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Vice-presidente dos EUA pede a Chile, Brasil, México e Peru que rompam relações com a Coreia do Norte

“O Chile não apoiará nem golpes de Estado nem intervenções militares”, afirma a presidenta Michelle Bachelet ao vice-presidente dos EUA

Pence e Bachelet na quarta-feira, dia 15, em Santiago do Chile
Pence e Bachelet na quarta-feira, dia 15, em Santiago do Chile AFP

Em uma audiência conjunta no La Moneda com a presidenta chilena Michelle Bachelet, o vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, em uma série de viagens pela América Latina, solicitou formalmente a Chile, Argentina, Peru e Brasil que cortem relações econômicas e políticas com a Coreia do Norte: “Os Estados Unidos dão toda a importância ao isolamento diplomático do regime de Kim Jong-un e instamos Chile, Brasil, México e Peru a romper todos os seus laços econômicos e políticos com a Coreia do Norte”, afirmou o número dois de Donald Trump em meio à forte escalada de ameaças entre Estados Unidos e Coreia do Norte.

O vice-presidente norte-americano chegou depois das 11 horas da manhã (horário local) a Santiago, vindo da Argentina. De imediato, sua comitiva se transferiu ao Palácio do Governo, no centro da capital, onde participou de uma reunião com Bachelet e outras autoridades de ambos os países, entre eles o ministro das Relações Exteriores, Heraldo Muñoz. “É um momento positivo para as relações bilaterais, como acontece há vários anos, e em um momento em que há um governo na Casa Branca com o qual temos acordos e algumas diferenças substantivas em matérias internacionais”, explica Muñoz. “Foram abordados assuntos bilaterais, regionais e globais. Houve uma boa avaliação do rumo bilateral”, acrescenta o chanceler.

Na conferência entre Pence e Bachelet, na qual a primeira a se manifestar foi a presidenta chilena, a chefe de Estado mencionou à Coreia do Norte. “O Chile expressou em diversos fóruns — na Assembleia Geral, no Conselho de Segurança e na OEA — sua preocupação com o programa de armas nucleares da Coreia do Norte. Da mesma forma, respalda todos os chamados a renovar os esforços diplomáticos, incluídas as conversações entre Coreia do Norte, Japão, Coreia do Sul, China, Estados Unidos e a Federação Russa dedicadas a consagrar por vias pacíficas uma península coreana sem programas nucleares”, afirmou Bachelet, antes que Pence pedisse a seu país e a Brasil, México e Peru que rompam relações econômicas e políticas com o regime de Kim Jong Un.

A situação venezuelana também marcou o encontro bilateral. Dias depois que Trump ameaçou intervir militarmente na Venezuela, Bachelet afirmou que “o Chile fará todo o possível para apoiar os venezuelanos para encontrar o caminho pacífico para restaurar sua democracia”. Mas a socialista também esclareceu: “O Chile não apoiará nem golpes de Estado nem intervenções militares. No caso das sanções, apoiaremos as que sejam aprovadas pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas”.

Bachelet recordou que assim como 11 países da região, o Chile assinou a Declaração de Lima há uma semana, na qual manifesta a disposição dos assinantes “para explorar formas de contribuir para a restauração da democracia na Venezuela por meio de uma saída pacífica e negociada”.

Pence afirmou que os Estados Unidos vai usar toda sua força econômica e diplomática até que se restaure a democracia na Venezuela. Mas assim como fez a Argentina, reiterou que uma intervenção será acordada com a América Latina: “O presidente Trump disse há alguns dias que os Estados Unidos têm muitas opções para a Venezuela, mas ele também confia que trabalhando com nossos aliados em toda a América Latina podemos chegar a uma solução pacífica para a crise. O que nós fizermos na Venezuela vamos fazer juntos, porque todos vivemos no mesmo continente”.

Chile e Coreia do Norte têm relações diplomáticas desde novembro de 1970, no Governo do socialista Salvador Allende. Depois do golpe de Estado de 1973, Augusto Pinochet as rompeu. Com a chegada da democracia, em 1992 se restabeleceram os vínculos, apesar de o Chile não ter aberto Embaixada em Pyongyang e ter encarregado a delegação diplomática na China de assumir o papel quando necessário.

Depois de visitar Colômbia, Argentina e Chile, Pence viajará na quinta-feira, dia 16, para o Panamá, onde encerrará sua viagem à América Latina.

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