Cinema

Cineasta Paolo Sorrentino retrata a vida de excessos de Berlusconi

"Espero que não seja um ataque", alerta o político italiano sobre o filme que está sendo filmado

Toni Servillo como Silvio Berlusconi
Toni Servillo como Silvio Berlusconi (EL PAÍS)

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Silvio Berlusconi está de volta. E, quando decide retornar ao cenário, o ex-Cavaliere sabe como chamar a atenção. Fez isso dirigindo-se a um dos nomes de maior prestígio do cinema italiano, Paolo Sorrentino. O vencedor do Oscar, em 2014, por A Grande Beleza, está finalizando seu último filme sobre o magnata das telecomunicações que foi primeiro-ministro da Itália três vezes. "Chegaram até mim rumores estranhos sobre o novo filme de Sorrentino", comentou Berlusconi, em uma coletiva de imprensa em Milão para promover o referendo sobre a autonomia da região em que nasceu, a Lombardia, convocado para domingo, 22 de outubro. "Espero que não se trate de uma agressão política ou pessoal", continuou o líder de direita, respondendo a pergunta sobre o que achava das primeiras imagens do filme, nas quais o ator Toni Servillo, que o interpreta, aparece com uma camisa branca, com as mangas enroladas, e um imperturbável sorriso.

Sorrentino (Nápoles, 1970) gosta de colocar a sua câmera nos bastidores do poder. "Para mim, um filme serve para revelar um mistério. Na Itália, muitos segredos estão vinculados à Igreja, à política, à Máfia. O que me interessa é contar histórias sobre esses mundos", comentou o diretor, em uma entrevista à BBC. Depois de levar às grandes telas o político da Democracia Cristã, Giulio Andreotti - Il Divo, de 2008 - e o enigmático Papa protagonista da série The Young Pope (2016), o cineasta napolitano coloca o foco em cima do personagem italiano mais conhecido e controverso das últimas décadas.

O diretor italiano Paolo Sorrentino
O diretor italiano Paolo Sorrentino (Cordon Press)

A obra, no entanto, está rodeada por uma rígida discrição. Até agora, são conhecidos o título - Loro - (eles, em português) e o elenco. O papel principal é de Toni Servillo, ator fetiche de Sorrentino. A filmagem começou no verão, na capital, nos antigos Fóruns Romanos, e a poucos passos da mansão onde o ex-primeiro-ministro organizava jantares com prostitutas que deram a volta no planeta. Nesta semana, foram difundidas as primeiras imagens da filmagem.

"O mundo tem uma ideia errada de Berlusconi", refletiu Sorrentino, na entrevista à BBC. "Como se fosse um pessoa muito simples. Mas, estudando, entendi que é muito mais complicado. Gostaria de conseguir descrever um personagem complexo. Eu me interesso pelo homem que há por trás do político". Nas imagens que a BBC divulgou com exclusividade, há uma festa na borda de uma piscina, com muitas mulheres e homens jovens: "Estou acostumado a observar o poder", acrescentou o diretor. "Mas meu filme não será apenas sobre Berlusconi. Será também sobre outros italianos, pessoas que giravam ao seu redor, na esperança de mudar os seus destinos usando Berlusconi".

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