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“Se algo estiver errado, que paguemos a conta”, diz Bolsonaro pressionado por escândalo do Coaf

Presidente eleito faz transmissão ao vivo e diz defender investigação sobre movimentação suspeita de ex-assessor de Flávio Bolsonaro

O presidente eleito Jair Bolsonaro.
O presidente eleito Jair Bolsonaro. REUTERS

O presidente eleito, Jair Bolsonaro, fez das transmissões ao vivo pelo Facebook uma das armas mais poderosas de sua comunicação política com arsenal de frases fortes dirigidas diretamente a seus mais de 8 milhões de seguidores na plataforma. Em geral, Bolsonaro escolhe os assuntos convenientes à sua agenda ultraconservadora e espera a imprensa repercutir. Nesta quarta-feira, porém, o roteiro foi diferente. Bolsonaro foi obrigado a comentar o escândalo envolvendo um ex-assessor do seu filho Flávio Bolsonaro, flagrado pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividade Financeira) em movimentação financeira suspeita de 1,2 milhão. "Temos um problema pela frente, o caso de um ex-assessor nosso que está com uma movimentação atípica", admitiu.

"Se algo estiver errado, seja comigo, com meu filho ou com o (ex-assessor) Queiroz, que paguemos a conta deste erro, porque nós não podemos comungar com o erro de ninguém", disse o eleito, que fez campanha prometendo mudar a forma de fazer política e erradicar a corrupção no Brasil.

Bolsonaro se referia à trama envolvendo Fabrício José de Queiroz, um policial militar que era motorista e segurança do deputado estadual Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) e há anos próximo da família. Segundo o Coaf, Queiroz fez transações financeiras incompatíveis com seus rendimentos. O  rastreamento também encontrou transferência de recursos das contas de outros oito assessores que passaram pelo gabinete de Flávio Bolsonaro na Alerj para Queiroz, além de cheques repassados à futura primeira-dama Michelle Bolsonaro, no valor de 24.000 reais –segundo o político do PSL, um pagamento de um empréstimo não declarado à Receita Federal.

O presidente eleito se referiu a Queiroz como "nosso assessor" e disse ainda que o ex-funcionário, que até agora não deu declarações à imprensa, deve prestar depoimento na Justiça na semana que vem. "O Queiroz não estava sendo investigado, foi um vazamento que houve ali, não sou contra vazamento, tem que vazar tudo mesmo, nem devia ter nada reservado, botar tudo para fora e chegar a uma conclusão. Dói no coração da gente? Dói, porque o que nós temos de mais firme é o combate à corrupção e aconteça o que acontecer, enquanto eu for o presidente, nós vamos combater a corrupção usando todas as armas do governo, inclusive o próprio Coaf", disse.

Em meio as já conhecidas críticas ao trabalho de fiscalização ambiental do Ibama e novos ataques ao recém aprovado pacto global de migração, do qual ele pretende retirar o Brasil, Bolsonaro prometeu estar "à disposição" para responder a respeito do escândalo do Coaf, ainda que não tenha dado entrevistas a jornalistas nesta semana. "Da minha parte, estou aberto a quem quiser fazer qualquer pergunta sobre este assunto, tenho sempre me colocado à disposição e o que a gente mais quer é que isso seja esclarecido o mais rápido possível, sejam apuradas as responsabilidades, se é minha, se é do meu filho, se é do Queiroz ou de ninguém."

Outro assessor de Flávio na mira por viagens ao exterior

A principal suspeita entre os investigadores é que os servidores pagassem espécie de pedágio Enquanto isso, a imprensa segue levantando as ligações entre os ex-assessores de Flávio Bolsonaro que aparecem na lista de contribuintes da conta de Queiroz. Reportagem do Jornal Nacional, da TV Globo, mostrou que o tenente-coronel da Polícia Militar do Rio Wellington Servulo Romano da Silva, lotado no gabinete de Flávio que fez depósito para Queiroz, passou metade do período em que esteve nomeado em Portugal (248 dias em cerca de um ano e quatro meses). Ao JN, Flávio negou que o funcionário tivesse ausente.

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