A verdade sobre o vídeo islamofóbico que Trump reproduziu no Twitter

O presidente dos EUA publicou na rede social a suposta agressão de um imigrante muçulmano contra um jovem de muletas

Vídeo partilhado por Donald Trump em Twitter.

Um dos três vídeos islamofóbicos difundidos por Jayda Fransen, a líder do grupo ultranacionalista britânico Britain First, e que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reproduziu em sua conta do Twitter na quarta-feira, 29 de novembro, é falso. O vídeo, intitulado Um imigrante muçulmano dá uma surra em um menino de muletas na Holanda, mostra como um jovem bate em outro. Mas o agressor é holandês, e não há nenhuma prova de que seja muçulmano, segundo o Snopes, um site especializado em desmascarar notícias falsas.

O vídeo foi publicado pela primeira vez no site holandês Dumpert.nl em 13 de maio de 2017. O artigo falava sobre o ato de atacar outra pessoa que anda de muletas e que não pode se defender. Em nenhum momento, fazia referência à religião do agressor. Apesar disso, alguns leitores concluíram, em seus comentários, que o agressor era um imigrante muçulmano.

Um dia depois, a polícia holandesa investigou o vídeo publicado e pôde localizar e prender o atacante, que era um menor holandês de 16 anos, da cidade de Monnickendam. Em nenhum momento, a polícia fez alusão à religião do garoto.

A conta oficial do Ministério Público da Holanda desmentiu ontem o tuíte do presidente dos EUA, ratificando que o vídeo mostrava uma briga entre dois menores holandeses ocorrida em maio de 2017. Segundo os promotores, o agressor havia sido incluído num programa especial para jovens que cometem delitos pela primeira vez.

A Embaixada holandesa nos EUA também corrigiu Trump: “Os fatos importam. O perpetrador do ato violento que aparece neste vídeo nasceu e cresceu na Holanda. Recebeu e cumpriu sua sentença sob a lei holandesa.”

O aval que Trump deu nesta quarta, com seus tuítes, à britânica Jayda Fransen, uma conhecida islamofóbica, provocou críticas do Governo de Theresa May, que rechaça a retórica xenofóbica do Britain First. May pediu que o mandatário se concentre na ameaça terrorista no Reino Unido. Mas o presidente dos EUA não ficou calado e recomendou que a primeira-ministra britânica se preocupe com o “terrorismo radical islamista” dentro de suas fronteiras.

Debido a las excepcionales circunstancias, EL PAÍS está ofreciendo gratuitamente todos sus contenidos digitales. La información relativa al coronavirus seguirá en abierto mientras persista la gravedad de la crisis.

Decenas de periodistas trabajan sin descanso para llevarte la cobertura más rigurosa y cumplir con su misión de servicio público. Si quieres apoyar nuestro periodismo puedes hacerlo aquí por 1 euro el primer mes (a partir de junio 10 euros). Suscríbete a los hechos.

Suscríbete
O mais visto em ...Top 50