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Quanto mais mulheres na cúpula, mais rentável é o banco

Um estudo sugere que a diversidade de gênero melhora os resultados das entidades financeiras, mas só se no conselho há um número suficiente de mulheres e o banco está bem administrado

Luis Doncel
Várias pessoas passam em frente à sede do banco Goldman Sachs, em Nova York.
Várias pessoas passam em frente à sede do banco Goldman Sachs, em Nova York.SPENCER PLATT (GETTY)

O que tem que ver o número de mulheres no conselho de administração de um banco e seus resultados econômicos? Bastante, segundo defendem duas pesquisadoras. Ann Owen, professora de Economia do Hamilton College de Nova York, e Judit Temesvary, economista da Reserva Federal de EUA, chegaram à conclusão de que há uma relação positiva entre igualdade e sucesso econômico, mas só se se cumprem determinados requisitos. Isso só acontece em bancos bem administrados e onde há certo nível de diversidade. Ou seja, pouco afetaria que uma entidade sem nenhuma ou muito poucas mulheres na direção, subitamente incluísse uma nova.

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Em maio, Owen participou em Londres de uma reunião entre o Banco Central Europeu, a Reserva Federal e o Banco da Inglaterra, cujo objetivo era refletir sobre o papel da mulher no mundo financeiro, nos bancos centrais e na economia, em geral.  Agora ela e Temesvary expõem suas conclusões no artigo Diversidade de gênero nos conselhos de administração dos bancos e resultados, publicado no blog do Banco da Inglaterra.

Mas, por que a relação entre gravatas e saias existentes nos andares mais nobres de uma entidade deve afetar algo tão frio (e assexual) quanto as contas anuais? As autoras apontam várias explicações. As mulheres, em geral, tendem a acumular mais conhecimento em certas áreas, como recursos humanos ou experiência de gestão. E, portanto, quanto mais igualitários forem os órgãos decisórios, mais heterogêneas serão as vozes daqueles que governam; e o processo de tomada de decisão será melhor.

A segunda teoria é que as mulheres costumam apresentar maiores porcentagens de presença nas reuniões dos órgãos dos quais participam que seus colegas homens. Por tanto, um conselho mais feminino terá um papel mais ativo, e com maior presença na hora de exercer tarefas como a de controlar a atividade dos gestores da companhia. Além disso, a diversidade em si mesma tem impacto nos resultados econômicos, já que fomenta a criatividade e a produtividade. Mas isso só ocorrerá no contexto bem administrados, onde os custos da diversidade —como mais conflitos ou problemas de coordenação— são minimizados.

A condição estabelecida pelo texto —a partir de um certo nível de feminização dos órgãos decisórios— baseia-se em análises prévias que explicam como o comportamento das mulheres em cargos de liderança varia conforme estejam sozinhas ou acompanhadas por outras. Assim, um estudo de 2014 mostra que as mulheres tendem a expressar mais opiniões quanto maior a porcentagem de mulheres no grupo.

Para realizar o estudo, as autoras analisaram dados de 87 entidades financeiras norte-americanas, de 1999 a 2015. Nesse período, o percentual de mulheres nas diretorias aumentou, mas permaneceu abaixo de 20% no último ano. Além disso, de acordo com os dados de Owen e Temesvary, os bancos comerciais americanos têm uma presença feminina significativa, mas apenas nas partes inferiores da escala de trabalho. O percentual de mulheres chega a 56,7% se o número total de funcionários for analisado. Isso cai para 48% quando se refere a gerentes de nível médio ou baixo, e é reduzido para 30,8% quando abrange apenas os executivos de nível mais alto.

Para medir a melhora nos resultados, as duas economistas levaram em conta diferentes variáveis das entidades, como a relação entre receitas e despesas, o desempenho de seus ativos, o índice de Sharpe (indicador que mede o desempenho de um investimento de risco) ou a evolução do seu valor de mercado. Para identificar os efeitos benéficos de um conselho equivalente, duas de suas funções mais importantes foram analisadas: o controle exercido sobre os diretores executivos do banco e os conselhos estratégicos que oferece.

As autoras concluem concluem que nos conselhos mais equilibrados entre homens e mulheres há geralmente menos risco de os reguladores tomarem medidas contra a empresa devido a uma violação legal ou ética, o que sugere que quanto mais diversidade houver, melhor será a gestão. Além disso, os bons efeitos dessa presença feminina foram sentidos ainda mais durante os anos de crise econômica.

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