Reflexos da tragédia de Brumadinho

Vale retira 200 pessoas de casa em Nova Lima por risco em mais uma barragem

Esta é a segunda vez, após Brumadinho, que a mineradora aciona seu plano de emergência para prevenir novas tragédias

Mina Mar Azul, em Nova Lima.
Mina Mar Azul, em Nova Lima.Google Maps

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Moradores de Nova Lima, em Minas Gerais, tiveram que sair de suas casas na noite deste sábado após a Vale acionar o nível 2 do Plano de Ação de Emergência de Barragens de Mineração (PAEBM) para a barragem B3/B4 da mina Mar Azul, que está inativa. Em nota, e empresa informou que se trata de uma medida preventiva, após revisão de dados de relatórios de empresas terceirizadas.

"Por segurança, a Vale está fazendo a evacuação de cerca de 200 pessoas em área que abrange 49 edificações, entre domicílios e estruturas de uso comercial na região de Macacos, a 25 quilômetros de Belo Horizonte. O trabalho está sendo conduzido pela Vale com apoio da Defesa Civil e demais órgãos competentes", informou a empresa por meio de nota.

A mineradora informou que os moradores de Nova Lima que tiveram que deixar suas casas estão sendo acolhidos e registrados no centro comunitário da cidade para, posteriormente, serem encaminhadas aos hotéis da região. "A Vale dará toda a assistência e apoio necessários até que a situação seja normalizada".

Essa é a segunda vez, após a tragédia de Brumadinho, que matou 166 pessoas e deixou outras 144 desaparecidas, que a Vale decide evacuar comunidades por precaução no entorno de barragens. Na madrugada do dia 8 de fevereiro, a companhia atendeu a determinação da Agência Nacional de Mineração (ANM) e removeu  239 pessoas das comunidades Socorro, Tabuleiro e Piteiras, que moram junto a barragem da mina Gongo Soco, em Barão de Cocais, Minas Gerais.

No mesmo dia, a ArcellorMittal decidiu retirar outras 65 pessoas que vivem no entorno da barragem de rejeitos de Serra Azul, em Itatiaiuçu, também em Minas Gerais, como medida de precaução após avaliação da estrutura da barragem.

Segundo o portal UOL, que cita o tenente Pedro Aihara, do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, a empresa responsável pela auditoria responsável pela barragem de Nova Lima se negou a atestar a segurança das barragens. Reportagem publicada nesta sexta-feira pelo EL PAÍS aponta que um documento interno da Vale registra que a mineradora sabia que laudos de estabilidade de suas barragens eram emitidos pelas empresas de auditoria mesmo sem atingir os índices recomendados de segurança. Seis meses antes do rompimento da Barragem I da Mina do Feijão, em Brumadinho, a empresa recebeu um relatório de um painel de especialistas, contratados por ela própria, em que eles apontam que declarações de estabilidade foram dadas considerando "a disposição" da mineradora em resolver os problemas detectados. O documento faz parte do compêndio que está em posse do núcleo criminal da força-tarefa que investiga o desastre de Brumadinho, que afirmou também nesta sexta ter identificado um "conluio" de funcionários da Vale, que teriam assumido o “risco de produzir centenas de mortes”. Oito funcionários da mineradora foram presos provisoriamente também nesta sexta pela manhã.