Cinema

Jeferson De e o cinema negro em foco no Festival Latino-Americano

Mostra em São Paulo homenageia o diretor e traz produção contemporânea de países vizinhos

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Brasil, Colômbia, Chile, México e Venezuela são alguns dos países que estarão retratados nas telas de cinco cinemas de São Paulo durante o 13º Festival de Cinema Latino-Americano, organizado pela Associação do Audiovisual entre os dias 25 de julho e 1 de agosto. É uma chance de conhecer a produção cinematográfica da América Latina e do Caribe, com destaque para filmes de países com pouca expressividade nas telas, como o Paraguai, que aparece com dois longas na programação. Ao todo, serão exibidos 77 filmes, de 11 países, entre estreias, documentários e ficção. Como homenageados do festival, estão o diretor brasileiro Jeferson De e a atriz argentina, de origem mexicana, Inés Efron.

A homenagem ao cineasta, que terá seu longa-metragem inédito Correndo Atrás exibido na sessão de abertura do festival, também conta com a exibição de outros títulos do autor, como o curta Carolina, de 2013, sobre a escritora Carolina Maria de Jesus, e seu filme mais conhecido Bróder, de 2011. Dezoito anos atrás, muito antes da questão da representatividade virar um debate nacional, Jerferson De, então um diretor iniciante, lançou o manifesto Gênese do Cinema Negro Brasileiro, que preconizava sete pontos para o desenvolvimento de uma filmografia produzida pela população negra brasileira. De lá para cá, muita coisa mudou, mas o debate iniciado por Jeferson De nunca esteve tão vivo.

“Essas militâncias estão cada vez mais em pauta, tanto é que a Ancine estipulou cotas de gênero e raça na produção oficial do cinema feito no Brasil”, comenta Francisco Cesar Filho, curador e presidente do Festival ao lado de Jurandir Müller. “O Jeferson, então, é uma figura muito interessante para o momento, porque foi um dos primeiros a colocar essa questão na mesa e todo o seu trabalho como cineasta, que experimenta diferentes linguagens, passa por isso sem ser puramente militante”, diz Cesar Filho. Em Correndo Atrás, por exemplo, a maior parte da equipe técnica do filme, assim como os atores, é de profissionais negros e negras. “É um filme, por fim, que trata dos expedientes da classe popular, mas sem tematizar a violência, estigmatizando essas pessoas”.

Produção contemporânea dos vizinhos

Segundo o curador, o circuito comercial brasileiro coloca nas telas do cinema entre 15 e 20 filmes latinos - excluindo o Brasil - em cartaz ao ano. Por isso, defende, o Festival é um momento para o público brasileiro conhecer a produção contemporânea latino-americana. Além da retrospectiva de Jeferson De, serão exibidos quatro filmes da também homenageada Inés Efron. “Aqui quase tudo que se sabe de cinema argentino é Ricardo Darin, espero que com essa homenagem, Efron e outras produções também entrem no radar do brasileiro”. Mas um dos pontos mais aguardados do festival, diz Cesar Filho, é a seleção de contemporâneos, que apresenta longas-metragens, alguns inéditos, de Paraguai, Colômbia, Venezuela, México, Uruguai e Chile.

“O Chile é um caso à parte porque tem a seleção exclusiva ‘Foco no Chile’ pelo segundo ano seguido”, diz Cesar Filho. Ele explica que o Governo chileno, caso único na América Latina, tem um programa não só de investimento na produção, mas também na distribuição dos filmes. “Assim, os quatro filmes que serão exibidos também vão contar com a presença de seus diretores, algo que é organizado pelo próprio Governo”, completa. De treze anos para cá, quando o Festival começou, Cesar Filho nota também que além do crescimento da indústria cinematográfica no Brasil, México e Chile, outros países começaram a se destacar. Hoje há um crescimento grande na Colômbia, mas também em outros países como Venezuela, Paraguai e Uruguai. O EL PAÍS selecionou abaixo cinco filmes do Festival para você ficar de olho. A programação completa, assim como horários e locais de exibição podem ser vistos aqui.

'Correndo Atrás'

Parte da sessão em homenagem ao brasileiro Jeferson De, conta a história de um jogador de futebol e seu empresário que tentam de tudo para fazer acontecer a carreira do esportista. O elenco de autores tem Lázaro Ramos, Aílton Graça, Helio de La Peña entre outros. Para horários e locais de exibição clique aqui.

'A Redenção'

A neta de um ex-combatente da Guerra do Chaco, travada entre a Bolívia e o Paraguai, em disputa por uma região rica em petróleo na década de 1930, busca vestígios da vida do avô e recebe a ajuda de um amigo dele. O filme é dirigido pelo paraguaio Herib Godoy. Para horários e locais de exibição clique aqui.

'Keyla'

Dirigido pela colombiana Viviana Gómez Echeverry, o filme conta a história de Keyla, uma adolescente que vive em uma pequena ilha do Caribe colombiano, onde vive uma comunidade de descendentes de africanos, espanhóis e piratas ingleses. Ela busca seu pai, um pescador, que sumiu no mar. Para horários e locais de exibição clique aqui.

'O Menino Peixe'

Parte da sessão em homenagem à atriz argentina Ines Efrón, o filme dirigido por Lucía Puenzo conta a história de uma adolescente que se apaixona pela empregada doméstica da família. As diferenças sociais entre as duas, faz com que elas planejem um crime para mudar de país. Para horários e locais de exibição clique aqui.

Sebastian Puenzo

'Meninas Aranha'

Parte da mostra ‘Foco no Chile’, o longa-metragem, dirigido pelo cineasta Guillermo Helo, conta a história de três adolescentes pobres que sonha com um mundo de consumo. Ao tentarem escalar um prédio de luxo, ficam conhecidas na internet. Para horários e locais de exibição clique aqui.