Assédio sexual

Senador democrata Al Franken anuncia renúncia depois de acusações de assédio sexual

Saída deverá acontecer nas “próximas semanas”. É a primeira vítima política de alto escalão das denúncias feitas nas últimas semanas nos EUA

O senador Al Franken ao anunciar que irá renunciar.
O senador Al Franken ao anunciar que irá renunciar. (REUTERS)

O senador democrata Al Franken anunciou nesta quinta-feira que renunciará “nas próximas semanas”, sob pressão de seu próprio partido, depois que oito mulheres o acusaram de assédio sexual. Franken, figura emergente e um dos nomes cotados como candidato democrata para as eleições presidenciais de 2020, é a primeira vítima política de peso da onda de denúncias de assédio feita contra personalidades nos Estados Unidos e que derrubou de seus postos executivos de Hollywood, estrelas da televisão e empresários.

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As acusações contra Franken, 66 anos, senador desde 2009, se referem a acontecimentos ocorridos entre 2003 e 2010. As mulheres o acusam de tê-las beijado e tocado sem o seu consentimento. Depois das primeiras denúncias, o parlamentar, eleito por Minnesota, pediu desculpas, embora tenha também questionado algumas das versões e solicitado que seu caso seja submetido à Comissão de Ética do Senado.

Mas o destino de Franken, um rosto bastante conhecido de muitos norte-americanos por causa dos anos em que trabalhou como comediante na televisão antes de entrar para a política, deu uma virada de 180 graus nesta quarta-feira, quando surgiu a acusação mais recente. Foi a primeira vinda de uma ex-funcionária do Congresso, que afirma ter sido beijada por ele à força durante uma entrevista em 2006, quando o humorista ainda não era senador. No Capitólio, que tem sido criticado nas últimas semanas pela falta de transparência no caso das denúncias de ordem sexual, desencadeou-se rapidamente um furacão que tornou a permanência de Frankel insustentável.

Sob o impulso de um grupo de senadoras democratas, formou-se um verdadeiro clamor em defesa de sua renúncia. Ao final do dia, 35 dos 48 senadores democratas, incluído o líder da bancada, Chuck Schumer, exigiram a renúncia do senador por ter uma “obrigação maior” perante seus eleitores e o Senado. O mesmo foi feito pelo presidente do Comitê Nacional Democrata, Tom Pérez.

Em seu pronunciamento nesta quinta-feira no Senado, em que falou com serenidade, Franken afirmou que irá renunciar por causa “do povo de Minnesota” e que não pode atuar como senador efetivamente enquanto a Comissão de Ética não decidir sobre o seu caso, o que pode levar meses para acontecer. “Esta decisão não diz respeito a mim”, declarou, voltando a questionar algumas das acusações. “Algumas alegações contra mim simplesmente não são verdadeiras, e de outras eu me lembro de uma forma bem diferente”, defendeu.

A saída de Franken ocorre dois dias depois de o congressista democrata John Conyers, o mais antigo parlamentar da Câmara de Representantes, anunciou, sob pressão, que se afastaria após várias mulheres o terem acusado de assédio; uma delas chegou a dizer que foi demitida depois de ter se recusado a dormir com ele.

As consequências desses dois casos são contrastantes com as do caso de Roy Moore, candidato a senador republicano pelo Alabama denunciado por ter beijado e tentado se relacionar com meninas menores de idade quando tinha 30 anos. Inicialmente, o comando do Partido Republicano pediu a Moore que renunciasse à participação no pleito, que se realizará na próxima terça-feira, mas, nos últimos dois dias, o presidente Donald Trump lhe transmitiu total apoio e o partido voltou a financiar sua campanha.

Nesse contexto, Franken avaliou como algo irônico o fato de ele se demitir ao mesmo tempo em que “um homem que alardeou em uma fita o seu histórico de ataques sexuais se senta no Salão Oval”. Trata-se de uma alusão a uma gravação de Trump de 2005 divulgada durante a campanha eleitoral do ano passado em que ele afirma que “quando você é uma estrela”, as mulheres o deixam fazer “qualquer coisa”, como agarrá-las pelos genitais. Depois da difusão da gravação, várias mulheres acusaram Trump de assédio sexual.

Uma ironia do mesmo tipo, segundo o senador democrata, coloca os republicanos na frente de um espelho incômodo. Referindo-se a Moore, ele lamentou que um homem que “assediou meninas repetidamente faça campanha para o Senado com total apoio de seu partido”.

Apesar da renúncia, Franken disse que “não está abandonando a sua voz” e prometeu continuar atuando como ativista em causas progressistas. O governador democrata do Minnesota nomeará um substituto para ocupar a sua cadeira até as eleições de novembro de 2018, quando será renovado um terço do Senado e os democratas esperam conquistar a maioria, o que poria em xeque a pauta legislativa de Trump.

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