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O significado da palavra temporão

O batuque do candomblé é o novo jazz. Lá se foi, mas não muito, Marco Axé, músico genial pernambucano

O músico Marcos Axé, em Recife
O músico Marcos Axé, em RecifeReprodução

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Calma, amigo(a), sei que a barra está pesada, mas tem disco novo da Nação Zumbi na área, o “Radiola NZ vol. 1”, com direito a refazendas e reformas agrárias celestiais, Gil e David Bowie, pense num elepê! Só não digo que é genial por uma razão: o tal adjetivo ficou banal e a rima está proibida, meu querido Jorge Du Peixe. Assim mesmo eu digo.

“É muito mais que isso, boyzinho muderno, se liga”, me cutuca a vértebra, na calada zoadenta da noite, o negrito guapo Marco Axé, velho camarada da “Jambroband”, o grupo que acompanha Otto, Otto Maximiliano, galego dos belos jardins que se bifurcam no agreste pernambucano. Descansa em paz, mas não muito, mantenha a resenha nos nossos terreiros e territórios, solto a resenha chamada saudade. No que o caboclo tira onda de volta: Je t'aime moi non plus”.

O batuque do candomblé é o novo jazz e estamos todos vivos, por incrível que pareça, Marco Axé, apesar das ressacas e das notícias dos jornais que fazem mal aos homens, aos amores e aos cafés das manhãs. Jornal lá em casa só depois do sexo matinal e do beijo da aurora, vade retro.

Sério, Axé, ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro. Invente você mesmo uma primavera para sobreviver ao inferno de hoje e ao verão que se aproxima, você me soprou na orelha esquerda. Aproveite e invente logo uma primavera, menino Bandini, para sobreviver a 2018 -pense no vinho de tal safra! Imagina também o sabor do vinagre.

Negão, no último show de Otto, no Sesc Pompeia, lhe apresentei a minha filha Irene, como foi bonito –“quem disse que o menino era gala-rala?!”. Malê, da mesma trupe, também fez um bordado espiritual para a pequena. Rapaz, nem lhe conto, aqui segue uma zona, no pior sentido da palavra, não na semântica do cabaré que nos interessa ao espírito.

Calma, amigo, sei que a barra está pesada, mas quem disse que seria diferente? Agora mesmo o bravo sebo Estante Virtual acaba de me entregar um Kurt Vonnegut que perdi num puteiro da Rio Branco, Recife: “Bode Vermelho”. Livraço. Lerei para os meus leitores em breve.

Sério, Axé, só vale a greia, a resenha, e nessa matéria de sonho, meu amigo, você, além de gênio na música, foi mestre-mor. Gracias por tudo. Seu batuque iluminou.

Atacado & varejo

Foi preciso um boletim médico oficial para que o país descobrisse que ele, O Temeroso, tem coração. Cirurgia para desobstruir uma artéria foi marcada, no Sírio Libanês, neste final de semana. No peito de um golpista também há sístole e diástole.

Não é por nada não, mas as panelas provocaram grandes filas nas promoções da sexta-feira em São Paulo. Os paneleiros não têm mais desculpas técnicas para tanto silêncio diante do noticiário de horrores.

Uma mensagem do além do meu amado Serge Gainsbourg – autor do clássico de motel “Je t'aime moi non plus” – ao prefeito peemedebista de Petrópolis: “A beleza é passageira, a feiura é para sempre”. Só não ver vantagem quem é deveras insensível. O zé-bonitinho da Cidade Imperial criou o dia do funcionário público esteticamente lindão.

Ao vencedor, as batatas fritas da Black Friday.

Xico Sá, escritor e jornalista, é autor de “O livro das mulheres extraordinárias (editora Três Estrelas) e comentarista dos programas “Papo de Segunda” (GNT) e “Redação Sportv”.

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