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Escândalo sexual derruba cúpula da Federação de Ginástica dos EUA

Caso do médico Larry Nassar abalou as estruturas desse esporte no país, e o Comitê Olímpico norte-americano anunciou uma investigação

Uma das vítimas de Nassar em seu depoimento na última quarta-feira.
Uma das vítimas de Nassar em seu depoimento na última quarta-feira. AFP

Todos os dirigentes da Federação de Ginástica dos Estados Unidos anunciaram sua demissão nesta sexta-feira por causa do escândalo sexual envolvendo Larry Nassar, que durante duas décadas, valendo-se da sua condição de médico desse organismo e da Universidade Estadual de Michigan, cometeu abusos contra 156 adolescentes e mulheres jovens. A reitora dessa universidade, o presidente, o vice-presidente e o tesoureiro da Federação já haviam deixado seus cargos nesta semana, também como resultado da pressão exercida pelas vítimas durante o julgamento do médico, condenado na quarta-feira a até 175 anos de prisão.

Na quinta-feira, o presidente do Comitê Olímpico norte-americano anunciou uma investigação independente e ameaçou cassar o certificado esportivo da Federação se os seus 18 dirigentes não tomassem a drástica decisão afinal anunciada nesta sexta. A reação ocorre após sete dias de depoimentos no julgamento de Nassar, onde as vítimas acusaram a Universidade e a Federação de acobertarem o comportamento do profissional, apesar das queixas reiteradas. Durante anos, treinadores, diretores esportivos e amigos de Nassar minimizaram todas as suspeitas apontadas pelas jovens atletas.

O caso causou comoção nos EUA e deverá ter mais consequências. Um grupo de congressistas já anunciou a realização de uma audiência sobre o assunto e a abertura de uma CPI. Nesta sexta-feira, outros funcionários da Universidade Estadual de Michigan apontados pelas vítimas também renunciaram aos seus cargos.

Durante anos, Nassar manipulou suas vítimas e se aproveitou de sua grande reputação para lhes oferecer um "tratamento especial" que consistia em introduzir seus dedos nas genitálias das jovens, supostamente para curar lesões físicas. Não importava que as contusões fossem nas costas, pernas ou tornozelos: qualquer desculpa servia ao médico para abusar das ginastas, muitas delas menores de idade. Várias das suas vítimas competiam pela equipe olímpica dos EUA e são estrelas reconhecidas da ginástica, como Simone Biles, Aly Raisman e McKayla Maroney. A maioria delas está entre as mais de 150 vítimas que prestaram depoimento ao longo da semana passada.

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