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Globo de Ouro 2018: atrizes prometem ir de preto contra assédio sexual

Não há consenso sobre os favoritos, e as atenções estarão voltadas para discursos e tapete vermelho

Globo de Ouro 2018
Preparativos no Beverly Hilton Hotel, em 5 de janeiro, para a festa do Globo de Ouro. AFP

Hollywood irá para a televisão neste domingo para o Globo de Ouro, e o fará em plena terapia coletiva sobre a cultura do assédio sexual que explodiu com uma série de denúncias nos últimos três meses. Não há outro assunto. Na última sexta-feira, um diretor da categoria de Paul Haggis foi denunciado por quatro mulheres. Duas o acusam de estupro, uma delas, ante um juiz. O Globo de Ouro chega na crista de uma onda de denúncias de assédio sexual em Hollywood que tornaram inevitáveis as conversas e as mudanças, não apenas na indústria do cinema, mas em todas as partes. Neste domingo, os astros e estrelas irão se vestir, sorrir, entregar e receber prêmios e fazer agradecimentos no ambiente mais estranho e incômodo dos últimos tempos. Ah, e também há bons filmes indicados. Essas são algumas das coisas para se acompanhar com atenção:

Um elefante preto no tapete vermelho

Espera-se que as estrelas de Hollywood entrem no tapete vermelho vestidas de preto, em sua maioria. Eles, também. A cor, em teoria, será um reconhecimento às dezenas de vítimas de abuso sexual que contaram suas histórias e que em apenas três meses conquistaram um movimento que afundou com carreiras como as de Harvey Weinstein, Roy Price, Brett Ratner, Kevin Spacey, James Toback… já não se pode continuar a conta. A situação é tão difícil de administrar que um grupo de atrizes chegou a planejar boicotar os prêmios. Pode se esperar um tapete vermelho monotemático. Nos anúncios da cerimônia, o apresentador, Seth Meyers, já tem deixado claro que “temos muito o que falar”. Meyers tem um trabalho complicado. Encontrar piada em um tema que não tem nenhuma graça e, ao mesmo tempo, é inevitável. A apresentação magistral de Chris Rock no Oscar em meio às críticas pela falta de indicados negros é um bom precedente.

O ano de mulheres que brilham

Algumas das indicações mais interessantes são de mulheres. É um ano em que a categoria de melhor ator tem pouco brilho (e praticamente é dada como certa a vitória de Gary Oldman), mas há um grande duelo de atrizes entre Sally Hawkins (A Forma da Água), Frances McDormand (Três Anúncios para um Crime) e Meryl Streep (The Post: A Guerra Secreta). O filme Lady Bird - A Hora de Voar e suas atrizes são favoritos nas categorias de comédia, uma história de mulheres escrita e dirigida por mulheres. E entre as séries de televisão estão concorrendo Big Little Lies e The Handmaid’s Tale, que já venceram no Emmy. É um ano de grandes trabalhos de mulheres e histórias de mulheres, e se notará no cenário.

O ano de mulheres que não estão

Ninguém pode criticar a lista de indicados a melhor diretor. Guillermo del Toro, favorito na maioria das apostas, compartilha a lista de nomeados com Steven Spielberg, Christopher Nolan, Ridley Scott e Martin McDonagh. Mas a primeira coisa que todo mundo percebeu foi que, no ano em que as mulheres de Hollywood deram um soco na mesa, não há nenhuma indicada nessa categoria. E justamente em um ano em que havia quem escolher. Um dos filmes mais aclamados do ano, Lady Bird, foi nomeado a melhor comédia, suas duas atrizes também, mas Greta Gerwing não foi indicada como diretora, apenas como roteirista. Também havia Patty Jenkins, diretora do sucesso Mulher Maravilha. O grande drama Mudbound – Lágrimas sobre o Mississipi, com duas indicações, também é dirigido por uma mulher, Dee Ree. É uma categoria difícil de prever, mas uma coisa é certa: o prêmio voltará a ficar com um homem. Só cinco mulheres foram indicadas como diretoras nos 75 anos dos Globos de Ouro. Só uma venceu, Barbara Streisand por Yentl. No Oscar, a estatística é ainda pior.

O ano de mulheres que falam claro

A edição do ano passado do Globo de Ouro deixou grandes momentos no YouTube, mas certamente o mais lembrado é o discurso feito por Meryl Streep ao receber o prêmio Cecil B. De Mille pelo conjunto de sua carreira. “Faltar ao respeito convida a faltar ao respeito. A violência convida à violência. Quando os poderosos usam sua posição para assediar outros, todos perdemos”. Ela falava de Donald Trump. Um ano depois há muito mais a denunciar. Quase valem as mesmas palavras. Meryl Streep está indicada (pela 31ª vez) por The Post: A Guerra Secreta. Mas neste ano a homenagem especial será entregue a Oprah Winfrey, a rainha da televisão nos Estados Unidos durante antes. Winfrey já condenou o caso Weinstein. “Ainda não encontramos as palavras para articular a magnitude da situação”, escreveu no Facebook no início de novembro. Se as tiver encontrado, esse é o momento e o lugar para dize-las.

O ano de Guillermo del Toro?

E, além disso tudo, há grandes filmes. Especialmente dois: A Forma da Água, o romance fantástico de Guillermo del Toro, e Dunkirk, o drama bélico de Christopher Nolan. No entanto, não se pode falar de favoritos. É um ano em que as opções estão inusualmente abertas. The Post: A Guerra Secreta, Me Chame pelo seu Nome e Três Anúncios para um Crime também competem na categoria de drama, e todos são favoritos na lista de alguém. Não existe o consenso de outros anos. Entre as comédias, categoria criada pela Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood transformada em uma gaveta em que cabe tudo, competem Corra!, Lady Bird e Eu, Tonya. Se vencer, Guillermo del Toro seria o terceiro diretor mexicanos nesta década a levar o prêmio, após seus colegas Alfonso Cuarón e Alejandro González Iñárritu. Ambos depois mantiveram o sucesso até o Oscar.

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