Bomba dos EUA no Afeganistão mata 94 membros do Estado Islâmico

Pentágono divulga vídeo da explosão ocorrida na quinta-feira, com a bomba MOAB GBU-43

Momento no que a bomba cai sobre o Afeganistão. Reuters (reuters_live)

Pelo menos 94 membros do Estado Islâmico (EI) morreram no ataque em que os Estados Unidos utilizaram sua bomba não-nuclear mais potente, a GBU-43, conhecida como “a mãe de todas as bombas”, informou nesta sexta-feira o Ministério da Defesa afegão. Além disso, o projétil destruiu uma importante instalação desse grupo terrorista. Fontes do ministério insistiram em que o bombardeio não causou mortes entre os civis.

Um porta-voz do Ministério da Defesa afegão, Muhammad Radmanish, indicou em um primeiro balanço à EFE que “36 membros de grupos do Estado Islâmico morreram e uma grande quantidade de munição e armas foi destruída no bombardeio”.

O bombardeio com a GBU-43, um projétil de 10 toneladas que mata com uma onda de pressão aérea, foi executado na quinta-feira às 19h32 (11h em Brasília), no distrito de Achin, na província oriental de Nangarhar, com a aprovação do presidente norte-americano, Donald Trump.

Em um comunicado enviado à EFE, outro porta-voz do Ministério da Defesa afegão, Dawlat Waziri, afirmou que um importante refúgio e três esconderijos do Estado Islâmico foram destruídos pelo impacto da bomba. Segundo o porta-voz, o grupo terrorista, que começou a atuar no Afeganistão em 2015, usava esse esconderijo “para coordenar seus ataques terroristas em diferentes partes da província”, que faz fronteira com o Paquistão.

O principal grupo insurgente afegão, que também combate o Estado Islâmico, criticou o ataque ordenado por Trump: “O Emirado Islâmico [como se denominam os talibans] condena nos termos mais severos este grande crime dos americanos e chama seus autores de criminosos globais”, afirmou em uma nota seu porta-voz, Zabihullah Mujahid. "A eliminação do Estado Islâmico é coisa dos afegãos, não dos estrangeiros”, acrescentou.

O ataque ocorreu depois que o Governo do Afeganistão afirmara nesta semana mesmo que o número de insurgentes do Estado Islâmico no país é inferior a 400 e que no ano passado abateu cerca de 2.500 membros do grupo, o que reduziu sua presença a somente duas das 34 províncias. A missão da OTAN no Afeganistão também informara na semana passada que nos dois últimos anos reduziu à metade o número de membros do grupo terrorista e em mais de 60% o território controlado pelo Estado Islâmico no país.

Em 6 de abril, um porta-voz da missão Apoio Decidido, da OTAN, capitão Bill Salvin, declarou que o Estado Islâmico será derrotado no país asiático durante o próximo ano e que o território afegão não se converterá em um lugar “seguro” para os combatentes do grupo terrorista.