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Quem ocupará o trono de Cristiano Ronaldo no Real Madrid?

O clube, que também perdeu o técnico Zidane, estuda sem pressa como reforçar o elenco depois da saída do português

Neymar Hazard Real Madrid
Neymar e Hazard se cumprimentam antes da partida de quartas de final da Copa entre Brasil e Bélgica. REUTERS

Enquanto a Juventus aguarda nesta segunda-feira a chegada de Cristiano Ronaldo inundando as ruas da cidade com a camiseta com o número sete do português, a loja oficial do Real Madrid no Bernabéu já retirou o manto do maior artilheiro da história do clube. O vazio dá vertigem em nível esportivo, mas também deixou certo alívio por uma convivência que havia se tornado insustentável. Cristiano não se despedirá do clube. Não quis. Disse adeus por meio de uma carta. Desde que pediu ao Real Madrid para ser transferido, o clube procurou a forma mais rápida de fazê-lo.

Com todas as cartas sobre a mesa, não fazia sentido prolongar o assunto. Queriam que fosse solucionado antes que a equipe começasse a pré-temporada. Nesta segunda-feira começa a funcionar o Real de Julen Lopetegui, o novo treinador. Sem seu astro, sem o maior artilheiro da história do clube (450 gols em 438 jogos). Uma vez assumido que Cristiano já não está mais presente e que é impossível encontrar no mercado um goleador como ele –os seus números são de extraterrestre, com 1,02 por partida–, nos escritórios do Bernabéu estuda-se, sem pressa, como recompor o quebra-cabeça, e quem pode ocupar o trono do português.

Por enquanto os diretores estão agindo não só com discrição como também com tranquilidade. Assim como na saída do técnico Zidane, no fim de maio, quando entenderam que a busca de um novo nome levaria algumas semanas, eles agora não têm pressa em encontrar o substituto do português. A saída do primeiro, por ser inesperada, talvez tenha criado mais desilusão que a do segundo.

A última contratação midiática do Real Madrid foi em meados de 2014, quando trouxe o colombiano James Rodríguez. Parece impensável que, com as saídas de Zidane – o homem das três Champions seguidas – e de Cristiano – o homem das quatro bolas de ouro – o clube não pense na contratação de uma estrela mundial para a nova etapa que começa neste ano. Em 15 de agosto, em Tallin, já disputa o primeiro título, a Supercopa da Europa, contra o Atlético. A lista de figurinhas inclui impossíveis e nem tão impossíveis. Neymar e Mbappé, os que mais agradam ao clube, não estão à venda. O Real continua achando que Al Khelaïfi, o dono do PSG, não deixará sair nem o brasileiro nem muito menos o jovem francês que no domingo jogará a final da Copa. Por isso, a saída de um ou de outro teria que ser fruto de um ato de rebeldia – chame-se política de desgaste ou forçar a situação –, algo que não é visto com bons olhos no clube branco.

A última vez que isso ocorreu (caso de Luka Modric), levou semanas a ser resolvido. Eden Hazard, a estrela da Bélgica que brilhou nesta Copa, poderia ser uma opção. Tem 27 anos, muito descaramento dentro de campo e, além disso, tornou-se querido pelo Real. No elenco, entretanto, há vários jogadores que ocupam a mesma posição, por isso sua contratação não é uma prioridade atualmente.

O protagonismo de Bale

Se não chegar nenhum galáctico, o clube conta com jogadores que podem ocupar o espaço com a saída de Cristiano Ronaldo. É o caso de Bale, Isco e Asensio. O primeiro, que depois da final de Kiev pediu mais minutos em campo, continuidade e protagonismo, disse que, se não os tiver, cogita buscá-los em outro lugar. Disse também que aproveitaria as férias do verão europeu para estudar o assunto com seu agente antes de tomar uma decisão. Seu agente ligou para o clube nas últimas semanas, mas para assuntos que não tinham nada a ver com a continuidade de Bale, que, portanto, é dada como certa no clube. Com o adeus de Zidane – a relação entre ambos piorou nos últimos meses porque o técnico se cansou da atitude do jogador – e de Cristiano, ele tem uma chance de ser protagonista. Para começar porque fica livre a lateral esquerda, a que melhor se adapta às suas características. A incógnita é a de sempre: ver se as lesões o poupam.

Sem o tradicional trio de ataque completo, o Real recupera mais flexibilidade no esquema de jogo. Lopetegui quer, de fato, que Isco e Asensio sejam parte fundamental de seu projeto. O técnico espanhol contará, além disso, com a presença do jovem brasileiro Vinicius Junior, comprado do Flamengo. A ideia no clube é que não só faça a pré-temporada como também que participe da equipe principal e vá crescendo pouco a pouco.

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