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Em noite de homenagem a Abel Braga, Cristiano Ronaldo é eleito melhor do mundo pela quinta vez

O português, que vence pelo segundo ano consecutivo, derrota Messi e Neymar. Zidane, fundamental para seu rendimento, recebe o prêmio de melhor treinador

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Cristiano Ronaldo posa antes da cerimônia de premiação da FIFA. EFE

Antes de consagrar os craques, a FIFA prestou homenagem ao técnico do Fluminense, Abel Braga, que perdeu o filho mais novo em um acidente doméstico, em julho, e foi literalmente abraçado pela torcida do clube carioca no Maracanã. Depois, a noite foi dele, novamente. Vestindo um terno preto, colete e gravata, Cristiano Ronaldo – que chegou ao London Palladium acompanhado do filho mais velho e da namorada – recebeu na noite de segunda-feira em Londres o prêmio da FIFA de melhor jogador do ano. É o segundo consecutivo para o português, que na última temporada venceu o Mundial de Clubes, o Campeonato Espanhol e a Champions League. As duas Supercopas não contam porque desta vez a FIFA deixou de lado seu caráter anual e só levou em consideração o período entre 20 de novembro e 2 de julho. Cristiano Ronaldo derrotou Messi e Neymar com os votos de jornalistas, treinadores, capitães das seleções e torcedores inscritos no site da FIFA. Zinedine Zidane também ganhou o prêmio de melhor treinador do ano. Claudio Ranieri, que tirou o galardão de Zidane no ano passado, entregou o prêmio ao francês.

“Meu inglês é muito ruim”, disse o técnico do Real Madrid soltando uma gargalhada. “Vamos fazer um pouco em francês e um pouco em espanhol”, acrescentou. Ele ainda soltou algumas frases em italiano. “Dedico o prêmio à minha mulher, eu te amo porque você sempre está presente. E quero agradecer ao Real Madrid porque me deu a oportunidade de treinar esses jogadores. Cristiano, Luka, Toni, Marcelo... obrigado a vocês. Eu fui jogador e isso é especial”, disse Zidane, que não gosta desse tipo de solenidade.

“Quero agradecer aos meus companheiros, ao meu clube, ao treinador e ao presidente. Faz onze anos que subo neste palco e trabalho duro, nunca pensei que ganharia tantos títulos. Parabéns ao Leo [Messi] e ao Neymar e obrigado por estarem aqui. É um momento inesquecível, estou feliz, rapazes”, disse Cristiano Ronaldo, de 32 anos, ao receber o prêmio. Ele também foi indicado para a Bola de Ouro, concedida pela revista France Football no fim do ano. Ele viajou a Londres pela manhã em um avião particular acompanhado pelo presidente Florentino Pérez e seus companheiros Marcelo, Toni Kroos, Luka Modric e Sergio Ramos (eleitos para a seleção da temporada). Ficaram em Madri Keylor Navas –indicado para melhor goleiro, outro prêmio novo desta edição– e Dani Carvajal, para continuar com seus trabalhos de recuperação.

Cristiano Ronaldo, que também faz parte da seleção mundial, terminou a temporada em Cardiff, no dia 3 de junho, com 42 gols: 25 no Campeonato Espanhol, 12 na Champions, 4 no Mundial de Clubes e um na Copa. Com exceção de sua primeira temporada, na qual perdeu semanas de competição por causa de uma lesão, o português nunca havia marcado tão pouco (se é que 42 gols em 46 jogos podem ser qualificados como poucos), mas seus gols foram muito importantes na Champions. Fez dois na Allianz Arena, quando o Real Madrid estava contra as cordas no jogo de ida das quartas de final, três no jogo de volta no Santiago Bernabéu e outros três contra o Atlético, algumas semanas depois, no primeiro jogo das semifinais. Quase todos, além disso, foram gols de centroavante puro.

Em Cardiff colocou o broche de ouro com outros dois gols. “Com 39 anos, acreditava que não tinha mais nada a aprender, mas sempre digo aos meus amigos: jogadores como Cristiano Ronaldo me ensinaram a ter fome sempre, apesar de ter ganhado tudo, e a ter humildade para entrar na disputa”, elogiara, na véspera, Gigi Buffon, goleiro e capitão da Juve.

A parte negativa dessa fome foi moderada por Zidane, o primeiro treinador que conseguiu convencer Cristiano de que era necessário dosar seus esforços. O português queria jogar tudo, marcar sempre e não parar nunca. Nas duas últimas vezes que o Real Madri chegou à final da Champions (2014 e 2016) Cristiano estava desgastado. Em Lisboa – com um joelho castigado pela inflamação da cartilagem – só jogou porque era a final. Em Milão também jogou sem estar no máximo, castigado por uma temporada longa e exigente.

Chegou à final de Cardiff em seu melhor momento porque Zidane o fez ver que havia outras maneiras de ser protagonista. Que descansando de vez em quando não seria o fim do mundo. Pelo contrário, assim seria fundamental quando a equipe mais precisasse dele e quando os títulos são decididos. E ele o fez. Dos 12 gols na Champions, nove foram marcados a partir das quartas de final. No Campeonato Espanhol ele foi decisivo na parte final, depois que o Real Madrid perdeu o clássico em casa e teve o Barça em seu encalço. Só valia ganhar. Cristiano anotou seis gols nos últimos quatro jogos, todos nos quais jogou (contra Valencia, Sevilla, Celta e Málaga).

Se o fim de temporada do português foi espetacular, o verão começou com problemas com o Ministério da Fazenda, seus silêncios e os rumores sobre uma possível saída do Real Madrid. No fim de julho, prestou depoimento à Justiça por quatro crimes contra as Finanças Públicas, supostamente cometidos entre os anos de 2011 e 2014, e que envolvem uma fraude fiscal de 14,76 milhões de euros (cerca de 55,72 milhões de reais). Irritado com o tratamento, em sua maneira de ver, recebido na Espanha, confessou aos companheiros de seleção que se sentia perseguido e criminalizado. Jorge Mendes começou a procurar possíveis saídas. Zidane interrompeu suas férias para chamar Cristiano e dizer-lhe que não imaginava abrir um ciclo sem ele. Ficou, ganhou junto com o Real Madrid as duas Supercopas. Artilheiro na Champions, só marcou um gol neste Campeonato Espanhol.

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