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O “pior restaurante do mundo”: 180 reais por uma cerveja no centro de Lisboa

De batedor de carteiras a vendedor de bacalhaus milionários, o currículo do dono do restaurante lisboeta

O restaurante apagou o nome do toldo após críticas na internet
O restaurante apagou o nome do toldo após críticas na internet

A rua de Correeiros, no centro de Lisboa, é conhecida por seus restaurantes populares, onde o garçom sai à rua para oferecer cardápios, em meia dúzia de idiomas, com dezenas de fotos e preços  – baratos  – bem visíveis. Na rua de Correeiros, há alguns bons restaurantes, como o João do Grão, que oferece excelente bacalhau por 9,90 euros (37 reais), e há outros que, se o turista for descuidado, cobram até 120 euros (453 reais) pelo mesmo prato... Já faz um ano que diferentes associações de consumidores receberam queixas de clientes do restaurante Made in Correeiros, por cobrar-lhes 120 euros por um simples bacalhau e uma porção de mariscos (com camarões, lulas e mexilhões) a 250 euros (944 reais). E também há outros restaurantes com preços surpresa na mesma rua, como o Obrigado, Lisboa. A autoridade competente (DECO) afirma que não pode puni-los, que tudo é legal, que os preços estão no cardápio,embora escondidos. O DECO recorda que não é delito cobrar preços abusivos, desde que sempre estejam no cardápio.

O truque é sempre o mesmo: o turista olha o cardápio, vê os preços módicos e relaxa; então, o garçom oferece outros pratos do dia, o cliente se inclina pela suposta "frescura" e não percebe o erro até pagar a conta. Quando reclamam, misteriosamente aparecem no cardápio os preços desses pratos que antes não haviam visto.

O ex-trombadinha Xula deixou os roubos e abriu três restaurantes onde engana aos turistas

Se a autoridade competente não serve para muita coisa, parece que a publicidade nas redes sociais, sim. TripAdvisor e outros sites alertam sobre o golpe do "pior restaurante do mundo", como afirma um cliente do Made in Correeiros; mas se a internet é rápida, o dono desses restaurantes golpistas é ainda mais rápido. Não perdeu tempo para mudar o nome dos estabelecimentos ou simplesmente apagá-los. O Made in Correeiros há pouco tempo se chamava Portugal no Prato; e o atual Obrigado, Portugal antes era Rio Ceira, também massacrado nas redes sociais; na mesma rua, há outros restaurantes sem nome e de estética similar  – muitas fotos dos pratos nas ruas, com os preços bem à vista em muitos idiomas. A má fama do Made in Correeiros nos meios de comunicações fez com que o nome desaparecesse do seu toldo nesta mesma semana.

–  Olha  – perguntamos a uma cabeleireira que fica em frente –, não é este o restaurante Made in Correiros? Sumiu o nome?

Obrigado Lisboa, outro dos restaurantes do ex-trombadinha
Obrigado Lisboa, outro dos restaurantes do ex-trombadinha

A senhora sorri e encolhe os ombros. Não querem falar, a barra não está limpa, e muitas vezes estão entre garçons de restaurantes decentes e dos outros, que arruínam seus negócios por contágio. Segundo uma investigação do jornal Observador¸ por trás desses restaurantes que enganam os turistas está José Cardoso, Xula, um ex-trombadinha da linha 28, na Baixa de Lisboa, o mesmo bairro onde tem vários de seus restaurantes. Xula foi um batedor de carteiras muito popular nos anos noventa, popular pelas vezes em que foi preso pela polícia, imputado em 40 processos, embora nunca tenha sido condenado. De acordo com a polícia, dirigia uma gangue de ladrões no metrô e na linha 28, a mais usada pelos turistas. A partir de 2009, com o aumento da vigilância no metrô, Xula concentrou-se na linha 28, mas, desde 2012, viu no ramo dos restaurantes uma fonte maior e mais respeitável de renda.

Desde 2012, e com o auge do turismo, Xula ampliou o seu negócio a pelo  menos três restaurantes, nos quais, além da mariscada surpresa por 250 euros,cobra também uma cerveja - que é sempre pedida sem olhar os preços - por 15 (56 reais) a 50 euros (188 reais). A autoridade lisboeta realizou apenas inspeções sanitárias em seus estabelecimentos, que as superaram sem problemas. Xula sempre foi muito limpo em seus negócios. No entanto, a popular rua de Correeeiros começa a ser evitada pelos turistas.

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