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Defesa Civil diz agora que 304 abandonaram casas por riscos em barragens em Minas

239 pessoas foram retiradas de suas casas, junto a barragem da mina Gongo Soco, da Vale, em Barão de Cocais. Em Itatiaiuçu, a mineradora ArcelorMittal retirou outras 65 pessoas que viviam próximo à barragem de Serra Azul

Barão de Cocais Vale
Reprodução do Google Maps.

Um total de 304 pessoas foram retiradas de suas casas em Minas Gerais por risco de rompimento em duas barragens de alteamento a montante. Na madrugada desta sexta-feira, a Vale atendeu determinação da Agência Nacional de Mineração (ANM) e solicitou a evacuação de 239 pessoas das comunidades Socorro, Tabuleiro e Piteiras, que moram junto a barragem da mina Gongo Soco, em Barão de Cocais, Minas Gerais. A aproximadamente 180 quilômetros do município, em Itatiaiuçu, a mineradora ArcelorMittal decidiu retirar outras 65 pessoas que vivem no entorno da barragem de rejeitos de Serra Azul como medida de precaução após avaliação da estrutura da barragem. As duas mineradoras estimavam que 500 famílias viviam nestes locais, mas a Defesa Civil do Estado encontrou pouco mais da metade deste número vivendo de fato nas comunidades. As famílias desalojadas estão sendo encaminhadas para um hotel e só devem retornar quando confirmada a redução de risco por meio de inspetorias nos empreendimentos.

Em Barão de Cocais, a sirene foi acionada pela Vale por volta de 1h da manhã por decisão da ANM, que recebeu informações de que a empresa estaria dando início ao nível 1 do Plano de Ação de Emergência de Barragens de Mineração (PAEBM), após a consultoria Walm negar a Declaração de Condição de Estabilidade à estrutura. Em vídeo de um morador, publicado pelo portal UAI, é possível ouvir as sirenes e anúncios automáticos da empresa pedindo para que os moradores deixem suas casas: "Atenção, esta é uma situação real de emergência de rompimento de barragem. Abandonem imediatamente suas residências".

A Vale informou por meio de nota, no entanto, que a decisão foi preventiva. "Como medida de segurança, a Vale está intensificando as inspeções da barragem Sul Superior. Também será implantado equipamento com capacidade de detectar movimentações milimétricas na estrutura. A Vale está trazendo consultores internacionais para fazer nova avaliação da situação no próximo domingo (10/2)", informou a mineradora responsável pela barragem de Brumadinho, que rompeu no dia 25 de janeiro, deixando 157 mortos, enquanto buscas por 182 pessoas desaparecidas continuam.

A prefeitura de Barão de Cocais, localizada a 100 km da capital mineira, informou que os moradores foram encaminhados para o Ginásio Poliesportivo da cidade, onde ficarão temporariamente abrigados. A Defesa Civil do Estado de Minas Gerais informou que essas famílias serão direcionadas para um hotel e que só deverão retornar às suas casas quando laudos técnicos confirmem redução no nível de risco.

Segundo a Vale, a produção de minério de ferro da mina de Gongo Soco foi paralisada em abril de 2016. A estrutura de Barão de Cocais é uma das dez barragens a montante inativas, que fazem parte do plano de aceleração de descomissionamento anunciado em 29 de janeiro. A barragem Sul Superior, com 85 metros de altura, armazena 6 milhões de m³ de rejeitos abastece o complexo Mariana-Brucutu, uma das maiores minas da empresa em Minas Gerais. Assim como a barragem que rompeu em Brumadinho há duas semanas e a de Itatiaiuçu, ela é considerada de baixo risco de acidente e de alto dano potencial associado (quando há elevado impacto ambiental e comunidades no entorno do empreendimento). Todas elas estão incluídas na Política Nacional de Segurança de Barragens.

Em Itatiaiuçu, a barragem de rejeitos da mina de Serra Azul - com método de construção a montante - está desativada desde outubro de 2012, informa a mineradora ArcelorMittal. Mas inspetorias e auditorias realizadas após a tragédia de Brumadinho levaram a empresa a decidir evacuar a comunidade de cerca de 200 famílias que vivem a cerca de cinco quilômetros do empreendimento nesta sexta-feira. Lá, sirenes não chegaram a ser acionadas. Os policiais militares e civis responsáveis pela evacuação, porém, só encontraram 65 pessoas, que já estão alojadas em um hotel na cidade vizinha, Itaúna. "Empregando uma metodologia mais conservadora, a auditoria independente responsável pela declaração de estabilidade revisou o último relatório e adotou para a barragem um Fator de Segurança (Factor of Safety ou FoS) mais restritivo", informa a mineradora.A barragem, conforme dados da ANM, tem 89 metros de altura e armazena 5,25 milhões de m³ de rejeitos.

A empresa diz que a avaliação já inclui dados e aprendizado decorrentes dos eventos da barragem do Feijão, em Brumadinho. Enquanto as famílias estiverem fora de suas casas, a mineradora realizará testes adicionais para melhorar a segurança. A mina de Serra Azul, que abastece a barragem, produz 1,2 milhões de toneladas de concentrado e minério granulado.  "O trajeto histórico a ser seguido pelo fluxo, em caso de colapso, avaliado quando a barragem estava ativa, era de aproximadamente de quatro a cinco quilômetros", informa a ArcelorMittal.

Cerca de 25 policiais militares e civis foram acionados na madrugada desta sexta-feira para retirar as pessoas das comunidades próximas às barragens em risco. Segundo a Polícia Militar, no caso de Itatiaiuçu, onde as sirenes não foram acionadas, os policiais foram de casa em casa para convencer as famílias a deixarem o local, apenas uma delas ainda se recusa a sair. As autoridades destacam que não houve rompimento em nenhuma duas barragens e que estes empreendimentos teriam rejeitos mais secos e volumes menores que a barragem que rompeu em Brumadinho, que armazenava 12,7 milhões de metros cúbicos de rejeitos.

Em vídeo publicado pelo portal UAI é possível ouvir as sirenes e anúncios de emergência no momento da evacuação das famílias.

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