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Guia para comemorar o pibinho

Eis que tamanho não é mais documento na economia Intermitentes do mundo, uni-vos no brinde da festa da firma

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“Setembro passou, Outubro e Novembro, já tamo em Dezembro, meu Deus, que é de nós?”. Desperto no derradeiro mês deste 2017 com o canto semi-árido e existencialista de Patativa do Assaré, o poeta andarilho, no juízo. Calma, não vou estragar o seu final de ano, afinal de contas a mídia está repleta de boas notícias. Repare no caso do micropibinho, quantas manchetes alvissareiras, quanto foguetório, euforia é mato nos periódicos e portais.

Bimbalham os sinos. Antecipemos nossos espumantes, seja uma Sidra Cereser ou a ostentação de uma garrafa de Veuve Clicquot. Comece a gastar por conta. Não economize na farofa, na uva passa, viaje mesmo no salpicão. Por favor, não sejam “partidários da fracassomania” a expressão tem grife, é de um FHC II, safra da virada do século XXI, encorpado na Sorbonne, uvas europeias (Cabernet Franc?), mesmo com o aroma de jurubeba do mais antigo ex-PFL baiano.

Tamanho agora não é mais documento na economia brasileira: o pibinho do Temer está com tudo. Pense numa potência!

Intermitentes do Oiapoque ao Chuí, uni-vos. Boa festa de firma. Temos é que agradecer ao chefe por este bico, beijar a boca do senhor casmurro do departamento pessoal, investir alto no presente do amigo secreto caso ele seja um superior no organograma. E nada de exagerar na jurupinga. Cuidado com o vexame, aquele vídeo no WhatsApp pode destruir uma carreira promissora. Tempos modernos e corretos.

O micropibinho é tudo. Não vale lembrar, colega memorioso, a frase exemplar do presidente Emílio Garrastazu Médici, safra 1970, com aroma de ditadura amadeirada  e põe cassetete nisso!  e notas de chumbo. “A economia vai bem e o povo vai mal,” bradou o general. Não vem ao caso, em nenhum sentido, a não ser no otimismo oficial, a boutade de farda verde-oliva.

Por viajar nos 70, temos uma seleção canarinha pai d´égua e o Tite nos conduzirá rumo à estação Finlândia. O pagode russo está só começando. Boa festa da firma e até a próxima.

Xico Sá, jornalista e escritor, é autor de “A pátria em sandálias da humildade” (editora Realejo, 2017), entre outros livros. Comentarista nos programas “Papo de Segunda” (GNT) e “Redação Sportv”.

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