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Coreia do Norte reabre a via de comunicação direta com o Sul

Pyongyang ativa a linha telefônica intercoreana para facilitar as conversações sobre uma possível participação nos Jogos Olímpicos de Inverno

Coreia do Norte e Coreia do Sul
Foto de arquivo de um alto funcionário do Exército sul-coreano usando a linha telefônica intercoreana. AFP

A Coreia do Norte anunciou nesta quarta-feira, dia 3 de janeiro, a reabertura da linha telefônica intercoreana com o objetivo de facilitar os contatos entre os dois países sobre sua possível participação nos Jogos Olímpicos de Inverno. Pyongyang declarou que esse canal de comunicação, situado na aldeia fronteiriça de Panmunjon, que estava há dois anos sem uso, volta a funcionar desde as 15h horário local (4h30 no horário de Brasília). A medida chega apenas dois dias depois que Kim Jong-un chamou o Sul ao diálogo em seu discurso de Ano Novo.

“Ratificando a vontade de nosso líder, manteremos contato estreito e sincero”, disse Ri Son-gwon, que encabeça a instituição encarregada de administrar assuntos entre as duas Coreias, à televisão estatal norte-coreana, segundo informa a agência sul-coreana Yonhap. O alto funcionário em nenhum momento se referiu à oferta colocada na terça-feira pelo Sul de manter conversas cara a cara “em alto nível” na próxima semana e se limitou a garantir que será discutido “o potencial envio de uma delegação” aos Jogos, que acontecem entre 9 e 25 de fevereiro na cidade sul-coreana de PyeongChang.

A linha telefônica fronteiriça entre as duas Coreias estava interrompida há praticamente dois anos depois que Pyongyang optou por cortar os canais de comunicação com o Sul. A decisão foi tomada em represália à decisão do então executivo sul-coreano de fechar o complexo industrial de Kaesong, o maior projeto de cooperação econômica entre os dois países até hoje, e uma importante fonte de receitas para o regime norte-coreano.

Segundo o anúncio de Ri, Kim Jong-un “acolheu com agrado” o apoio do presidente sul-coreano, Moon Jae-in, a sua oferta de diálogo e afirmou que uma melhora nas relações entre as duas Coreias “depende totalmente do Norte e do Sul”. O gabinete presidencial sul-coreano deu boas-vindas ao movimento de Pyongyang. “Acredito que marca um avanço no sentido de um ambiente em que a comunicação será possível a todo momento”, afirmou Yoon Young-chan, porta-voz da Casa Azul. O Ministério da Unificação sul-coreano destacou que o primeiro contato, de 20 minutos de duração, ocorreu com o objetivo de verificar vários aspectos técnicos, e que será utilizada esta linha telefônica para negociar com o país vizinho os detalhes de sua proposta de diálogo bilateral.

O comitê organizador dos Jogos Olímpicos de Inverno aderiu ao otimismo do Governo sul-coreano e afirmou que está preparado para acolher a delegação norte-coreana se ambos os países chegarem a um acordo. O governador da província de Gangwon, onde se situa PyeongChang, sugeriu enviar um cruzeiro a um porto norte-coreano para transportar a equipe, um barco que também serviria de hotel durante os dias da competição. Seria a mesma fórmula utilizada durante os Jogos Asiáticos de 2002, realizados na cidade sul-coreana de Busan.

A relação entre as duas Coreias sofreu uma mudança significativa em apenas dois dias por conta do tom surpreendentemente conciliador de Kim Jong-un durante seu discurso de Ano Novo. O líder norte-coreano defendeu a melhoria das relações com Seul e considerou que os Jogos são “uma boa oportunidade de demonstrar a união das pessoas”.

Enquanto os dois países dão início a um aparente degelo, Donald Trump voltou a atacar o regime do Norte com força. O presidente norte-americano afirmou em um tuíte que tem em suas mãos um botão nuclear “maior e mais poderoso” do que o de Kim Jong-un, em referência às advertências do ditador norte-coreano tinha lançado horas antes contra Washington também durante sua fala de 1o de janeiro. Trump atribuiu a súbita guinada de Pyongyang “ao grande impacto das sanções e outras pressões” e duvidou da efetividade das conversas que virão: “Talvez sejam boas notícias, talvez não. Veremos!”.

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