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Backstreet Boys: “Somos a trilha sonora da juventude dos anos noventa”

Grupo celebra 25 anos de carreira com novo disco e sua turnê mundial mais ambiciosa em 18 anos

Backstreet Boys
A partir da esquerda, Nick Carter, Howie Dorough, Kevin Richardson, Brian Littrell e A. J. McLean, os Backstreet Boys, durante um show em Nova York em julho. Getty Images

Quando Kevin Richardson tinha 20 anos, no início dos anos noventa, a música popular começava a assistir a um experimento que não tinha sido feito antes. Os membros das bandas de rock que tinham liderado a juventude dos anos sessenta começavam a ficar quarentões, tinham filhos, entradas na cabeça, cabelos brancos, e o mundo se perguntava por quanto tempo pensavam em continuar pulando nos palcos. Hoje, Richardson (Kentucky, 1971) está na mesma situação com os Backstreet Boys. E eles parecem ter decidido, em conjunto, que sua resposta é não parar e continuar dando material a seus fãs. Os Backstreet Boys apresentaram na sexta-feira seu décimo álbum de estúdio e anunciaram a turnê mundial mais ambiciosa desde que sua carreira chegou ao auge, há 18 anos. A turnê passará pela Espanha em maio. O Brasil, pelo menos por enquanto, não está incluído.

“Agora, quando fazemos música, procuro me concentrar em quando eu era pequeno e penso: vamos ver, quem eram os caras de trinta ou quarenta e poucos anos que continuavam fazendo música boa naquela época”, contou Richardson ao EL PAÍS nesta quarta-feira em uma conversa em Las Vegas, horas antes de subir ao palco. Nesse perfil de veteranos “estavam Don Henley, Glenn Frey, Rod Stewart, os Stones, Aerosmith... procuro me comparar com o que eles faziam. Como continuaram relevantes? Que decisões tomaram musicalmente?”, acrescentou.

“Sou um tremendo fã do rock dos anos setenta”, continua Richardson. “Gosto de todos os grupos vocais da época, como Eagles, Ambrosia, The Atlanta Rhythm Section e coisas assim.” Embora fossem mais velhos que ele, “sempre os achei legais”, diz. “Eu pensava: como conseguem? Tina Turner arrasou nos anos oitenta e já era grande nos sessenta!”

Do seu lado, sentado nas poltronas do teatro, está Nick Carter (Nova York, 1980). Tem oito anos a menos que Richardson. Para ele, o U2 já era uma velha glória no início dos noventa. “Se penso sobre o que gente como os Stones e McCartney fizeram bem, acho que o que eles têm em comum é que continuaram fazendo turnês e se deixando ver”, opina Carter. “Isso mantém você na cabeça das pessoas. Elas veem você crescer e evoluir. Quando a MTV deixou de colocá-los no ar, eles continuaram fazendo turnês e tocando para seus fãs. Acho que fizemos a mesma coisa. Houve momentos em que as rádios pararam de programar nossa música e continuamos fazendo shows. Se isso se interrompe, há um período em que as pessoas não te veem, e aí, quando você aparece, isso se transforma em um retorno. Crescer é outra coisa. Nós crescemos juntamente com nossos fãs, é a mesma coisa que aqueles artistas conseguiram.”

Por isso, este é um momento de celebração para os Backstreet Boys. São 25 anos de crescimento com seu público desde que começaram em 1993, alcançaram o sucesso mundial em 1996 e chegaram ao topo de vendas na virada do século. Atualmente, estão fazendo desde o ano passado uma temporada em Las Vegas com um show de grandes sucessos sem complexos, que leva os fãs ao delírio. Paralelamente, gravaram o material para seu novo disco, DNA, que será colocado à venda em janeiro. Na sexta-feira foi lançada a segunda música desse álbum, Chances. A auto-homenagem em Las Vegas termina em 27 de abril e depois começa a excursão mundial, DNA World Tour, a maior em 18 anos, segundo os promotores.

É a chance de vê-los agora, entre os 38 e os 47 anos, frente a frente de novo com o público. Mas que fãs a banda vê de cima do palco? “Eles cresceram”, diz Richardson. “Agora têm filhos. Trazem as crianças, às vezes vemos três gerações nos shows, até quatro. É uma bênção. É um testemunho do nosso catálogo e do trabalho duro que temos feito ao longo destes anos, indo a cada país, investindo tempo e desenvolvendo uma relação com nossos fãs em todo o mundo”.

“A relação amadureceu”, continua Richardson. “Somos mais velhos, e eles também. Todos avançamos na vida, mas ao mesmo tempo compartilhamos isso, as lembranças que temos e as novas lembranças que estamos criando. Quando estamos no palco, sentimos essa energia, é como voltar no tempo. Até você descer, sentar e tentar levantar de novo: aí você percebe que não voltou no tempo”, ri Richardson.

Essa sensação é evidente no show de Las Vegas, Larger than Life, aonde milhares de pessoas de todo o mundo chegam para vê-los cantar ao vivo todos os seus sucessos. Ninguém vai embora sem ouvir sua canção favorita ao vivo. Para o fã de coração, é uma grande festa com seus ídolos. “É estranho”, diz Kevin Carter. “Você vê rostos adultos, mas se transformam em adolescentes. Dá para ver como isso vem de dentro. Gosto de dizer que você vem aqui para se deixar levar. Quando você fica mais velho, tem responsabilidades, mas aqui dá para escapar e ser o adolescente que você adora ser quando está escutando os Backstreet Boys.”

Examinando a trajetória dos Backstreet Boys nesta década, vemos que eles estão fazendo exatamente o que dizem. Não parar de trabalhar para continuar sendo parte da vida de seus fãs enquanto passam os anos. “Estamos em um momento em que as pessoas que viveram os anos noventa querem revivê-los”, opina Richardson. “Talvez agora tenham um trabalho estressante, ou se estressem com a família, ou com o mundo, e queiram recordar uma época fantástica na qual não tinham responsabilidades. Veem essa época com carinho, e nós somos a trilha sonora de sua vida. E isso é bom.”

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