Barcos do Irã ficam parados no Brasil após Petrobras vetar venda de combustível

Os navios transportam milho. O presidente Bolsonaro lembra que seu Governo "está alinhado" com os EUA e que advertiu às empresas do risco que supõem as multas

O presidente Bolsonaro, na semana passada, em Brasília.
O presidente Bolsonaro, na semana passada, em Brasília.EVARISTO SA (AFP)

A disputa cada vez mais escancarada dos Estados Unidos com o Irã chegou às águas do Brasil. Dois navios iranianos estão há várias semanas ancorados em frente ao porto de Paranaguá (PR) por falta de combustível para regressar ao seu país. A Petrobras se recusa a lhes fornecer diesel, alegando temer as consequências das sanções norte-americanas ao Irã —apesar de as embarcações transportarem milho. Alimentos e remédios estão, em princípio, excluídos das sanções. Perguntado sobre o assunto, o presidente Jair Bolsonaro respondeu neste domingo que “vocês já sabem que estamos alinhados com a política deles (dos EUA). Então fazemos o que temos que fazer”.

Desde o início de seu mandato, em janeiro, Bolsonaro forjou uma aliança com Donald Trump que é a base da nova política externa do Brasil. Isso se reflete, entre outros assuntos, em um novo alinhamento com Washington nas votações da ONU e em uma oposição frontal à Venezuela chavista.

O Bavand, carregado com 48.000 toneladas de milho, deveria ter zarpado de Paranaguá em 8 de junho, e o Termeh espera desde 9 de junho para ser abastecido de combustível para viajar a outro porto, Imbituba (SC) para carregar também milho, segundo a revista Veja. O Irã é um dos principais importadores do milho brasileiro. Também compra soja e carne bovina. Em 2018, o Brasil exportou o equivalente a 8,4 bilhões de reais à República Islâmica, ao passo que as importações foram irrisórias, 142 milhões de reais, segundo dados do Ministério da Economia brasileiro.

O presidente já revelou na sexta-feira que seu Governo tinha advertido às empresas brasileiras sobre as sanções unilaterais impostas por Washington a Teerã e sobre o risco que elas corriam.

Na sua recusa a vender combustível aos navios, a Petrobras alegou esse risco de ser incluída pelos EUA numa lista negra de empresas que fazem negócios com o Irã, “o que acarretaria graves prejuízos”. E acrescentou que existem outras empresas capazes de lhes vender diesel. A imprensa brasileira informa que os tripulantes das duas embarcações recebem alimentos terra; nenhum deles desembarcou.