seu irmão sofreu um grande revés: o Parlamento interrompeu sua intenção de realizar um Brexit sem acordo e de antecipar as eleições gerais.

Jo Johnson, 47 anos, trabalhou como jornalista no The Financial Times. Ele também renunciou em novembro ao cargo de Secretário de Estado dos Transportes no Governo de Theresa May por sua insatisfação com a condução do Brexit. "A pior crise vivida desde a do canal de Suez", disse ele. Johnson é a favor de uma nova consulta sobre se o Reino Unido deve ou não permanecer na União Europeia. “Tínhamos todas as vantagens de pertencer à UE e nenhuma das desvantagens. Como poderíamos não gostar dessa situação?”, declarou certa vez. Ele votou a favor da permanência na União Europeia no referendo de 2016.

Jo Johnson aguça assim as divergências internas da família que já haviam transparecido com Rachel Johnson, que este ano se juntou ao partido Change UK para fazer campanha durante as últimas eleições europeias contra o Brexit. No entanto, o relacionamento entre os dois irmãos é bom. "Não concordamos com o Brexit, mas somos muito próximos como irmãos e nos preocupamos um com o outro", disse ele em recente entrevista ao EL PAÍS.

Um porta-voz de Downing Street declarou que o primeiro-ministro "quer agradecer a Jo Johnson por seus serviços". "Foi um ministro brilhante e talentoso e um deputado fantástico. "As primeiras reações às notícias também vieram das redes sociais. David Gauke, um dos 21 deputados expulsos do Partido Conservador por votar contra os planos do primeiro-ministro, afirmou que a renúncia do irmão mais novo de Boris Johnson é uma grande perda para o Parlamento, o Governo e o partido. "Muitos parlamentares tiveram que lutar com lealdades desencontradas nas últimas semanas. Ninguém mais que Jo", escreveu Gauke em sua conta no Twitter.

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