Donald Trump

“Mande-a embora, mande-a embora!”: a polêmica racista aparece no comício de Trump

Presidente ataca a deputada muçulmana Ilhan Omar e seus seguidores pedem a gritos sua expulsão dos Estados Unidos

O presidente Donald Trump em um comício em Greenville, Carolina do Norte.
O presidente Donald Trump em um comício em Greenville, Carolina do Norte.AP

Donald Trump agitou a polêmica racista contra quatro congressistas norte-americanas em seu primeiro comício desde que começou essa tempestade política e encontrou um público favorável à causa. Em um discurso de uma hora e meia em Greenville, Carolina do Norte, o republicano dedicou 20 minutos na quarta-feira a atacar as deputadas, criticando especialmente a muçulmana Ilhan Omar. Ele a acusou sem fundamentos de pedir piedade aos membros do Estado Islâmico e de se orgulhar da Al Qaeda. Milhares de pessoas no público começaram a gritar: “Mande-a embora, mande-a embora!”. Ele ficou em silêncio. A cena lembrou a campanha de 2016, quando seus seguidores diziam “Prenda-a, prenda-a!” sobre Hillary Clinton.

No fim de semana Trump publicou mensagens no Twitter nas quais exigia que quatro membros da Câmara de Representantes voltassem a “seus países”, quando todas são norte-americanas, três delas de nascimento: Ayanna Pressley, de Ohio; Alexandria Ocasio-Cortez, de origem porto-riquenha; Rashida Tlaib, de Detroit e Omar, que chegou da Somália quando criança.

Mais informações

Na cruzada do mandatário por associar o socialismo à destruição do sonho americano, usou a congressista Ocasio-Cortez de bode expiatório. Na quarta-feira a chamou somente de Cortez, porque “leva muito tempo” mencionar seu nome completo. O republicano disse que a deputada do Bronx achava que “os norte-americanos contemporâneos” eram “lixo”. “Ela acha que eu e você somos lixo”, disse apontando alguém do público. E a acusou de querer o bem-estar dos imigrantes ilegais acima do bem-estar dos norte-americanos. E repetiu a mensagem: “Se não gostam daqui, saiam”.

Nos comícios de Trump da campanha de 2016 era comum esse grito: “Prenda-a, prenda-a!”. Era dirigido à candidata Hillary Clinton pelos e-mails. Nessa quarta-feira pode ter estreado um novo lema às eleições de novembro de 2020. A congressista Omar acusou o republicano de promover a “agenda do nacionalismo branco” com toda essa polêmica. Ela e as outras três deputadas não pretendem concorrer à presidência nas próximas eleições, mas Trump começou a mencioná-las para alertar suas bases contra a esquerda mais progressista, chamando-as de socialistas e antiamericanas. “Elas não amam nosso país. Às vezes acho que o odeiam”, disse o presidente à multidão.

Na segunda-feira Trump se defendeu com unhas e dentes afirmando que “não se preocupava” que pensassem que as publicações eram racistas porque “muita gente concorda” com ele. E na quarta pôde verificar seu apoio. A Câmara de Representantes condenou na noite de terça o conteúdo de sua mensagem, mas é liderada pelos democratas. “Eles querem destruir o país”, Trump alertou seus seguidores nessa noite em Greenville.

Debido a las excepcionales circunstancias, EL PAÍS está ofreciendo gratuitamente todos sus contenidos digitales. La información relativa al coronavirus seguirá en abierto mientras persista la gravedad de la crisis.

Decenas de periodistas trabajan sin descanso para llevarte la cobertura más rigurosa y cumplir con su misión de servicio público. Si quieres apoyar nuestro periodismo puedes hacerlo aquí por 1 euro el primer mes (a partir de junio 10 euros). Suscríbete a los hechos.

Suscríbete
O mais visto em ...Top 50