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Trump apresenta plano migratório em plena escalada de tensão com os democratas

Projeto de lei insiste num sistema que priorize o mérito profissional em lugar do parentesco e restrinja as condições para o asilo

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Donald Trump, nesta terça-feira, durante reunião com seu gabinete na Casa Branca. AP

Donald Trump apresentou nesta terça-feira em sua reunião de Governo um novo projeto legislativo sobre imigração, preparado pela Casa Branca, que em linhas gerais mantém o espírito do que tem sido sua política nestes dois anos de mandato: controles mais duros na fronteira e um sistema que enfatiza os méritos profissionais do solicitante de visto em detrimento de outros parâmetros, como o parentesco. O presidente divulgou o plano num momento de alta tensão, quando acaba de anunciar ações policiais para deter 2.000 imigrantes sem documentos e protagonizou uma grave polêmica racista ao atacar congressistas democratas de minorias étnicas. O encarregado do anúncio foi seu genro e assessor, Jared Kusher.

O plano será a lição de casa dos políticos nas férias de verão. O habitual recesso de agosto está a ponto de começar no Congresso, e fontes do Executivo evitaram detalhar quando esperam que as medidas sejam formalmente apresentadas, embora já contem com o apoio de uma dezena de senadores republicanos como autores ou relatores. Estava previsto que o presidente se reunisse nesta tarde com o líder do partido na Câmara Alta, Mitch McConnell, para desenvolver a estratégia da sua aprovação.

Até as 14h (hora local de Washington), o texto do projeto não havia sido divulgado, mas, segundo fontes do Executivo citadas pela rádio pública NPR, ele mantém uma das obsessões da política trumpista: limitar a chegada de empregados de baixa qualificação, substituindo o critério dos laços familiares, uma medida de peso: dois terços dos 1,1 milhão de green cards (autorizações de trabalho) concedidos em 2017 nos EUA foram solicitados por famílias. O esboço também inclui o programa E-Verify, que permitiria às empresas acessar uma base de dados para comprovar o status migratório de seus candidatos a um emprego.

Não há referência, entretanto, à situação dos mais de 10 milhões de estrangeiros sem documentos que vivem nos EUA, mais da metade há uma década. Assim, não há sobre a mesa um plano para regularizar aos chamados dreamers (sonhadores), migrantes que foram trazidos de forma irregular ainda quando crianças e cresceram, estudaram e trabalharam como qualquer norte-americano, às vezes, sem ter qualquer lembrança do seu país de origem. Os democratas reivindicam a preservação das proteções a esse coletivo, que o republicano tentou cancelar, mas foi freado por um tribunal.

Os republicanos mantêm o controle do Senado, mas os democratas assumiram a maioria da Câmara de Representantes (deputados) nas eleições legislativas de novembro, e Trump terá que convencer parte da oposição a levar adiante qualquer projeto de lei migratória, num momento de especial crispação.

O presidente redobrou seu discurso de pulso firme nos últimos meses, em plena onda de chegada de famílias centro-americanas que fogem da miséria e da violência de seus países. Obrigou o México, o território que atravessam para chegar à fronteira norte-americana, a aumentar as deportações, ameaçando com uma guerra tarifária, e aprovou novas condições para a solicitação de asilo que, na prática, bloqueiam a maior parte delas: a maioria dos solicitantes que passarem por outro país antes de chegar aos Estados Unidos não terá a opção de refúgio.

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