Argentina

Dois brasileiros gravam na Argentina uma chantagem policial que viraliza

Casal de youtubers denuncia que policiais de Entre Ríos lhe pediram dinheiro em troca de uma multa. O caso ocorreu na Rota 14, a mais importante do Mercosul

Rômulo e Mirella no vídeo da denúncia.YOUTUBE

MAIS INFORMAÇÕES

A relação entre argentinos e brasileiros não é a melhor de todas. Principalmente quando uma Copa do Mundo está próxima. Dessa forma, quando um turista se encoraja a cruzar a fronteira, se prepara para todo o tipo de surpresas. Como a vivenciada por Rômulo e Mirella, um casal de youtubers que viaja pelo mundo em um trailer e exibe as belezas dos países que percorre. Na última viagem que fizeram pela Argentina passaram por uma situação vergonhosa, que ficou registrada em vídeo e que os motivou a escrever uma carta ao presidente Mauricio Macri e ao embaixador do Brasil na Argentina, Sérgio Francia Danese.

O casal, que há dois anos publica suas experiências no canal do YouTube Travel and Share, já visitou 32 países em três continentes e tem quase 680.000 assinantes. Mas nunca esquecerão sua passagem pela província de Entre Ríos, limítrofe com Buenos Aires, no nordeste argentino. Lá foram detidos por uma barreira policial que, segundo contam, lhes pediu 2.800 pesos (450 reais) para deixá-los continuar, mas não esclareceram qual era a suposta infração que motivou o pedido de dinheiro.

“Nosso maior medo na volta a Uruguaiana (na divisa do Brasil com a Argentina) não é a distância e os quilômetros, e sim a polícia de uma região chamada Entre Ríos”, confessa Rômulo no vídeo. “É a província mais corrupta”, completa Mirella, “muito conhecida pelas barreiras que os policiais fazem e tentam tomar o dinheiro de todo mundo e para isso eles encontram alguma coisa para multar as pessoas”. “Uma das coisas mais frustrantes da vida é enfrentar essa situação”, se enfurece a mulher, que conta que os policiais da rota nacional 14 ordenaram que pagassem a multa na própria estrada ou pagariam o dobro no caso de fazê-lo em um banco.

O casal por fim continuou sua viagem sem pagar nada, apesar de ser ameaçado com a apreensão do veículo. A mulher chegou a oferecer uma corrente de ouro para completar a soma pedida pelos agentes. Uma encenação feita por Rômulo os salvou do inconveniente. O homem simulou falar ao telefone com um funcionário do ministério do Turismo argentino para contá-lo sobre o problema. “Parece que o policial teve medo e nos deixou seguir viagem”, diz Mirella.

Não é a primeira denúncia que aparece sobre as estradas de Entre Ríos, uma região batizada como “o paraíso das multas”. De fato, e por conta de várias acusações pelas quais policiais precisaram pedir demissão, a província se ampara em um decreto local que permite aos agentes receberem as multas em dinheiro e na própria estrada.

No caso dos turistas brasileiros, a polícia emitiu um comunicado em que se comprometeu a “comprovar no sistema de câmeras a existência, ou não, da anormalidade manifestada pelos envolvidos”. Consultado pelo EL PAÍS, entretanto, o delegado-geral Mario Oscar Muller disse que “a situação descrita não é muito real”. “No meu entendimento é um vídeo premeditado. Em nenhum momento a polícia de Entre Ríos demonstra sob nenhum conceito que essa pessoa foi multada. Eu também posso dizer que alguém quis me cobrar 100.000 pesos (16.110 reais), mas se não há nada que comprove, não tem valor”, disse Muller.

A indignação motivou o casal a enviar diversas cartas a Macri e ao embaixador do Brasil no país, Sérgio Francia Danese. “A Argentina, sem dúvida, é um país maravilhoso”, diz o documento. “Seus encantos naturais, sua cultura, gastronomia, e o mais importante, suas pessoas. Infelizmente toda essa beleza tropeça em um problema que todos os que visitam esse país estão expostos, infelizmente, por uma falha do Governo argentino: a corrupção dos ‘Policiais de Estrada’, que trabalham principalmente na região de Entre Ríos, na Rota 14”. “Prezado senhor Presidente, gostaria que tomassem iniciativas para que nossas viagens sejam mais prazerosas e que tenhamos somente coisas boas para dizer da Argentina e de seu povo, tão amigável e cordial”, finaliza a carta que, por enquanto, não obteve resposta.

Arquivado Em: