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Oito ex-militares chilenos são condenados a 18 anos de prisão pelo assassinato de Víctor Jara em 1973

Governo chileno terá de pagar indenização de 2,1 milhões de dólares a familiares de vítimas do golpe militar de Pinochet

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Homenagem a Víctor Jara em 1997. REUTERS

Oito ex-integrantes do exército chileno foram condenados nesta terça-feira pelo assassinato do famoso cantor e diretor de teatro chileno Víctor Jara —militante comunista— em setembro de 1973, no início da ditadura liderada pelo então comandante Augusto Pinochet. A decisão foi tomada por Miguel Vazquez Plaza, ministro da Corte de Apelação designado para violações aos direitos humanos. O grupo também foi condenado pelo assassinato de Littré Quiroga Carvajal, diretor prisional naquela época.

Hugo Sanchez Marmonti Raul Jofre González, Edwin Dimter Bianchi, Nelson Haase Mazzei, Ernesto Bethke Wulf, Juan Jara Quintana, Hernán Chacon Soto e Patricio Vásquez Donoso foram condenados a 15 anos e um dia de prisão como perpetradores dos homicídios, mais três anos pelo sequestro simples de ambas as vítimas. O ex-oficial Rolando Melo foi condenado a cinco anos e um dia de prisão por acobertar os assassinatos e 61 dias por acobertar os sequestros. O Governo chileno deverá pagar 2,1 milhões de dólares (81 milhões de reais) em indenizações às famílias das vítimas.

A decisão vem quase 45 anos depois de 11 de setembro de 1973, data do golpe liderado pelas forças armadas que derrubou o Governo socialista de Salvador Allende. Entre aquele dia e o seguinte, os militares invadiram a Universidade Técnica do Estado e detiveram o cantor, diretor e professor Víctor Jara. De acordo com o documento judicial, quando entrou no centro de detenção Estadio Chile, Jara foi reconhecido pelos militares e “agredido verbal e fisicamente desde sua chegada (...) sem que lhe formulassem qualquer acusação”. Dias depois, um grupo de detentos foi transferido para o Estadio Nacional, mas Littré Quiroga e Jara permaneceram no Estadio Chile, onde foram executados. O relatório aponta que Jara foi atingido por pelo menos 23 tiros. Os cadáveres foram jogados em local público junto com os corpos de outras pessoas de identidade desconhecida e acabaram sendo enterrados clandestinamente por familiares.

Durante muito tempo a responsabilidade pela morte de Víctor Jara foi um dos grandes mistérios da ditadura de Pinochet. Em junho de 2009, foi feita a exumação do corpo dessa figura emblemática da cultura popular chilena para comprovar seu fuzilamento em setembro de 1973, segundo laudo do Instituto Forense de Innsbruck (Áustria). Naquele mesmo ano, a viúva Joan Turner organizou, com a fundação que leva o nome do artista, um funeral público que teve a participação de mais de 12.000 pessoas.

A condenação histórica gerou reação positiva em admiradores do legado de Jara. O deputado Guillermo Teillier, presidente do Partido Comunista, comemorou a decisão em sua conta no Twitter: “Saudamos a sentença que condena militares que torturaram, assassinaram e jogaram os corpos de Víctor Jara e Littré Quiroga em um terreno baldio em Lo Espejo. Um abraço a suas famílias e a tod@s que continuamos lutando por verdade, justiça e reparação!”

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