Arábia Saudita permitirá que as mulheres dirijam

“Carteiras de habilitação serão emitidas para homens e mulheres igualmente”, segundo um decreto citado pela agência de notícias saudita

Mulheres sauditas saem de um carro em um dia de protesto em 2011
Mulheres sauditas saem de um carro em um dia de protesto em 2011

O rei Salman da Arábia Saudita baixou um decreto real na terça-feira autorizando a emissão de carteiras de habilitação para mulheres, informou a agência France Press citando a SPA, agência oficial de notícias saudita. De acordo com esta agência, a medida entrará em vigor em junho. O decreto estabelece que poderão ser emitidas “carteiras de habilitação para homens e mulheres igualmente”. A medida é reivindicada há anos por organizações de defesa dos direitos humanos e ativistas locais, que chegaram a ser presas por sentar atrás de um volante. A Arábia Saudita é o único país do mundo que impede as mulheres de dirigir.

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O decreto real estabelece um comitê formado pelos Ministérios do Interior, Fazenda, Trabalho e Desenvolvimento Social que deve apresentar suas recomendações sobre o assunto dentro de 30 dias. O comitê estudará como aplicar a diretiva do rei e homologar a lei de trânsito para que as mulheres sejam incluídas “com igualdade” em relação aos homens. De acordo com a SPA, o texto estipula, no entanto, que a medida deve “aplicar e acatar os padrões necessários da Sharia [lei islâmica]”.

A SPA explicou que a decisão foi tomada depois que a maioria dos membros da Autoridade dos Ulemás do reino não se opôs a que as mulheres dirijam, dentro das “garantias da Sharia para evitar [os] problemas” que possam surgir. A agência não fornece mais detalhes sobre a implementação da medida.

Durante muitos anos, várias ativistas sauditas vêm fazendo uma campanha pedindo o fim da proibição das mulheres de dirigir, o que limita suas possibilidades de estudar e trabalhar. Para a maioria, é muito caro pagar entre 1.495 e 1.870 reais, respectivamente, por mês, o custo um motorista particular. No entanto, a necessidade de se deslocar, não só delas, mas também dos filhos pequenos, deu origem a um exército de motoristas estrangeiros que a imprensa local estima em um milhão de imigrantes.

O país é regido por uma interpretação estrita do islã que penaliza de forma especial as mulheres, que ficam sujeitas à tutela de um homem e devem andar completamente cobertas. Sua participação na vida pública é muito restrita.