Zimbábue

Mugabe renuncia à presidência do Zimbábue

Uma semana após o Exército assumir o controle do país, mandatário deixa o cargo que ocupou por 37 anos

Robert Mugabe
Robert MugabePHILIMON BULAWAYO (REUTERS)

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O presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, apresentou finalmente sua renúncia nesta terça-feira, uma semana após o Exército assumir o controle do país, segundo anunciou o presidente do Parlamento Jacob Mudenda. “Eu, Robert Mugabe, entrego formalmente minha renúncia como presidente da República do Zimbábue com efeito imediato”, declarou Mudenda, lendo a carta de renúncia do chefe de Estado, sob aplausos. No documento, Mugabe não propõe nenhum sucessor.

De acordo com o jornal Herald, Mudenda anunciou no Parlamento que o processo de impeachment que seria iniciado contra o mandatário fica suspenso com a sua decisão de renunciar. A notícia foi recebida com aplausos pelos presentes.

Mugabe, que governou o país durante 37 anos, havia resistido às pressões até agora, apesar dos multitudinários protestos contra ele no sábado e das negociações mantidas com o Exército e os emissários enviados pela África do Sul.

O vice-presidente recentemente destituído, Emmerson Mnangagwa, é o principal candidato para substituir Mugabe na presidência e para ser o novo candidato da situação nas eleições presidenciais de 2018, após ser nomeado líder do partido governista no lugar do ainda chefe de Estado, de 93 anos.

Mnangagwa foi destituído em 6 de novembro, por iniciativa da primeira-dama, Grace Mugabe, com quem competia para suceder o presidente. Sua expulsão provocou a intervenção das Forças Armadas, que controlam o país desde 15 de novembro.

O ex-vice-presidente também apoiou a iniciativa de seu partido, a União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (ZANU-PF), de promover uma moção de censura contra Mugabe a partir desta terça no Parlamento.

Cidadãos do país africano comemoram a renúncia de Mugabe
Cidadãos do país africano comemoram a renúncia de MugabeTsvangirayi Mukwazhi (AP)

Em breves declarações feitas à imprensa na noite de segunda, o chefe das Forças Armadas, Constantino Chiwenga, afirmou que ambos já mantiveram contato e que Mugabe traçou “um mapa a seguir e uma solução definitiva para o país”, após seu discurso transmitido pela TV, no qual, ao contrário do que se esperava, não renunciou.

Os militares assumiram o controle do país na semana passada. Desde então, mantêm Mugabe (no poder desde que a independência em relação aos britânicos foi reconhecida, em 1980) e sua família sob prisão domiciliar. Enquanto isso, o ex-vice-presidente havia se exilado após declarar que recebera ameaças de morte, mas, em sua única comunicação que veio a público até agora, advertiu: “Logo controlaremos as bases do poder em nosso belo partido e [em nosso] país.”

A primeira-ministra britânica, a conservadora Theresa May, emitiu um comunicado afirmando que se abre a oportunidade para que o Zimbábue tenha “um futuro sem opressão”.

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