ELIMINATÓRIAS DA COPA

Neymar ‘versão PSG’ derrapa em sua primeira prova na seleção brasileira

Atacante volta a confundir protagonismo com individualismo. Tite atribui atuação abaixo da média à marcação do Equador

Neymar decepciona com jogo individualista contra Equador.
Neymar decepciona com jogo individualista contra Equador. (Reuters)

Com apenas três jogos pelo Paris Saint-Germain, ainda é cedo para dizer que a mudança de ares tenha abalado seu futebol. Mas ficou claro que a versão Neymar “livre, leve e solto” carece de obrigações táticas que o façam retomar o senso coletivo que havia aprimorado durante o início da gestão Tite. Mais individualista, ele consequentemente se viu mais caçado pelos marcadores e voltou a demonstrar um comportamento que parecia ter ficado para trás, irritando-se por lances banais. Em um deles, ainda no primeiro tempo, deu uma entrada dura e desnecessária no lateral Velasco, que lhe rendeu cartão amarelo – seu quinto nessas Eliminatórias sul-americanas. Também forçou a barra ao tentar simular faltas e até cavar um pênalti, no segundo tempo, em que foi solenemente ignorado pelo árbitro.

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Ao fim de uma partida sem brilho de sua principal estrela, Tite atribuiu o razoável desempenho ao esforço defensivo dos equatorianos – em nenhum momento, o técnico Gustavo Quinteros abriu mão de suas duas linhas de quatro jogadores na defesa. “Devido à marcação muito bem executada pelo Equador, o Neymar só conseguia receber a bola livre muito atrás. No segundo tempo, fizemos um ajuste tático e subimos os laterais. Com isso, não só o Neymar, como Willian e Gabriel Jesus, subiram de produção”, justificou o treinador brasileiro, que ainda explicou por que deu aval para que Neymar invertesse constantemente seu posicionamento. “A troca de lado entre Willian e Neymar é uma orientação nossa para que o atleta criativo tenha liberdade para jogar onde se sinta melhor em determinados momentos da partida.” Antes de deixar o estádio, o atacante reconheceu que teve dificuldades. “Foi um jogo diferente do que estávamos acostumados. O Equador marcou muito atrás. Mas o importante é que conseguimos sair com a vitória.”

Em março, quando Neymar comemorava sua boa fase tanto no Barça quanto na seleção, que naquele momento confirmou a classificação antecipada para a Copa do Mundo, garantia que havia amadurecido, se conscientizado da necessidade de um jogo mais coletivo e compreendido a importância de não cair em provocações dos adversários. Diante do Equador, o atacante do PSG parece ter se esquecido da lição. O Brasil perde força sempre que Neymar confunde protagonismo com individualismo. Ele terá a chance de provar na próxima terça-feira, contra a Colômbia, que a regressão ao modo imaturo de jogar foi apenas um lapso, e não um vício adquirido em terras parisienses.

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