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Prisão perpétua para os pais da ‘casa dos horrores’ da Califórnia

Condenados, que poderão solicitar liberdade condicional em 25 anos, pediram perdão aos prantos

Louise Turpin, à esquerda, e seu esposo, David Turpin, no tribunal em agosto.
Louise Turpin, à esquerda, e seu esposo, David Turpin, no tribunal em agosto. AP

Os Turpin, o casal que chocou meio mundo por manter presos e em condições desumanas 12 de seus 13 filhos durante toda sua vida, foram condenados na sexta-feira à prisão perpétua, com possibilidade de obter liberdade condicional após 25 anos de cadeia. Chorando muito, David Allen Turpin, de 57 anos, e Louise Ann Turpin, de 50, pediram perdão e declararam amor profundo pelos filhos, como se fossem seres completamente dissociados das pessoas que mantiveram seus descendentes a período tão longo de sequestro e torturas. Somente o mais novo, de dois anos, não apresentava sinais de maltrato.

O casal foi preso em janeiro do ano passado em sua casa de Perris (sul da Califórnia), porque uma das filhas, de 17 anos, conseguiu escapar e ligar para o número de emergência. Ao chegar, o que a polícia encontrou se parecia com uma casa dos horrores, habitada por uma dúzia de crianças desnutridas e sujas, que mal saíam, eram frequentemente acorrentadas e viviam na escuridão. Todos pareciam, de acordo com as autoridades, muito mais jovens do que eram na realidade. A mais velha, de 29 anos, pesava 37 quilos. Viviam de noite, dormiam durante o dia e quase não tinha permissão para se lavar. Podiam, por outro lado, escrever um diário: cadernos que se tornaram fundamentais à investigação.

Na audiência de sexta-feira vários dos filhos deram seu depoimento pela primeira vez. Alguns deles são perturbadores, como o do menino que pediu uma sentença mais leve alegando que tudo o que os seus progenitores fizeram foi “protegê-los”, segundo a agência AP. “Amo meus pais e lhes perdoei por muitas das coisas que nos fizeram”, disse outro deles. “Minha vida pode ter sido ruim, mas me tornou forte. Lutei para me transformar na pessoa que sou. Vi meu pai mudar minha mãe e quase me mudaram, mas percebi o que estava acontecendo”, disse uma das meninas.

Os Turpin já haviam se declarado culpados em fevereiro das acusações mais graves — tortura, detenção ilegal, maltrato de adultos dependentes e maltrato de menores. Se conseguirem a condicional em 25 anos, o pai terá 82 e a mãe, 75. Louise pediu perdão “por todos os danos” que fez a seus filhos. “Eu os amo mais do que eles jamais imaginarão”. David, em prantos, precisou dar à sua advogada a maior parte de sua palavra. “Amo meus filhos e eles me amam”.

O promotor de Riverside, Mike Hestrin, definiu o que aconteceu naquela casa como um caso de “depravação humana”. Apesar de todas as extravagâncias da família — as crianças quase não eram vistas e pareciam muito pálidas e retraídas —, os pais conseguiram manter os crimes ocultos aos vizinhos. Também não mantinham contato com os parentes. Mas publicavam fotografias em suas redes sociais com aparência de família feliz.

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