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Pelo menos 35 civis mortos em um atentado suicida em Cabul

“O carro-bomba se lançou contra um ônibus que transportava funcionários do Ministério de Minas”, explica o porta-voz do Ministério do Interior

A polícia investiga depois do atentado em Cabul.
A polícia investiga depois do atentado em Cabul. REUTERS

A explosão de um carro carregado de explosivos na manhã de segunda-feira, dia 24 de julho, causou a morte de pelo menos 35 civis no bairro de maioria xiita de Cabul, onde também mora um bom número de funcionários públicos afegãos, segundo o último informe do Ministério do Interior. Tanto o presidente afegão, Ashraf Ghani, como o primeiro-ministro Abdullah Abdullah, condenaram o atentado. Ghani denunciou o “covarde ataque” contra civis, enquanto Abdullah prometeu que os responsáveis prestarão contas à Justiça.

“Vinte e quatro pessoas morreram e 42 ficaram feridas no atentado desta manhã em Cabul, todas civis. O carro-bomba se lançou contra um ônibus que transportava funcionários do Ministério de Minas”, declarou em um primeiro balanço o porta-voz do Ministério do Interior, Najib Danish, que tinha adiantado que o número de vítimas poderia aumentar.

Os talibãs assumiram a autoria do atentado no Twitter “contra um ônibus que transportava membros do NDS [serviço de inteligência] e que deixou 37 mortos”. O porta-voz dos talibãs, Zabihulah Muyahid, acrescentou que o objetivo do atentado eram dois ônibus que estavam vigiando há dois meses. No entanto, tanto os talibãs como o Estado Islâmico (EI) reivindicam às vezes atentados que não cometeram ou, ao contrário, não reconhecem ataques cometidos contra civis. A agência de inteligência Diretório Nacional de Segurança (NDS) rejeitou a versão dos talibãs, ao afirmar que esse departamento “não utiliza ônibus para transportar seus funcionários”.

O atentado suicida ocorreu pouco antes das 7h00 no horário local em uma rua no Distrito Policial 3 no oeste da capital afegã, acrescentou Danish. Segundo ele, no local da explosão três veículos e 15 lojas ficaram gravemente destruídos. O atentado atingiu sobretudo lojas e estabelecimentos situados nos dois lados da rua.

A Polícia cercou a região, localizada perto da casa do vice-primeiro ministro do Afeganistão, Mohamed Mohaqiq, em uma região da cidade em que vivem muitos membros da comunidade hazara xiita e funcionários públicos, apesar de ter garantido que o objetivo do ataque é desconhecido. Perto do lugar da explosão também está a residência do líder da comunidade hazara xiita e membro do Parlamento Mohamed Moqaqeq, afirmou seu porta-voz, Omid Maisom.

“O carro explodiu na frente do primeiro posto de controle da residência de Moqaqeq, deixando mortos e feridos entre os guardas e os civis. Acreditamos que queria atingir a casa de Moqaqeq, mas nossos guardas os detiveram”, acrescentou Maisom.

A comunidade hazara relembra justamente agora o primeiro ano (segundo seu calendário religioso) de um atentado contra uma manifestação de milhares de seus membros, em 23 de julho de 2016, que deixou 84 mortos e mais de 300 feridos. Aquele foi o primeiro atentado reivindicado pelo grupo jihadista Estado Islâmico no centro da capital afegã.

Desde então, o EI, que ganha território no norte do Afeganistão, atacou várias vezes os xiitas com atentados como o de Mazar-i-Sharif, no norte, em outubro passado, durante a Ashura, a principal festividade religiosa dessa comunidade.

Cabul tem sido cenário nos últimos meses de graves atentados, entre eles o de 31 de maio passado, com um caminhão carregado de explosivos, no qual faleceram 150 pessoas e mais de 300 ficaram feridas, tornando-se o ataque mais sangrento desde o início da invasão norte-americana no Afeganistão em 2001.

A guerra atingiu principalmente os civis. A missão da ONU no Afeganistão anunciou na semana passada que o conflito marcou um novo recorde de mortes de civis, com 1.662 falecidos nos primeiros seis meses do ano, 2% a mais do que em 2016, incluído um aumento de mortes de crianças e mulheres de 9% e 23%, respectivamente. Desde que começou a contabilizar as vítimas civis do conflito afegão em janeiro de 2009, a ONU informou a morte de cerca de 26.500 civis e mais 49.000 feridos.

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