Sorteio da Copa: as chances de o Brasil pegar Espanha ou Inglaterra na fase de grupos

No pote 2, espanhóis, ingleses e suíços despontam como prováveis adversários da seleção brasileira

Sorteio da Copa Rússia 2018
O treinador do Brasil, Tite, pode pegar uma pedreira já na fase de grupos. AFP

O sorteio da Copa do Mundo de 2018 será realizado nesta sexta-feira, em Moscou, às 13h (horário de Brasília) e carrega uma série de probabilidades que tentam prever qual será o chaveamento do torneio. As 32 seleções classificadas foram divididas em quatro potes, com oito times em cada um. Há boas chances de o Brasil ter de enfrentar Espanha ou Inglaterra já na fase de grupos – ambas as campeãs mundiais estão no pote 2, enquanto a equipe de Tite está no 1.

A divisão das equipes entre os potes foi feita de acordo com a classificação do ranking da FIFA. Desta forma, as melhores equipes – Rússia (anfitriã e já garantida no grupo A), Brasil, Alemanha, Argentina, Bélgica, Portugal, Polônia e França – estão no pote 1 e são cabeças de chave, enquanto as piores, como Arábia Saudita e Panamá, estão no pote 4. No segundo escalão, além de Espanha e Inglaterra, Suíça, México e Croácia podem cair no grupo da seleção brasileira. O terceiro conta com equipes de menor expressão, como Dinamarca, Suécia e Costa Rica. O sistema praticamente reproduz as normas de sorteios de outras grandes competições, nas quais os potes 1 a 4 são esvaziados nessa ordem, contando com a ajuda dos computadores para evitar incompatibilidades geográficas – com exceção da Europa, que pode ter dois representantes no mesmo grupo, nenhum outro time do mesmo continente se enfrenta nesta fase.

Utilizando a norma oficial, o matemático francês Julien Guyon calculou as probabilidades de cada uma das 32 seleções classificadas no sorteio baseando-se em 100.000 simulações. Abaixo, os resultados para que o torcedor brasileiro possa tentar antecipar quem serão seus rivais na Rússia:

  • O Brasil não pode, obviamente, enfrentar ninguém do pote 1, uma vez que também são cabeças de chave;
  • No pote 2, três seleções têm mais chances de estar no grupo brasileiro: Suíça (20,2%), Espanha (20,1%) e Inglaterra (20,1%). Logo atrás, vem o México (19,9%) e a Croácia (19,7%). O restante, Peru, Colômbia e Uruguai, está descartado, por se tratarem de países do mesmo continente do Brasil;
  • O pote 3 reserva a Suécia como adversária mais provável: 18,7% de chances. Quase com as mesmas chances estão a Dinamarca e Islândia (18,5%). Tunísia, Egito, Senegal e Irã têm cerca de 9%. Por fim, a menos provável entre todas as 32: a Costa Rica, que tem 8,5% de chances;
  • Dentre todas as classificadas, a com a maior probabilidade de jogar contra Neymar na primeira fase está no pote 4: a Sérvia, com 24%. Com a metade de chances estão Nigéria e Marrocos. Austrália, Japão, Coreia do Sul e Arábia Saudita têm entre 10% e 10,5%. Por fim, em 9,9% das vezes o Panamá caiu no grupo do Brasil.

Principal seleção do pote 2 e, por consequência, equipe que mais causa aflição às cabeças de chave, a Espanha também tem 20% de chances de cair no grupo da Argentina. São 12,5% para estar junto da Rússia e 9,5% para Alemanha, Portugal, Bélgica, Polônia ou França.

Devido às incoerências dos rankings da FIFA, continua sendo possível um "grupo da morte" com Brasil, Espanha, Suécia e Nigéria, especialmente porque atualmente os rankings da federação subestimam a Espanha. No entanto, com o novo sistema de classificação, existem dois potes (3 e 4) sem nenhuma seleção forte, o que significa que "grupos da morte" são muito menos prováveis do que no passado.

Já os depreciados "grupos da vida", como seria o caso de um formado pela Polônia ou Rússia, Croácia, Tunísia e Arábia Saudita, continuam sendo verossímeis. Aqueles que tenham Rússia ou Polônia provavelmente serão classificados como fracos. A Polônia conseguiu ser cabeça de chave, em parte, jogando inteligentemente as Eliminatórias europeias. O fato de ter jogado apenas um amistoso entre novembro de 2016 e outubro de 2017 a fez subir na classificação. A Rússia é cabeça de chave por sua condição de anfitriã, mas atualmente não está em boa forma.

Utilizar melhores rankings, bem como tratar o anfitrião como qualquer outra equipe, ajudaria a equilibrar ainda mais os grupos. Os potes seriam diferentes se fossem usados sistemas de pontuação em vez dos rankings da FIFA, e se a anfitriã se classificasse como as outras seleções.

Espanha, Inglaterra e Colômbia substituiriam Rússia, Bélgica e Polônia como cabeças de chave, o que soa mais razoável. A Espanha seria a mais beneficiada com a mudança, e se garantiria que os grupos fossem mais equilibrados. Nesse caso, a Espanha só cruzaria com Croácia, México, Polônia ou Dinamarca do pote 2; Suécia, Irã, Islândia ou Senegal do 3; e Panamá, Egito, Tunísia ou Arábia Saudita do 4.

Julien Guyon, matemático francês e fã de futebol, é analista de dados e professor adjunto no departamento de Matemática da Universidade Columbia e do Instituto Courant de Ciências Matemáticas da Universidade de Nova York. As probabilidades do sorteio das 32 seleções estão disponíveis na conta do Twitter do autor, @julienguyon1977.

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