Bolsonaro em Davos em 4 pontos: reformas, meio ambiente, ideologia e direitos humanos

Presidente não ofereceu detalhes sobre seus futuros projetos, mas cumpriu roteiro pró-abertura de mercado e não falou em antiglobalismo, marca de seu chanceler

Bolsonaro no bandejão de Davos.
Bolsonaro no bandejão de Davos. Alan Santos/PR
Mais informações

Em seu debut em eventos internacionais, o presidente Jair Bolsonaro fez um brevíssimo discurso nesta terça-feira na abertura da sessão plenária do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. Bolsonaro afirmou que um dos seus principais compromissos será abrir a economia brasileira e se comprometeu com reformas, mas sem dar detalhes sobre o novo projeto para a Previdência, um dos assuntos mais esperados pelos mercados financeiros. Analisamos em cinco pontos o discurso de cerca de oito minutos, um dos mais curtos na história das aberturas do evento. 

1 - Reformas: "Gozamos de credibilidade para fazer as reformas de que precisamos e que o mundo espera de nós"

O presidente citou apenas que seu Governo goza "de credibilidade para fazer as reformas de que precisamos e que o mundo espera de nós". Bolsonaro afirmou ainda que sua equipe irá diminuir a carga tributária e facilitar a vida de quem quer empreender, investir e gerar empregos no país. Prometeu que o país estará, ao final do seu mandato, entre os 50 melhores lugares para fazer negócios do planeta (hoje está na posição 109º no ranking do Banco Mundial). Se havia uma expectativa de que o presidente se comprometesse com a reforma da Previdência, Bolsonaro a desfez na véspera do discurso. Enquanto alguns investidores consideram decepcionante, outros acharam que ao menos o presidente se comprometeu com o suficiente.

2 - Meio ambiente: "Nossa missão é avançar na compatibilização entre a preservação do meio ambiente e o desenvolvimento econômico"

Foi o trecho mais inusitado do discurso. Bolsonaro, que costuma dizer que há uma indústria da multa ambiental e escolheu ministro do Meio Ambiente criticado pelos ambientalistas, se preocupou em rebater críticas e desconfianças internacionais em relação à sua política de preservação ambiental. O presidente afirmou que o país é o que mais preserva o meio ambiente. Segundo Bolsonaro, a agricultura ocupa apenas 9% do território brasileiro, e a pecuária, menos de 20%.

Apesar de ter enfatizado o tema mais de uma vez em sua fala, quando questionado pelo fundador do Fórum Econômico Mundial, Klaus Schwab, sobre quais medidas práticas tomaria para preservar o meio ambiente, Bolsonaro repetiu o que já tinha dito e se esquivou de dar detalhes, mesmo em um cenário de incertezas geradas pelo Brasil após o país se recusar em sediar a Conferência do Clima da Organização das Nações Unidas, COP25.

3 - Ideologia: um pouco Guedes, um pouco Ernesto Araújo

Em outro trecho do discurso, o presidente afirmou que as relações internacionais serão dinamizadas pelo ministro Ernesto Araújo, que implementará uma política na qual o "viés ideológico" deixará de existir. Araújo, um antiglobalista e admirador de Donald Trump, tem preferido elogiar países que vivem guinada de extrema direita, como a Hungria e a Polônia, numa retórica que preocupa aliados. Na sessão de perguntas, Bolsonaro insistiu, quando questionado sobre o Mercosul, que a América do Sul quer ser grande, mas que hoje ela está “ficando livre da esquerda, algo que acredito ser bom para o Brasil e o mundo”.

Ainda assim, Bolsonaro não se alinhou ao chanceler. O presidente também acenou para o multilateralismo. "Estamos aqui porque queremos, além de aprofundar nossos laços de amizade, aprofundar nossas relações comerciais", disse. O presidente também defendeu a OMC (Organização Mundial do Comércio), comandada por um brasileiro (ponto para Paulo Guedes). Temas mais específicos, como a proposta de mudança da embaixada do Brasil em Israel para Jerusalém, que provoca retaliação dos países árabes, e a saída do Brasil do pacto de migrações também não foram mencionados.

4 - Direitos humanos "verdadeiros" e Deus acima de tudo

A não ser com respeito ao meio ambiente, Bolsonaro não não abriu mão de reforçar alguns motes da época de sua campanha eleitoral e seu alinhamento conservador e de ultradireita, com o questionamento do conceito de direitos humanos. Falou em defender os "direitos humanos verdadeiros", ma sem fornecer detalhe algum sobre a diferenciação. Terminou o discurso com seu slogan "Deus acima de tudo."

Mais informações

Arquivado Em

Recomendaciones EL PAÍS
Logo elpais

Você não pode ler mais textos gratuitos este mês.

Assine para continuar lendo

Aproveite o acesso ilimitado com a sua assinatura

ASSINAR

Já sou assinante

Se quiser acompanhar todas as notícias sem limite, assine o EL PAÍS por 30 dias por 1 US$
Assine agora
Siga-nos em: